“Ratos gostam de queijo”.
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Há duas semanas, escrevi no 'Caderno R' uma crônica com título antípoda a que circula essa semana: “Ratos não gostam de queijo”. Trazer, agora, tema oposto não significa que eu tenha mudado de opinião ou que outros cientistas tenham ratificado aquilo que era antes ‘a Verdade’ universalmente aceita.
Agora a proposta é considerar o quanto a difusão de certos mitos podem lhes dar cientificidade. Isso posto, parece importante discutir a quem interessa a sedimentação de um mito. Assim, não é relevante discutir (ou até saber) se ratos gostam ou não de queijo, mas sim, reconhecer a quem interessa a ratificação de um mito. Aliás, minha frase teria um simbólico duplo significado se a escrevesse: ‘reconhecer a quem interessa o rato de um mito’ pois rato é, também, sinônimo de ratificação.
Entre alternativas propagandistícas, o superpoderoso Goebbels usou com muito êxito o cinema. Há um filme “O judeu eterno” [Der ewige Jude // The eternal jew], produzido em 1940, que foi especialmente eficiente para difundir a acusação de quanto a natureza intrinsecamente pervertida do povo judeu, preparando a aceitação pública para a deportação em massa, o confinamento e a matança.
Nesse intermezzo entre os dois turnos das eleições, vale ler sobre o mito do ‘Judeu errante’.