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Caim: ¿Um livro blasfemo?
14NOVEMBRO2009 SÁBADO | Faltam 22 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague | Porto Alegre Ano 4 # 1199 |
É muito bom estar postando esse blogue da Morada dos Afagos, depois de três dias de ausência (que pareceram semanas!) mais uma vez. Minha manhã de sexta-feira foi envolvida ainda no II EnCaQui, onde houve a terceira e última sessão do mini-curso “A História e Filosofia da Ciência como catalisadora de ações transdisciplinares”, onde fizemos uma muito panorâmica mirada nas revoluções que marcam a disciplinarização nas Ciências: a revolução copernicana; a revolução lavosierana; e a revolução darwiniana. Ainda houve autógrafo de livros e muito pedido de fotos e homenagens com oferta de mimos por parte da Coordenação do evento. Assisti ainda à palestra acerca de Biocombustíveis de 2ª geração, pelo Prof. Dr. Pedro Ramos da Costa Neto (UTF PR). Confesso que não conhecia aquilo que caracteriza a 2ª geração: não competir com alimentos. Foi bastante interessantes as perspectivas trazidas especialmente aquelas relacionadas com resíduos como podas e também a energia que pode ser produzidas a partir de algas. Passava do meio-dia quando me despedia do IF-ES com carinhos daqueles que me convidaram e também dos que se envolveram para facilitar minha estada em Vitória. Fui então com o Prof. Sidnei conhecer duas das mais importantes ilhas de da capital capixaba. A Ilha do Boi, de onde se tem magníficas vistas da paisagem da grande Vitória e a Ilha do Frade, onde estão as lindas mansões dos muito ricos. Após almoçarmos na zona central, o Sidnei deixou-me no aeroporto obsequiando-me com um artístico móbile que envolve o artesanato da região. A partida foi no horário (15h15min) e depois de um voo de cerca de 40 minutos estava no Galeão para uma espera de mais cinco horas. Deixei o Rio quase 22h para chegar à Porto Alegre um pouco antes da meia-noite. A Gelsa me aguardava. Pro problemas de desinformação teve estendidas suas horas de espera no aeroporto. O sábado já era adiantado quando chegamos à Morada dos Afagos. Nesta viagem (em voos e nas esperas) li o último livro do Saramago. Queria trazer algo desse livro nessa blogada sabatina, para observar a direção de ser sábado dia de dica de leituras. Dou-me conta como, de uma maneira genérica, é difícil trazer algo original acerca de certos textos. Na espera no Galeão, coloquei no Google – Caim Saramago –. A resposta a esse pedido foi mais 1,2 milhão de páginas. No caso em tela há um cardápio multivariado: este vai desde aqueles que condenam o Nobel português aos quintos dos infernos até os que o louvam como o Messias que vem livrar-nos do obscurantismo. Mesmo ante a dificuldade em trazer algo original, meus leitores certamente hão de perguntar a minha opinião, até para ver se coincide com a de alguns. Ensaio uma resenha clássica, começando, como usualmente faço, trazendo um breve comentário, ajudado pela Wikipédia, sobre aquele que nesta segunda-feira faz 87 anos. José de Sousa Saramago (Azinhaga, 16 de Novembro de 1922) é um escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da língua portuguesa. Saramago é considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e seu atavismo à Península Ibérica, é membro do Partido Comunista Português e foi diretor do Diário de Notícias. Casado com a espanhola jornalista e tradutora espanhola María del Pilar del Río Sánchez, Saramago vive atualmente em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, território espanhol. Essa saída de Portugal, segundo alguns está relacionada com a repercussão (= tentativa de censura) que teve em 1991 o ‘Evangelho’. Caim [São Paulo: Companhia das letras, 2009, 172p, ISBN 978-85-359-1539-6] é realmente um livro que veio para polemizar, como foi ‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’ (1991) - onde Saramago reescreve o livro sagrado sob a óptica de um Cristo humanizado (sendo esta a sua obra mais controvertida). Nesse livro o autor mostra um Jesus que perdeu sua virgindade com Maria Madalena e que era utilizado por Deus para ampliar seu poder no mundo. Quanto à forma, ‘Caim’ segue a peculiar tradição saramaguenha conhecida por utilizar frases e períodos longos, usando a pontuação de uma maneira não convencional. Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de modo que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia que o leitor chegue a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento. Muitas das suas frases ocupam mais de uma página, usando vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais. Da mesma forma, muitos dos seus parágrafos ocupariam capítulos inteiros de outros autores. Apesar disso o seu estilo não torna a leitura mais difícil, se os seus leitores se habituarem facilmente ao seu ritmo próprio. O novo livro narra em tom irônico a história bíblica de Caim, filho de Adão e Eva que matou o irmão Abel. "A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana", declarou Saramago. "Sem a Bíblia, um livro que teve muita influência em nossa cultura e até em nossa maneira de ser, os seres humanos seriam provavelmente melhores", completou. O romancista denunciou "um Deus cruel, invejoso e insuportável, que existe apenas em nossas mentes", e afirmou que sua obra não causará problemas com a Igreja Católica "porque os católicos não lêem a Bíblia". "Admito que o livro pode irritar os judeus, mas pouco me importa". Gostei do livro nos seus capítulos iniciais, talvez os quatro ou cinco primeiros, depois se torna repetitivo e cansativo. Outra crítica que me parece que cabe é dizer que não se trata de um romance histórico – e é claro que o autor não pretendeu isso – algo que usualmente desejamos encontrar em romances desse gênero. Salvo o mote de abertura: o assassinato de Abel por Caim, tudo mais são voadas do autor, sem qualquer rastro na narrativa bíblica. Lembrei-me na leitura de uma entrevista da recente no IHU-on line pelo indiano Felix Wilfred – professor na Universidade de Madras, em Chenai, na Índia – acerca do monoteísmo. Ele considera que o mesmo funciona como aniquilador do pluralismo e da diversidade. Para ele, “a concepção de Deus como único tem grande influência na forma de governar. Como há somente um único Deus, torna-se fácil concluir que toda a verdade e poder estão outorgados a uma única pessoa – um imperador, um papa, um bispo etc., excluindo-se práticas democráticas e formas participativas. Então, o monoteísmo poderia servir como uma base ideológica para o autoritarismo e a centralização”. Pois é esse Deus todo poderoso que no livro de Saramago persegue de uma maneira continuada Caim, de quem não acolhera o sacrifício. Esse é um primeiro comentário. Dois leitores desse blogue já escreveram em suas páginas sobre o livro. Jairo Brasil:~~ www.profjairobrasil.blogspot.com ~~ e Matilde Kalil: ~~ www.q-analysis.com ~~.Acredito que há ainda muitas outras leituras. Penso que a qualquer um de nós, patriota ou não, incomodaria ver um símbolo nacional, a bandeira, por exemplo, transformada em sumário e erótico biquíni ou em uma fantasia de carnaval. A mim, mesmo que não crente, indignou o que Saramago diz, especialmente nas páginas 79 e seguintes, quando descreve a atroz prova que Deus submete Abraão, quando lhe pede o sacrifício do único filho. Chamar o Deus de minha mãe e o de meu pai de ‘filho da puta’ me violenta. Sim! O livro não precisava ser blasfemo. Mas com esses discretos comentários espero colher aqui outras opiniões. A singeleza do que trago aqui pode ser creditado a um cumprimento da proposta de aos sábado falar em livros. Fiz isso numa espera no Rio de Janeiro. Que o sábado seja agradável a cada uma e cada um e prenuncie um domingo de alegrias. Desejo que os milhares de gaúchos atingidos pelas fortes chuvas de ontem e dessa madrugada possam ter um sábado de sol – e isso não parece indicar essa antemanhã – para minimizar estragos.
Escrito por Chassot às 09h27
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Numa sexta 13 > Vitória / Rio de Janeiro / Porto Alegte
13NOVEMBRO2009 SEXTA-FEIRA | Faltam 23 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague | Porto Alegre Ano 4 # 1198 |
POR UM INEXPLICÁVEL PROBLEMA TÉCNICO NÃO CONSEGUI, DEPOIS DE MUITAS TENTATIVAS, ADITAR AQUELAS QUE SERIAM MINHAS MELHORES FOTOS. LAMENTO MUITO Pois já vivo o esperado dia de retornar a Porto Alegre, em uma viagem que por motivo de conexões deverá levar 6 horas, pois saio pelas 15 horas para chegar depois das 21h. Afortunadamente não temo a coincidência de ser hoje uma sexta 13. Esta manhã, tenho a terceira e última sessão do mini-curso, que ontem teve a presença dos 14 quase dobrada, em decorrência da sedução havida com a palestra do dia anterior. Depois da aula autografei dezenas de exemplares de Educação conSciência e de A Ciência é Masculina? Registro dois destes autógrafos: Foto1 ** Foto2 sempre momento de encantamento para um autor. Assisti pela manhã a interessante palestra “Empreendedorismo e inovação” proferida pela Profa. Dra. Liana Almeida de Figueiredo. Participei também da apresentação oral de três trabalhos, dos quais um de Educação Química. Para o almoço, junto com o Prof. Sidnei, reuni-me para discutir proposta de Ensino de Ciências nas escolas da rede da Secretaria Estadual de Educação do Espírito Santo com as professoras Elizabete (da Química) e Patrícia (da Biologia). Saboreamos os quatros uma gostosa moqueca capixaba. Eis um registro do encontro Foto3 e a receita do prato mais típico do Espírito Santo. 600g de peixe (robalo ou badejo) coentro, cebola, alho, tomate, urucum, sal (a gosto), azeite, limão. Tudo numa panela de barro. A propósito recebi ontem na palestra um conjunto de produtos típicos do Espírito Santo, entre os quais uma miniatura de uma panela de barro; Após o encontro com a SEDUC o Professor Sidnei e eu fomos a Vila Velha. A meta primeira era fazer uma visita ao Santuário da Penha. Num penhasco que ostenta no seu entorno imponente fragmento da mata atlântica, está edificado o Santuário de Nossa Senhora da Penha, fundado por Frei Pedro Palácios que aqui chegou em 1558. Edificado no cume do penhasco, de 154 metros de altitude, e localização privilegiada, a 500 metros do mar e no centro da cidade de Vila Velha está o conjunto religioso com um mosteiro franciscano também. Foto4 *** Foto5 O local oferece aos visitantes a mais bela vista panorâmica de parte das cidades da Grande Vitória, além do esplendor do pôr-do-sol. Quando chegamos ao portão de entrada. Portão Encontramos esta notícia: ACESSO DE CAROS FECHADO POR UM ANO. Tínhamos duas opções, ante a impossibilidade de vencer os 1.300 m de carro: desistir da visitação ou subir a pé, a íngreme ladeira com um aclive que sobe cerca de 150 metros. Optamos por subir a pé. E valeu a pena. FOTO *** FOTO ** FOTO *** FOTO*** FOTO *** FOTO. Mais algumas cenas no mosteiro da Penha: FOTO** FOTO*** FOTO** FOTO Descemos pela Ladeira da Penitência" que é uma via exclusiva de pedestre. O nome de Ladeira da Penitência é devido à sua declividade acentuada e disformidade de calçamento feito de pé-de-moleque, o que exige esforço para descer pelo escorregadio das pedras, uma caminhada de 457 metros, cheia de encantos pelas pedras seculares do calçamento, pelo verde da árvores seculares. Foi uma linda atividade esta subida, estada na Penha e descida. Depois de uma circulada por Vila Velha passamos pela fábrica de Chocolates Garoto, que apesar de ser uma atração na cidade, não mereceu minha visita. Fomos ao museu da Vale, que uma das mais importantes mega-empresa do Espírito Santo. Esta visita teve dois momentos distintos. Primeiro a exposição temporária exposição “Salas e abismos”, do artista Waltercio Caldas. Natural do Rio de Janeiro, Waltercio é considerado um dos artistas brasileiros de maior renome internacional, tendo exposto em instituições consagradas de diversos países. No Brasil participou como convidado de edições das bienais de São Paulo em 1983, 1987 e 1996, e representou o país na Bienal de Veneza de 1997. Foi muito significativo ver Salas e abismos que reúne pela primeira vez nove instalações, ou ambientes, como Waltercio prefere descrever, em um mesmo espaço, criando uma nova visão de sua obra através de um universo singular. Não sendo uma retrospectiva – há uma sala inédita, Silêncio do mundo, concebida especialmente para a mostra –, essa seleção de trabalhos do artista possui uma característica: o desejo específico de fazer com que as obras se relacionem, dialoguem umas com as outras, com o espaço, criem uma tensão e uma união próprias. As obras foram desenvolvidas ao longo da carreira do artista, projetadas para ocupar lugares específicos, onde o espaço é tratado com ênfase em cada uma delas. Daí a designação de ambientes para os trabalhos, que pela primeira vez são exibidos em conjunto. A seleção feita por Waltercio considera o espaço de exposições do Museu como linguagem, propõe novos e surpreendentes lugares para o olhar e apresenta – mais uma vez – os princípios poéticos da obra do artista. Claro que nesta visita lembrei muito da Liba, que tem Waltercio em seu acervo. O segundo momento foi a visitação da parte permanente: O museu ferroviário. A antiga Estação Pedro Nolasco, construída em 1927, reúne um rico acervo no qual sobressaem a velha Maria Fumaça, o vagão de madeira, o trólei, o telégrafo, o quepe do agente, fotografias, entre outros. Aqui o filho do ferroviário de Jacuí matou saudades dos trens. FOTO ** FOTO** FOTO ** FOTO Vimos ainda Centro de Memória da Estrada de Ferro Vitória a Minas. Esse acervo é composto dos documentos originais da ferrovia, fotos, mapas, plantas, filmes, livros, periódicos, dentre outros, resgatados na época da montagem do Museu Vale. Às 18h30min chegava ao hotel, ou seja, 11 hora depois de deixá-lo pela manhã. Uma hora depois com a Profa. Dra. Maria Tereza, encontrava-me com o Prof. Dr. Pedro Ramos da Costa Neto (UTF PR) e com a Profa. Ana Brígida Soares, que ontem, em duas oportunidades percorreu comigo idas e vindas Hotel / IF-ES / Hotel, para jantarmos. O prato foi mais uma vez moqueca capixaba, só que desta vez foi de siri, que não superou aquela do meio-dia, mesmo que a da noite tivesse acompanhamento de bananas. FOTO Aqui uma cena, na orla marítima, próximo ao hotel. Como ontem, antecipo a postagem para antes de dormir neste dia, pois pela manhã, às 07h30min já deixo o hotel, para depois da terceira sessão do mini-curso começar gradativamente a partir. Faço votos de uma excelente sexta-feira 13 para cada uma e cada um. Tenho a expectativa de editar a blogada sabatina desde a Morada dos Afagos. Até lá.
Escrito por Chassot às 02h12
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Uma segunda blogada capixaba
12NOVEMBRO2009 QUINTA-FEIRA | Faltam 24 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague | Porto Alegre Ano 4 # 1197 |
Foi uma quarta-feira na qual ainda se falou muito do súbito blackout. Ministério de Minas e Energia confirmou que 18 Estados foram afetados pelo apagão que atingiu o país entre a noite de terça-feira (10) e a madrugada de ontem. Foram cerca de 90 milhões de brasileiro e mais um grande número de paraguaios. Ainda não se tem uma explicação convincente. Ontem milhões de pessoas continuaram sem água, pois com o apagão houve desestabilização de estações de tratamento de água que servem muitas cidades. Muitos têm histórias mais exóticas que a minha: não conhecia a geografia do apartamento onde está hospedado. A Maria Teresa Carneiro Lima, que coordena o evento que me traz a Vitória, dentre as pessoas que conheço, foi a campeã em número de andares por subir depois de um dia de trabalho: 16 andares. Ontem envolvi muito de meu dia em atividades no II Encontro Mineiro de Química. Uma nota lateral. Não encontrei entre meus anfitriões uma boa explicação para ‘capixaba’. Há inclusive uma confusão da referência do gentílico. É da capital ou do estado? Vejam-se os dicionários. O Houaiss registra: relativo à Vitória ES ou o que é seu natural ou habitante; espírito-santense, vitoriense. Já o Aurélio diz: Espírito-santense e informa que é desusado significar: vitoriense. Um dos dicionários diz ser: ‘Local de plantação; pequeno sítio ou roça’ enquanto o outro refere ser ‘Pequeno estabelecimento agrícola’. Como no Nordeste também pode ser cangaceiro, ouvi ontem alguém referir que aqui esse gentílico pode ser considerado pejorativo. O Houaiss explica a etimologia dizendo ser do tupi kapi'xawa 'terra de plantação, roça, sítio'; e comenta que a alteração do elemento inicial co- para ca-, se documenta em inúmeros vocábulos portugueses de procedência indígena, deve-se à influência do tupi ka'a 'mato'; segundo dicionaristas "em épocas remotas, no lugar onde se construiu mais tarde o mercado da cidade de Vitória, fizeram os índios uma plantação a que chamavam por este nome"; a cidade cresceu, e o nome generalizou-se aos habitantes da cidade e depois aos do estado. A nota lateral ficou extensa e volto ao texto que referia o meu dia no II EnCaQui. Pela manhã dei o primeiro dos três encontros mini-curso “História e Filosofia da Ciência catalisando propostas in-disciplinares”. O grupo é reduzido: 14 participantes, com professores universitários e alunos recém chegados na graduação. Houve muito interesse dos participantes, se considerarmos que esse evento é um encontro de Química ‘hard’ e não de Educação Química. Ainda na parte da manhã assisti à palestra “Cenário e perspectiva do setor petrolífero nacional e capixaba” pelo geólogo Luiz Otávio da Cruz de Oliveira Castro. Desta destaco primeiro o meu desconhecimento do quanto é significativa a bacia petrolífera capixaba e quanto a Petrobrás investe na UFES em construção e equipamento de laboratórios. Também me surpreendi de estudos da área de petróleos, que incluem a determinação ‘quase do genoma’ dos mesmos. Ainda assisti a apresentação oral de três trabalhos. Após o almoço que foi em uma cantina no próprio IF-ES vim para o hotel para uma descansadinha antes de minha palestra. Deleitei-me também na contemplação do mar desde o hotel: Este já vira na chegada do avião  Agora da sacada de meu apartamento portaria do hotel.  À tarde, voltei ao IF-ES para a palestra: “A Ciência como instrumento de leitura para explicar a natureza”. Não gostei muito de minha fala por duas razões: a primeira porque sendo Linux o sistema operacional, não só muitas de minhas laminas foram desconfiguradas como várias foram simplesmente desapareceram. Outra razão: rígidos controles improrrogáveis de tempos me atrapalham. Todavia foi gratificante receber intensos aplausos de cerca de 300 pessoas e várias manifestações de agrado. À noite jantei com o Prof. Dr. Sidnei Quezada Meireles Leite , conhecido já de muito tempo e isso ensejou uma muito boa conversação acerca do ensino de Ciências e também externei algumas críticas às propostas dos Institutos Federais, mais especialmente acerca das licenciaturas. Ele ainda me ensejou um lindo passeio até Vila Velha, cruzando a magnífica ponte que está no cartaz do evento e que coloco abaixo desta edição. Como já é quinta-feira, mesmo que ainda não tenha cumprido o ritual de passagem de ter dormido, vou postar esta edição no inicio do novo dia. Assim, ao acordar terei facilitada minhas ações, quando quero dar uma revisada na segunda sessão do curso, pois a proposta é discutir a “busca de suportes teóricos em Kuhn e Feyerabend para mostra a paralisia na Ciência e aprender a trabalhar com a incerteza. Discutir as quebras de paradigma e as origens da disciplinarização. Entre as certezas na virada dos séculos 19/20 e as incertezas na virada do 20/11: o século da tecnologia”. Assim, uma muito boa quinta-feira a cada uma e cada um e amanhã ainda uma edição com sabor capixaba neste blogue.
Escrito por Chassot às 01h42
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Desde Vitória, também vítima do apagão
11NOVEMBRO2009 QUARTA-FEIRA | Faltam 25 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague | Porto Alegre Ano 4 # 1196 |
Estou pela primeira vez em Vitória, a capital do estado do Espírito Santo. É uma das três ilhas-capitais do Brasil (as outras são Florianópolis e São Luís). Vitória limita-se ao norte com o município da Serra, ao sul com Vila Velha, a leste com o Oceano Atlântico e a oeste com Cariacica. A cidade é uma das menores do território Brasileiro, com área de apenas 93,381 km² distribuídos ilha principal de tipo fluviomarinho, Vitória e outras 34 ilhas (inclusive algumas a mais de 1100 km da costa) e uma porção continental. Originalmente eram 50 ilhas, muitas das quais foram agregadas por meio de aterro à ilha maior. Tem uma população de cerca de 320 mil habitantes e a quarta mais populosa do estado (atrás dos municípios limítrofes de sua região metropolitana: Vila Velha, Serra e Cariacica) e integra uma área geográfica de grande nível de urbanização denominada Região Metropolitana da Grande Vitória, compreendida pelos municípios de Vitória, Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana e Vila Velha. Vitória possui dois grandes portos, o porto de Vitória e o Porto de Tubarão. Entre as capitais do Brasil, Vitória possui o 3° melhor IDH e o maior PIB per capita. Minha viagem à Vitória correu como o previsto, com uma escala no Rio de Janeiro. Do Galeão, mesmo abordo, graças ao 3G pude acessara internet e inclusive responder a comentários neste blogue. Nos dois trechos em meio a recuperadoras dormidinhas entremeei leituras dos 4 primeiros capítulos de ‘Caim’, o último livro de José Saramago; um dos presentes que ganhei de aniversário da Liba. Teria comentários para fazer aqui, mas minha agenda se desorganizou pois também eu fui um dos milhões de vítimas do apagão que conto aqui. Só antecipo que que o texto no estilo crítico de Saramago confirmo o significado dominador ditatorial da figura divina nas religiões monoteísta. Tenho assuntado isso talvez para o próximo sábado em dicas de leitura. Cheguei a Vitória, às 16h30min, contemplando um pouco as maravilhas insulares que descrevo acima. Ra aguardado pelo Prof. Dr. Valdemar Lacerda Junior, que no trecho ao Hotel ofereceu-me informações da geografia da cidade. Cheguei ao hotel às 17h e uma hora depois saia para a inauguração do II Encontro Capixaba de Química. Para os menos informados um detalhe: capixaba é o gentílico que corresponde a espírito-santense, cuja origem parece ser do nome indígena de uma planta. A cerimônia de abertura foi marcada pela presença de autoridades da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES- ex CEFET-ES) que realizam o evento em parceria. Depois de linda apresentação do coral camerata da UFES houve a palestra de abertura “Um panorama da Química brasileira: passado e futuro” pelo Prof. Dr. Ângelo da Cunha Pinto da UFRJ. Foi muito agradável conhecer 200 anos de Química no Brasil que se iniciam com a chegada da Familia Real ao Brasil em 1808 até a situação atual com a consolidação da pós-graduação. À palestras seguiu-se um coquetel de confraternização onde por um tempo pude conversar mais como Ângelo. Durante o coquetel fomos surpreendidos pela sinalização da notícia que depois se confirmaria em maior extensão: Vitória e o Espírito Santo estiveram imersas no apagão que afetou cidades em 15 Estados do país. A pane foi gerada por uma pane no sistema elétrico interligado brasileiro. Por efeito dominó, inclusive o sistema paraguaio teve o fornecimento de energia interrompido. A hipótese mais provável é que tenha havido algum acidente que afetou um ou mais pontos do sistema de transmissão, inclusive o de Furnas, responsável por levar a energia de Itaipu para o Sul e Sudeste, acidente este que provocou outros, fenômeno que se costuma chamar de efeito dominó. Ao lado dos problemas macro que isso gerou, há situações micro como a que vivi até a madrugada, como estar em um apartamento escuro (sem uma vela) do qual não sabes nem direito onde é o banheiro, acrescido de não teres internet e ar condicionado em uma noite muito quente. Mas na madrugada a energia elétrica voltou. Usso também nos permite ser empáticos à situação de países como o Equador e a Venezuela que vivem racionamentos diários. Esta manhã tenho a primeira das três sessões do mini-curso “História e Filosofia da Ciência catalisando propostas in-disciplinares”. As duas outras serão nas manhãs de amanhã e sexta-feira. À tarde tenho uma palestra plenária: “ A Ciência como instrumento de leitura para explicar a natureza”. Desejo a cada uma e cada um a melhor quarta-feira. Que o convencimento de nossa dependência à energia elétrica nos permita entender as sinalizações que o Planeta dá quanto a sua (também) debilidade.
Escrito por Chassot às 06h49
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Lévi-Strauss: também um precursor do ambientalismo
10NOVEMBRO2009 TERÇA-FEIRA | Faltam 26 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague | Porto Alegre Ano 4 # 1195 |
Cheguei a não muito de minha hora de Academia. Houve hoje grande sedução para ‘enforcar’ os exercícios. Uma madrugada chuvosa ~~ 11 ml/m2 aqui na Morada dos Afagos ~~ aliado a um sobrecansaço de uma noite onde ontem, após as aulas para a turma da Filosofia falei ‘Algo mais sobre a vida e obra de Charles Darwin’ na Semana Acadêmica do Curso de Biologia do Centro Universitário Metodista - IPA. Era 23h e ainda não havia conseguido condução para retornar. A manhã aqui será curta. Às 11h já vou ao aeroporto. Inicio a terceira das oito viagens pós-Colômbia neste 2009. Viajo, entorno do meio-dia à Vitória, no Espírito Santo. Há dois detalhes significativos neste destino. O primeiro: das 27 unidades federativas do Brasil, não estive (para palestra, cursos ou assemelhados) em cinco: Acre, Amapá, Roraima, Tocantins e.....Espírito Santo. Se considerarmos que destas cinco apenas o Espírito Santo não é dos ‘novos’ Estados, passa a ser muito bom cumprir a reabilitação de uma histórica a minha postergação de conhecer uma das mais importantes unidades da Federação. Outra, não fosse a Gripe A H1N1, que determinou cancelamentos em agendas, ainda na primeira semana de dezembro estaria uma vez mais em Vitória. Assim estou muito contente por de amanhã até sexta-feira participar do II Encontro Capixaba de Química e pela primeira vez estar no Espírito Santo. Na quarta feira que passou comecei homenageando aqui o etnólogo e antropólogo estruturalista Claude Lévi-Strauss que morrera aos 100 anos na noite de sábado para domingo. Desde então lemos nos jornais muitos textos acerca do emérito morto. Alguns indigestos, pois há intelectuais que ao se fazerem difíceis pensam em consagrar-se. Outros primorosos. Um destes é o aquele Manuela Carneiro da Cunha antropóloga, professora aposentada da Universidade de Chicago (EUA) publicou no Caderno Mais da Folha de S. Paulo deste dia 08 de novembro. Admitindo que nem todos meus leitores tenham acesso a esse texto, ele se faz a blogada de hoje, pois vale ser saboreado, inclusive pelas dimensões inéditas para mim de um Lévis-Strauss precursor do ambientalismo e da defesa dos animais. Há pelo menos 20 anos me pedem para deixar escrito e preparado um obituário de Claude Lévi-Strauss e há 20 anos tenho recusado. Hoje [quarta-feira, 4/11] li o obituário dele publicado no "New York Times" e fiquei indignada com sua lista de inanidades: quase todas as leituras equivocadas de sua obra estão lá, quase todas as distorções do seu pensamento e do seu estilo também, quase todos os preconceitos de quem não se deu ao prazer de o ler. Achei que pelo menos no Brasil, se não nos EUA, tínhamos o dever de assinalar a grandeza desse homem. Lévi-Strauss não foi só um antropólogo -o maior dos antropólogos, como bem disse Steve Hugh Jones, professor na Universidade de Cambridge, no ano passado-, ele foi um pensador originalíssimo e um escritor admirável. Um homem sintonizado com a ciência e a arte, cujos interesses iam da matemática à cosmologia, às ciências da vida, à filosofia, à música. Descrito como cerebral por quem não vê mais longe do que o próprio nariz, ao contrário Lévi-Strauss tinha uma sensibilidade rara para o mundo material. As descrições que faz em "Tristes Trópicos" [Cia. das Letras], a minúcia com que conhece bichos, plantas e constelações e os faz figurar nas suas análises de mitologia, sua recuperação da lógica do sensível no livro "O Pensamento Selvagem" [Papirus], tudo isso atesta, para quem o sabe ler, a convergência rara da inteligência e da sensibilidade. Lévi-Strauss, contrariamente ao que estupidamente se publicou no "New York Times", era tudo menos pedante. Tinha um pensamento límpido, sintético, e plena consciência das implicações do que estava afirmando. Tinha também o dom extraordinário de falar exatamente como escrevia. Era como se sua prosa elegante fosse o fruto espontâneo de seu pensamento. Impunha um respeito imediato. Por mais que ele sempre tivesse sido amigável comigo, por mais que me tivesse apoiado, escrito e encorajado, nunca deixei de ficar intimidada na sua presença. Ainda no "New York Times", se faz referência à famosa frase que abre "Tristes Trópicos" -"Odeio viagens e exploradores"- para apoiar as críticas absurdas de que Lévi-Strauss não tinha apreço pela etnografia e pelo trabalho de campo. Difícil ter maior apreço do que ele, que, contrariamente a Edmund Leach, que o difundiu na Inglaterra (sem jamais o ter bem compreendido), nunca autorizou a análise de mitos sem o conhecimento profundo da etnografia e do ambiente. Era, sem dúvida, e confessadamente, um cientista que gostava de seu gabinete -gabinete [em Paris] que aliás conservou e frequentou quase até o fim e que, após a mudança de endereço do Laboratório de Antropologia Social para a antiga Escola Politécnica, tinha-se tornado um ninho de águia dominando o Laboratório. Mas as viagens que fez no Brasil dos anos 1930 foram excepcionais não somente pela sua dificuldade e extensão mas também pelas análises que geraram. Recolocando a frase de "Tristes Trópicos" em seu contexto, e vendo o uso que ele faz dos cronistas do Brasil do século 16, entende-se do que ele está falando. Basta ler. A voga do estruturalismo nos anos 1960 foi um desserviço para Lévi-Strauss. Se por um lado o tornou mundialmente famoso, também o assimilou de modo espúrio a outros autores como Althusser e Lacan- com quem não tinha, na realidade, afinidade intelectual. De Lacan, seu amigo pessoal, ele dizia que nunca o tinha entendido. E não há nada mais diferente de Lévi-Strauss do que Althusser. E, sobretudo, exatamente porque foi moda, foi substituída por outras modas que lhe sucederam. Talvez por isso, Lévi-Strauss dizia que tinha vivido demais, que tinha presenciado seu próprio esquecimento. Mas viveu afinal o bastante para perceber que seu pensamento estava sendo redescoberto, dessa vez por filósofos ainda mais do que por antropólogos. Reparem que escrever, no auge de sua glória, os quatro volumes das (grandes) "Mitológicas" [Cosac Naify] foi uma empresa espantosa. Ele já tinha dado o programa e os alicerces da obra em artigos e um livro. Mas resolveu empreender sozinho e com meios artesanais a análise detalhada de centenas de mitos das Américas, reconstituir -usando a própria prodigiosa intuição- as lógicas que presidem esse conjunto e usar declaradamente seu próprio pensamento como revelador do pensamento ameríndio e do pensamento mítico em geral. Um grande homem. Um homem também à frente de seu tempo, precursor do ambientalismo e da defesa dos direitos dos animais. Lévi-Strauss não proclamou só a unidade dos mecanismos do pensamento na espécie humana, ele também denunciou a crueldade absurda de um mundo ordenado para servir a humanidade e destruído a seu bel-prazer. Dito claramente: Lévi-Strauss foi um grande homem e um grande pensador, e as futuras gerações terão ainda o prazer de o descobrir. Com a expectativa de lermos amanhã, meus votos de uma muito boa terça-feira. Então, até Vitória.
Escrito por Chassot às 08h32
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Há 20 anos, também, o socialismo real se esboroava
09NOVEMBRO2009 SEGUNDA-FEIRA | Faltam 27 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague | Porto Alegre Ano 4 # 1194 |
Prometi me policiar na edição da blogada de hoje. Já fartei meus leitores, desde sexta-feira, falando de meu aniversário. Estou um pouco criança deslumbrada. Posso até me absolver dizendo que fazer 70 anos merece certa badalação. Mas há limites. Assim antecipadamente prometo que ficarei em um resumido relato de ontem acerca do encerramento das comemorações jubilares e para depois trazer outro assunto. Como contei na edição de sábado e domingo, resolvemos comemorar o meu passar ao rol dos 70tinhas em um hotel no Vale dos Vinhedos. Éramos 18 pessoas: Filhos, filhas, noras, genros e cinco netos, a Liba, a Gelsa e eu. Sobre o sábado já contei aqui ontem. Na manhã de ontem retomamos o festejo com um ‘desayuno’ em conjunto. Nunca havíamos nos reunidos para um café da manhã com esta configuração. Nesse encontro, entre muitas fotos recuperei aquela que faltara na edição de ontem uma com o trio Ana Lúcia, Eduardo e Guilherme, que ocorrera sem a presença do neto que o segundo na sequência dos cinco, pois este dormia ao jantar: . Certamente nas nossas evocações essas quase duas horas juntos em torno de uma mesa poderá ser inesquecível. Seguiu-se programação livre para nos reencontramos no hotel às 13 horas. Fomos então a um restaurante para um almoço que já tinha sabor de despedida. Eu tive mais uma vez parabéns com direito a apagar velinhas. Eram apenas sete, pois para 70 talvez não houvesse fôlego. Emocionei-me uma vez. Às 16 horas cada um dos seis caros começou, por caminhos diferentes, a se dispersar. Foram 27 horas maravilhosas. A sensação que eu tive ao retornar foi de que estivera pelo menos uma semana ausente de casa, pois descera a serra inundado de acarinhamentos. Virando o disco. Como se dizia na era do LP que se extinguiu com o advento do Cd, na segunda metade da década de 1980. Isso é: mudando de assunto, ou numa expressão mais vulgar, mudando de saco para mala. Os jornais têm feito assunto, nos últimos dias, os 20 anos da queda de muro de Berlin, que é especialmente recordada nesta segunda-feira. Sem ter a pretensão de fazer análises sociológicas, muito menos interpretações históricas, pois para isso não sou competente, quero trazer um pequeno comentário pessoal. Em julho de 1989 fui pela primeira vez a Europa. Era na verdade a minha primeira viagem internacional, se não contabilizasse incursões fronteiriças à Argentina (Paso de Libres), ao Uruguai (Rivera) ao Paraguai (Puerto Stroessner) e à Bolívia (Guayaramirin). Presenteava-me, em companhia da Gelsa, no segundo ano de nossa história, com uma primeira viagem pela celebração de meus 50 anos. Fazia em julho e agosto uma antecipação de novembro. Preciso dizer que tomei tanto gosto por viajar ao exterior, que hoje já amealho cerca de duas dezenas de viagens internacionais para Europa, Ásia, África e Américas. Mesmo que aquela primeira viagem fosse do tipo 12 países em seis semanas, hoje, na evocação do Muro, ela ainda aflora prenhe de recordações e nesses últimos dias se faz muito presente e por isso assuntada aqui. O Muro de Berlim foi uma barreira física, construída pela República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) durante a Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental, separando-a da Alemanha Oriental, incluindo Berlim Oriental. Este muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos ou partes: República Federal da Alemanha (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos; e República Democrática Alemã (RDA). Construído na madrugada de 13 de agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda.
Consulto um volumoso registro que fiz daquela memorável viagem de 1989, que se iniciara em Paris, quando das comemorações do bicentenanário da Revolução Francesa. O tempo amareleceu mais de uma centena de folhas, prenhes de recortes e fotografias, muitas das quais se transformaram de coloridas em monocolor. Vou ao dia 10 de julho. Às 07h02min estamos deixando de trem Amsterdam rumo a Hannover então na RFA. Nessa cidade, trocamos de trem e às 13h partimos a Berlin, sendo que às 14h20min chegávamos a Marieborn, a primeira estação da RDA, onde um rígido ritual de controle de passaporte marcou nosso ingresso ‘no outro lado da cortina de ferro.’ Chegamos a Berlin, às 17h15min. Estávamos na Berlin Ocidental vitrine do capitalismo, nas bordas de Berlin Ocidental, separados pelo Muro. No mesmo dia da * chegada estamos juntos ao divisor quase intransponível, que separava uma cidade e um país em duas partes* . Realmente há diferença entre o turista encantado de então e o 70tinha que ontem ainda soprou velinhas. Por várias vezes estivemos em pontos ‘onde se podia ver o outro lado’ onde ouvíamos pais, seduzidos pelo capitalismo, mostrar aos filhos quanto do lado de lá tudo era triste e as construções eram feias e descoloridas. No dia 13 fizemos nossa sonhada travessia. Encantamos-nos com os museus e com os parques em nossas fugazes 4 horas no ‘temível mundo comunista’. Ainda nessa viagem, em 22 de julho, atravessamos mais uma vez a ‘cortina de ferro’ quando fomos à Praga que ficava então no Tchecoslováquia. Recordo o quanto uma vez mais fomos submetidos a rigorosas inspeções. Afortunadamente essas são histórias que pertence ao passado. Os muros estão hoje em outros locais como na fronteira dos Estados Unidos com o México ou separando a África da Europa ou até em nossas grandes cidades separando a zona controlada pela droga. Há 20 anos o muro se esboroava. Terminava simbolicamente o socialismo real. As utopias de um mundo mais igual não terminaram. Não é sem razão que para o britânico Eric Hobsbawm, talvez o maior historiador vivo,, o principal efeito da queda do Muro de Berlim, em 1989, foi a desestabilização da geopolítica mundial em prol da única superpotência remanescente: os EUA. Para ele, como consequência, o mundo se tornou mais perigoso. Em "A Era dos Extremos", ele já defendera os desdobramentos da queda do muro como cruciais para o século 20. Ele diz que o que ‘nosso século’ terminou em 9 de novembro de 1989. Daí o termo que cunhou: "breve século 20". Eu estive em Berlin, dez anos depois da queda do Muro. Claro que encontrei outra cidade. Tenho um pedaço do Muro como um souvenir que me interroga: Como será o Planeta com este capitalismo vitorioso, mas fracassado e belicoso? Procurando uma resposta, meus votos de uma segunda-feira e uma excelente semana a cada uma e cada um. Amanhã, se tu correr como o planejado, nos leremos, também, aqui. Até então.
Escrito por Chassot às 09h07
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Relato de uma celebração familiar de um fazer-se 70tinha
08NOVEMBRO2009 DOMINGO | Faltam 28 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague | Porto Alegre Ano 4 # 1193 |
Esta edição dominical do blogue é postada uma vez mais do Vale dos Vinhedos. Esta é uma região que ocupa uma área de 82 quilômetros quadrados na região serrana, a 130 quilômetros de Porto Alegre. O Vale dos Vinhedos compreende parte dos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, sendo sua maior parte formada pelo distrito de mesmo nome, no município de Bento Gonçalves. Os vinhos do Vale são os únicos do país a apresentar o Selo de Indicação de Procedência, sendo garantida pela APROVALE a origem dos vinhos finos ali produzidos. A área, de suaves colinas cobertas por parreirais, plátanos e araucárias, atualmente é conhecida como região que produz os melhores vinhos brasileiros. O Vale dos Vinhedos representa o legado cultural e histórico deixado pelos imigrantes italianos, chegados ao Brasil em 1875 em Bento Gonçalves. A construção de capelas e capitéis, a devoção aos santos, o dialeto vêneto e, principalmente, o cultivo da videira e a produção do vinho são marcas da imigração italiana.O Vale dos Vinhedos é hoje visitado por quem aprecia o enoturismo. São pequenas propriedades rurais dividindo espaço com vinícolas renomadas, que ao longo dos últimos anos conquistaram destaque nacional e internacional pela qualidade e personalidade dos seus vinhos. Lamentavelmente, é preciso registrar que na região, também devido a desigualdades sociais, a violência está presente. Ainda nessa quinta-feira, o Rio Grande do Sul assistiu conturbado a notícia de que duas semanas depois de ser sede de uma reunião para debater a segurança e o policiamento comunitário na localidade de São Valentim, distrito de Tuiuty, interior de Bento Gonçalves, o mercado Maito foi alvo de uma assalto que resultou na morte da sócia-proprietária do estabelecimento. Dois homens atacaram o mercado e balearam Patrícia Anderle Maito. Atingida com um tiro no peito, ela morreu 40 minutos depois, no hospital. Ela era casada havia oito anos com Adilso Maito. A comerciante deixa os filhos Lorenzo, cinco anos, e os gêmeos Vicenzo e Fabrizio, um ano. O casal e as crianças moravam na parte superior do estabelecimento. Patrícia completaria 33 anos no dia 14 de dezembro. Sei que esse registro não se faz palatável num domingo em que essa blogada era para registrar apenas alegrias de uma festa familiar em uma das mais prósperas regiões do estado. Quero desfrutar agora a oportunidade de fazer um pequeno relato das fortes emoções que vivo nas horas desta minha estada, mais uma vez, no Vale dos Vinhedos. A Gelsa e eu deixáramos Porto Alegre pelas 9h com a Liba e o Antônio. Depois de por um tempo estar em Carlos Barbosa, como combináramos, por volta do meio-dia começamos a receber nossos filhos, filhas, genros, noras, netos, netas no Sbornea's, restaurante, previamente combinado. Iniciava-se então a comemoração do meu fazer-me 70tinha, já badalado aqui ontem e na sexta-feira. Fizemos então um almoço muito gostoso e depois nos instalamos no Villa Michellon, um muito um lindo hotel, em sete apartamentos. Em cinco deles estão hospedados os meus cinco queridos trios: 1) Bernardo, Carla e Maria Antônia; 2) André, Tatiana e Pedro; 3) Laura, Gabriel e Antônio; 4) Ana Lúcia, Eduardo e Guilherme; 5) Clarissa, Carlos e Maria Clara. Em um sexto a Liba e no sétimo: a Gelsa e eu. A continuada chuva fez que confraternização entre os meus convidados fosse na parte interna do hotel, onde a piscina foi atração de adultos e crianças. Vi emocionado alguns dos meus em momentos juntos muito inéditos. Houve momentos em que fui presenteado com lindos mimos por meus filhos e netos, a foto com a Maria Antônia e o Bernardo é um exemplo. E também pelos amigos João e Janice Milani, da Cantina Milantino, aos quais sou ligado há muitos anos por uma relação de amizade. A Janice já referi em textos acerca de suas explicações sobre videiras e João, é filho do Sr. Olívio Milani, falecido recentemente, de quem conto no ‘Sete Escrito sobre Ciências e Educação’ como os italianos na região aprenderam a técnica da poda nos parreirais. Recebi mesmo um vinho de sua produção. À noite a celebração prosseguiu com a participação em lindo jantar no hotel onde o cardápio era comida típica da colonização italiana. Do jantar trago cenas onde pousei com Bernardo, Carla e Maria Antônia, a primogênita dos netos . Com André, Tatiana e Pedro, o caçulinha dos cinco netos ; Com a Laura, Gabriel e Antônio, que desfrutava na festa o privilégio de ter sua bisavó Liba ; Com Ana Lúcia, Eduardo, quando Guilherme na aparece, pois as horas de piscina o fizeram dormir mais cedo Com a Clarissa, Carlos e Maria Clara, queridamente grudada no seu avô . Ainda apareço em foto com a Liba e a Gelsa e com o meu quarteto . A presença de um grupo coral da região animou o ‘canto do parabéns’, trazido de momentos da história da região, cantos e danças. Destas um exemplo estão em duas cenas onde a Carla e eu nos integramos ao coral para cantar ‘Como se mangia la bela polenta’; * Um dos momentos mais emocionantes da celebração foram as falas. Iniciadas pela Liba e prosseguidas pelo Bernardo, pelo André, pela Carla, pelo Gabriel e pela Gelsa e ao final por mim. Quisera poder trazer uma síntese das belezas generosas que ouvi de cada uma e cada um numa noite memorável. É impossível. Nossa celebração prossegue nesse domingo. Temos combinado fazermos jutos ‘o café da manhã’ no hotel. O almoço será mais tarde já em operação retorno. É muito bom estar podendo compartir com meus leitores esse tríduo de comemorações de meu tornar-me 70tinha com tantos acarinhamentos. Um bom domingo a cada uma e cada um e amanhã nos encontramos aqui para abrir mais uma semana que será prenhe de atividades.
Escrito por Chassot às 05h50
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