 |
|
|
Uma edição ainda com sabor de celebração
07NOVEMBRO2009 SÁBADO | Faltam 29 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague | Porto Alegre Ano 4 # 1192 |
Esta edição ainda sabe – na acepção de ter sabor – a minha data natalícia ontem aqui celebrada. Sou, desde então, um respeitável setentinha. Durante o seis de novembro recebi muitos acarinhamentos. Não vou citar nomes, pois certamente cometeria possíveis omissões. Estes festejamentos ocorreram por queridos depoimento neste blogue; estes me trouxeram surpresas, quando pessoas por quem nutro admiração, ontem, sem que eu as imaginasse leitoras aqui, se manifestaram. Houve comentários que emocionaram às lagrimas e outros que trouxeram evocações em torno de uma foto que me encantaram. Recebi ainda mensagens eletrônicas, telefonemas, torpedos e contatos pelo skipe, inclusive com miradas a pessoas queridas que estão em geografias distantes. Destaco aqui mais uma centena de manifestações no Orkut. Este há muito tem estado quase degredo para mim. Ali há homenagens que mereceriam fazer parte de minha fortuna crítica [na acepção de bom ou mau acolhimento oferecido a uma obra ou um autor]; encantou-me saber de pessoas de quem há muito não tinha notícia. Mesmo que provavelmente muitos não sejam leitores deste blogue, junto-os aqui àqueles e àquelas que se valeram das mais diferentes maneiras para me homenagear e até desejar que adite mais algumas décadas àquelas sete que já amealho. Vou destacar apenas um telefonema entre quase duas dezenas: o do José e Maria Tereza Sanseverino, que quando o Bernardo tinha uma semana de vida o acolheram em sua casa por cerca de duas semanas para inclusive amamentá-lo; eles de Torres disseram que estavam voltando de missa onde foi incluída entres as intenções o meu aniversário. Ontem almocei com meu querido trio ABC (André, Bernardo e Clarissa) que ao dar um tom festivo ao almoço, fizeram que o proprietário do Manifesto se unisse as homenagens e me oferecesse o meu almoço. Dentro de mais um pouco parto com meu clã para uma comemoração no Vale dos Vinhedos. Alugamos em um lindo hotel sete apartamentos. Em cinco deles estarão os cinco trios: 1) Bernardo, Carla e Maria Antônia; 2) André, Tatiana e Pedro; 3) Laura, Gabriel e Antônio; 4) Ana Lúcia, Eduardo e Guilherme; 5) Clarissa, Carlos e Maria Clara. Em sexto a Liba e no sétimo: a Gelsa e eu. Foi essa a maneira familiar que escolhemos para solenizar a data. Assim a blogada de amanhã trará notícias de um neo-setentinha e seu clã na serra gaucha. Mas sábado aqui é dia de falar em leituras. Ao invés de uma dica de leitura, traga mais uma pergunta da entrevista que em setembro à Prof. Dra. Russel Teresinha Dutra da Rosa, do Departamento de Ensino e Currículo da Faculdade de Educação da UFRGS, que foi publicada na revista Episteme. Ela já foi assunto aqui nos dias 29 de outubro e 01 e 03 de novembro. Russel - Sei que és um leitor voraz e um escritor muito produtivo, tens inúmeras publicações, já registraste teu hábito de produzir diários e também discutiste o papel das bibliotecas. Como foi a história da tua relação com os livros, com a leitura e a escrita? Chassot - Muito provavelmente essa é a mais instigante das perguntas. Começo com algo que vai decepcionar, pois muito me decepciona recentemente. Destruo – não sem dó – em mim o mito do leitor voraz. Essa perda: lamento muito. Leitor voraz no sentido daquele que acolhe um livro, ficção ou não ficção, e vai para uma rede – esse instrumento de repousar que lembra o útero materno – fruir a leitura. Lamentavelmente essa benesse é mal substituída por horas de teclar e ler sob a vigilância severa do ‘meu feitor’, como chamo meu computador. Considero a leitura no computador como algo sensabor. O suporte papel é algo que tem uma sensualidade incomparável. Sentir o cheiro do livro. Manuseá-lo na estante. Curtir-lhe a lombada. Avaliar sua história material. Tudo isso nos é sonegado na leitura em suporte eletrônico. Hoje gasto uma significativa parte de meu tempo na produção de um blogue diário, onde a cada dia publico um texto equivalente a cerca de duas a três páginas de um livro impresso. Publiquei recentemente “Blogues como artefatos culturais pós-modernos para fazer alfabetização científica”. [Competência: Revista da Educação Superior do Senac-RS. p. 11-28. V.2, N.2 Julho de 2009 ISSN 1984-2880]. Nesse texto conto um pouco acerca deste artefato pós-moderno de fazer alfabetização científica. Analiso o meu ser bloguista e ensaio tentativas para responder a três interrogantes: O que escrevo? Como escrevo? e Por que escrevo? Isso enseja comentar algo acerca do prazer da escrita e procuro alternativas à dificuldade de escrita de textos acadêmicos. Mas volto a tua pergunta, depois da dolorosa constatação que não sou mais um leitor voraz. Mesmo que meu pai não tivesse uma escolarização formal além das séries iniciais e que minha mãe, que enquanto solteira fora professora primária, trago o gosto da leitura do berço. Meu pai, um carpinteiro de uma rede ferroviária, era um leitor de jornais (acho que nunca o vi com um livro na mão). Não tínhamos livros em casa. Eu alfabetizei-me lendo as manchetes do ‘Correio do Povo’. Enquanto aluno eu era uma negação na área de esportes. Sempre tive um péssimo desempenho nas marchas. O que mais ouvia durante os ensaios (do desfile festivo, era deixado de lado para a escola não perder pontos) era: ’Attico! acerta o passo!... Eu sempre estava de passo errado, por mais que me esforçasse. Talvez por isso, que sempre tenha sido (ainda hoje) um péssimo parceiro para formar um par em danças de salão. Arrumava sempre pretexto para fugir das aulas de Educação Física, mas liderava as promoções culturais: jornalzinho da escola, academia literária, devoções marianas e do patrono do colégio, discurso no aniversário do diretor... Assim vai se afinando meu gosto pela leitura. As bibliotecas têm em mim uma sedução. Visito uma biblioteca com mesma emoção que visito uma catedral ou uma minúscula capela. Tenho saudades da biblioteca pública municipal de Montenegro, que tinha apenas uma sala, mas era o local da cidade que mais me encantava, em minha adolescência. Lembro que a maioria de meus colegas nunca a visitava. Estive em muito famosas: Biblioteca de Alexandria, Bibliothèque Nationale de France, Biblioteca Nacional da Espanha, British Library. Já escrevi sobre algumas: Biblioteca Alexandrina: a Fênix ressuscitada [Química Nova na Escola, p. 32-55, ano 8, n.16 nov.2002] e Bibliotecas: um mundo quase fantasmagórico [Episteme n. 17, p. 201-206, 2003]. Curto muito minha biblioteca pessoal, com cerca de 3 mil livros registrados em um banco de dados, que se espalham por dois pisos em quase todas as peças da minha Morada dos Afagos. Nela há um setor de obras raras e preciosas, onde minha maior preciosidade é um Corão escrito à mão em árabe, que se diz ser de 1680. Tenho ainda um ‘livrinho vermelho’ de Mao, adquirido na China. Há nesse setor alguns livros que são particularmente de estimação: um Dicionnnaire Larousse complete illustré, de 1895, o primeiro livro raro que adquiri por escambo em 2 de novembro de 1955, quando estava na 2ª serie ginasial; um exemplar da “Matemática do Ary Quintella, do 3º científico’ que recebi quando foi me solicitado a minha primeira aula em 13 de março de 1961. Tenho uma ‘Seleta de Prosa e verso’ que recorda meus livros escolares e os 3 volumes da 1ª edição de Winnetou de Karl May que foi o romancista que mais embalou a minha adolescência. Tenho uma especial coleção de livros religiosos católicos, islâmicos e judaicos. Quanto ao meu hábito de escrever diários, devo dizer que tenho cerca de 9,3 mil dias (mais de 25,5 anos) de diários ininterruptos sem faltar um dia, mesmo que mais de uma vez escrevesse até em UTI (Unidade de Tratamento Intensivo, em um hospital). Tenho ainda, anterior a 1984 (quando começa a série contínua de 26 volumes) alguns volumes esparsos. Já escrevi mais de um texto acerca desse meu hobby: Sobre a arte de escrever diários [Entrelinhas, ano 1, n. 1. p.11-15, março de 2001] e Escrever diários como uma forma de colecionismo [Episteme. v.10.n.20 p.55-70, 2005]. Uma vez mais aceno com a possibilidade de nos lermos amanhã do Vale dos Vinhedos. Muito certamente com uma edição fotográfica de alguns momentos da celebração natalícia que me leva com meu clã a serra gaúcha, Um bom sábado, curtido na expectativa do domingo.
Escrito por Chassot às 06h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Agora, 70tinha
06NOVEMBRO2009 SEXTA-FEIRA | 1939: o guri de Jacuí, 2009: agora setentinha. | Porto Alegre Ano 4 # 1191 |
Hoje é data especial. É para mim e para muitas pessoas que me querem bem. Este dia não é uma data qualquer. Há uma data que cada um de nós mais cita nas rotinas do cotidiano ou ao preencher documentos. A minha data é 06NOV39. Assim, hoje me faço septuagenário. Não! Palavra horrível! Ela sabe a (no sentido de ter gosto de) teia de aranha. Não, eu hoje me faço ‘setentinha’. Palavra muito mais simpática! Resolvi olhar as blogadas dos três ‘seis de novembro’ que já comemorei nesse blogue. Há uma constância: é dia de acarinhamentos. Nos últimos anos sempre foi uma data de receber muitas provas de bem querer. Em 2006, o primeiro 6 de novembro com blogue (que foi fundado em 30 de junho de 2006), falava de DNA com o significado de Data de Nascimento Avançada. Ou seja, dizer que alguém tem DNA, nessa acepção, é chamar alguém de velho ou, se quiserem, um adjetivo mais eufônico: anoso. Citava uma frase que fiz lapidar em alguns textos: “Quando morre um velho é como uma biblioteca que queima!” e trazia, não sem mágoa, a minha ‘expulsória’ da Unisinos, aos 68 anos. Em 2007, falava dos privilégios da idade: não se paga ônibus urbano, se é convidado a passar na frente nas filas, mas voltava ao assunto de ser descartado em função de DNA de algumas instituições. Então contei: “Não tenho muitas evocações de meus aniversários; quando criança, não lembro nenhuma comemoração destes. Também da adolescência e da idade adulta recordo raras celebrações especiais. Destas a mais imponente foi aquela em que me fiz sessentinha. A Gelsa presenteou-me com uma memorável festa reunindo meus irmãos, sobrinhos, primos e amigos. Foi a última vez que minha mãe saiu da clínica geriátrica naquele 06NOV99,– já em condições muito precárias, vindo a falecer em 10SET01. Foi uma festa memorável. As flores recebidas ainda não tinham murchado e eu recebi um diagnóstico de um câncer, do qual, hoje, resta apenas uma evocação histórica”. Em 2008, conto que a data começou em Santa Maria lamentando a perda de um telefone celular na véspera (em 2009, creditaria isso a inferno astral) e volto a referência a DNA dizendo, então, que isso não é muito trivial em nossa sociedade. Em outras culturas isso é uma distinção. A propósito lembrava uma historieta, que me foi contada pelo meu colega Nélio Bizzo, quando me levava para o aeroporto, após participar de uma banca de um orientado dele na USP e atribuída a uma cultura africana. Em barco que soçobra está um jovem pai, com seu filho de cinco anos e seu pai, já de idade avançada. Ele tem condição de a nado salvar apenas um: ou o filho ou o pai. Trágica opção. Imaginemos, um de nós frente essa escolha. Para aquele jovem pai não havia indecisão. Era natural para ele e para toda a comunidade que ele salvasse o seu pai, pois era ele que detinha o conhecimento que poderia ser útil à vida de todos e esse não poderia ser perdido. Essa decisão tem a ver com a frase que faço capitular do capítulo “Fazendo de saberes primevos, saberes escolares” do “Sete escritos sobre Educação e Ciências” Quando morre um velho é como uma biblioteca que queima. E, então é muito impressionante o quanto os jovens se seduzem com a sabedoria dos mais velhos. Pois chegou a hora de falar da versão 2009 de 06 de novembro. Sem querer granjear simpatias, muito menos admirações, é nesta quarta blogada de um ‘6 de novembro’ que me sinto mais entusiasmado e com garra pelas coisas que faço. Isso que a tal de pré-semana de inferno astral não me poupou nessa edição e mesmo que repita aqui algo que escrevi na terça-feira: “No lo creo em brujas! Mas..., ellas existen!” Talvez o símbolo do encerramento dessa fase pode ter sido algo que me ocorreu ontem à noite ao voltar do seminário de História e Filosofia da Ciência no Mestrado Profissional de Reabilitação e Inclusão: o texista me reconhece e devolve um chaveiro – justo aquele que o médico me dera há 10 anos quando do diagnóstico do câncer, antes referido – que perdera em seu carro há mais de dois meses. Penso que superei completamente o episódio de ter sido ‘saído’ da Unisinos. Já estou no quinto semestre no Centro Universitário Metodista - IPA, onde não poderia estar em melhor situação funcional. Não foi sem razão que na semana passada, ao ser sondado para transferir-me a outro Programa de Pós-Graduação em Educação expressei que tal não fazia sentido, por ora. Não tenho muitas fotos de minha infância para ilustrar essa edição festiva. Menino pobre, quando a fotografia era rara. Trago uma que pelos meus cálculos deveria ter menos de 3 anos. Ela foi extraída desta onde estou com meus pais e o meu irmão Sirne (*1940 +2002) que nasceu 1 ano e 18 dias depois de mim e muitas vezes passamos por gêmeos. Para fazer o contraponto com o menino de Jacuí, trago uma quando fiz no último 13 de outubro uma fala na Universidad de Los Andes, em Bogotá, tida como uma das universidades mais importante da América Latina; pois lá também falou o guri de Jacuí. Já na vigília ganhei presentes que me emocionaram. Uma primeira surpresa foi a chegada do livro “Coisas ocultas desde a fundação do mundo” de René Girard, enviado queridamente pelo Jairo, meu (ex/sempre)-orientando. Não conhecia e uma leitura de orelhas deixou-me instigado. Só a imagem da capa: ‘uma reprodução da tela de Caravággio – a quase imolação de Isaac por Abraão – faz pensar no monoteísmo autoritário. Outra surpresa: ontem à noite ao retornar do Centro Universitário Metodista - IPA a Gelsa me esperava com uma janta especial: um bolo de aipim, elegendo a minha iguaria preferida para esperar comigo a chegada desta data especial. Nessa madrugada festiva, quando posto o blogue, chega-me lindo cartão, enviado pela leitora Matilde Kalili, desde Guayaquil, que vale ser acessado em http://www.jacquielawson.com/viewcard.asp?code=1959889051458&source=jl999. Imagino que nesse fim-de-semana o mesmo encantará com sua música e seus desenhos meus netos. Logo é muito bom, nesse 6 de novembro estar aqui com cada uma e cada um meus leitores agradecendo a companhia por estarem comigo nesse ritual de passagem. Sou desde hoje um setentinha. Só por isso vale dizer obrigado.
Escrito por Chassot às 06h10
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Por que comer menos carne vermelha?
05NOVEMBRO2009 QUINTA-FEIRA | Faltam 31 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague | Porto Alegre Ano 4 # 1190 |
A madrugada, ainda com noite cerrada, anuncia um dia muito semelhante ao de ontem: nublado com trovoadas e chuvas esparsas. Dia que é propício para falar do clima no Planeta. Faltam apenas 31 dias para a Conferência de Copenhague. Talvez fosse importante recordarmos que mesmo seja um evento de governos, onde ainda há divergência entre os ministros brasileiros que irão à conferência. Nós, enquanto cidadãos, teremos voz na medida que usarmos espaços para manifestarmos. O poder do povo tem uma enorme influência sobre os governos. A história mostra que juntos podemos fazer uma revolução mundial, influenciar governos a levarem a sério as alterações climáticas e realmente lidarem com esse problema. Portanto, se até agora nos sentíamos impotente e sem voz, esta é chance de fazer a diferença.
No dia 24 de outubro, quando comentava a senha é 350, trouxe aqui uma charge acerca do aquecimento global. Ontem, a propósito do assunto trazido aqui, que recorrente hoje, Matilde Kalil desde Guayaquil, me envia uma charge colorida dentro da mesma proposta trazida antes, que brindo aos meus leitores com as duas versões. ** Em algumas de minhas palestras, especialmente aquelas em que discuto nossa missão de ‘formar jardineiros para cuidar do Planeta’ entre as alternativas que tenho trazido está a manifestação de ser radicalmente contra aos assim chamados ‘cafés coloniais’ e ‘espetos corridos’. Meu protesto a esses ‘hábitos alimentares’ que não têm marcas enraizadas em nossa cultura reside em duas dimensões. A primeira é por ser visceralmente contra aos esbanjamentos, especialmente em um país onde tantos passam fomes. Esses dois ‘cardápios’ além de esbanjar alimentos têm marcas de quase vandalismo. Quanto aos espetos corridos ao lado da neo-barbárie há a dimensão ecológica. Apóio-me em entrevista de João Meireles, publicada no IHU ON-LINE de 19 de outubro, para defender uma cada vez maior abstinência de carnes vermelhas, onde o presidente da ONG Peabiru mostra que ‘Desmatamento é consequência. Pecuária bovina é causa’. A pecuária bovina extensiva depois da Segunda Guerra Mundial passou a ocupar uma extensão territorial no planeta muito acima do que é suportável. Hoje, segundo a FAO, cerca de 40% da superfície aproveitada do planeta estaria sendo ocupada pela pecuária bovina. No caso do Brasil, a situação é muito mais grave porque dos 800 milhões de hectares do país, aproximadamente 200 milhões já são ocupados pela criação de gado. Para entendermos a dimensão disso, a agricultura não ocupa nem 80 milhões de hectares. Esse é um fato grave, porque a maior parte territorial do país é destinada para a pecuária de corte. Outro fator complicado é a mudança da pecuária para o Centro-Oeste e Amazônia. De 1970 para cá, existiam um milhão de cabeças de gado na Amazônia e hoje são 80 milhões e, se nada for feito, teremos 200 milhões de cabeças em menos de duas décadas. Essa é a grande preocupação. Houve um esvaziamento nos antigos estados tradicionais de produção de gado (Rio Grande do Sul e Santa Catarina) para a Amazônia, porque lá a lei não vale, e as questões ambientais, sociais e trabalhistas não são seguidas, o que gera um custo de produção muito menor. A pecuária é uma péssima decisão da humanidade na medida em que é a proteína mais cara de se produzir e a que ocupa mais espaço territorial. Mais da metade da população do planeta não tem acesso à carne por questões de custo, mesmo quando os custos ambientais e sociais não são consideráveis. Então, temos um problema sério no planeta Terra, e não um caso específico na Amazônia. O desmatamento é um sintoma, é como medir a febre. Então, quando o governo se manifesta sobre o índice de desmatamento, ele está dizendo que “o doente está com febre”, mas ele averigua as causas. Hoje é reconhecido por diversos documentos científicos e técnicos que a pecuária bovina extensiva na Amazônia corresponde a mais de 85% do desmatamento. A soja é insignificante, não chega a 5%, e todas as outras causas juntas não somam 10% (garimpo, abertura de estradas, uso irracional da madeira). Então, o desmatamento não é causa de nada, ele é apenas sintoma. Por isso, não faz sentido combater o desmatamento. É ridículo tratar disso. Temos que averiguar porque a pecuária bovina está seguindo para a Amazônia, por que as pessoas querem consumir mais carne. Essa é a grande questão que temos de atacar; não é um tema isolado da Amazônia, é um problema mundial. O Brasil está decidindo se será o maior exportador de carne. Essa é uma decisão de consequências enormes e não é compatível com o discurso de que precisamos conservar a Amazônia, buscar a sustentabilidade. A produção da pecuária bovina na Amazônia não chega a 100 quilos de carne ao ano por hectare. Qualquer criação de peixes chegaria a uma tonelada, tranquilamente. Isso mostra que não tem sentido ocupar 70 milhões de hectares da Amazônia para a pecuária bovina. Alguns alegam que a criação de gado corresponde apenas a 17% da floresta, mas essa área corresponde à soma dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Então, é uma área absurda em termos de país. Tudo isso para que? Para produzir carne de baixa qualidade, clandestina? Essa é a discussão que deve permear os debates no Brasil, e não discutir se o desmatamento aumentou ou diminuiu; isso é conversa de bar. Mais detalhes acerca de uma necessária diminuição do consumo de carne bovina podem ser visto em www.ihuonline.unisinos.br na Edição 311. Em todo o mundo – e particularmente nos países mais pobres e vulneráveis – o aquecimento global já ameaça prejudicar os esforços para desenvolver a saúde, a agricultura e a infra-estrutura. A migração causada pela falta de acesso à água e terras está aumentando a tensão social e minando a estabilidade política e a segurança. Assim a Conferência de Copenhagen voltará a ser assunto. Por ora a melhor quinta-feira a cada uma e cada um.
Escrito por Chassot às 05h43
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Morreu o antropólogo que descobriu o Brasil!
04NOVEMBRO2009 QUARTA-FEIRA | Faltam 32 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague | Porto Alegre Ano 4 # 1189 |
Primeiro uma homenagem: O etnólogo e antropólogo estruturalista Claude Lévi-Strauss morreu na noite de sábado para domingo (1º) aos 100 anos, de acordo com um porta-voz da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais de Paris, na França. Ainda não há informações sobre a causa da morte do antropólogo. Quantos de nós iniciamos nossos estudos de antropologia em seus textos. Tinha programado para hoje trazer algo acerca da COP-15, já que estamos a 32 dias do evento. Mas de repente, um assunto polêmico sobreveio. ‘Vida de menino opõe mãe a pai na Justiça’. Antes de trazer algo de minhas leituras de jornais, onde foi destaque a manchete: “Médicos querem desligar aparelhos que mantêm garoto de 13 meses vivo”, permito-me algo acerca da também chamada COP-09. O Google, ante minha solicitação, forneceu-me aproximadamente 28.500.000 para COP 09, em 0,37 segundos; muito poucos tinham a ver com minha busca. Para Copenhagen 2009, tive cerca de 9 milhões de informações, a começar pelo sítio oficial da United Nations Climate Change Conference in Copenhagen ~~ en.cop15.dk ~~ até propaganda de uma loja no Brasil que vende camisetas do evento. *E então fui a COP 15 e obtive 43 milhões de resultados. Desde 1995 muitas conferências sobre o aquecimento global têm acontecido - Kyoto, Bali e Poznan para citar apenas algumas – há muitas discussões e pouca ação: as alterações climáticas estão crítica, mais intensas, mais destrutivas e mais letais. Em dezembro deste ano (7-18 de Dezembro) cerca de 190 países irão se reunir na capital dinamarquesa para o “COP 15 – 2009 United Nations Climate Conference at Copenhagen”, no qual o próximo grande acordo internacional relacionado às alterações climáticas será decidido, antes do fim do atual Protocolo de Kyoto em 2012. É um momento crucial na história humana: temos o direito de manter as mudanças climáticas sobre controle. Não podemos ser forçado a aceitar as consequências catastróficas do descaso. Sabemos que não podemos simplesmente deixar os políticos decidirem. A reunião é também chamada de 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 15), em Copenhague, na Dinamarca, deve ser acordado um novo arranjo para o enfrentamento das mudanças climáticas. Faltando menos de sete meses para que um acordo final seja estabelecido, entretanto, os governos dos países desenvolvidos ainda não sinalizaram com uma proposição concreta de redução de emissões de gases de efeito estufa que venham a representar avanços significativos em relação ao Protocolo de Kyoto – que expira em 2012. Estão assim pautados alguns assuntos para as próximas edições. Volto ao assunto minhas leituras de jornais e as correlaciono com a COP 15. Quando olho minha sala, * , dou-me conta da meta que é desafio para Bill Gates. Terminar com o suporte papel para livros e jornais. Não afirmo que adiro a ideia, mas olho minha sala e concordo somos consumidores exagerados de papel. Mas eis a notícia polêmica. De um lado do tribunal, o pai. No campo adversário, a mãe. A Justiça da Grã-Bretanha começou a decidir nesta segunda-feira o destino de um bebê de aproximadamente 13 meses, nascido em 2008 com gravíssimos problemas de saúde, em um caso que comoveu o país e dividiu opiniões. O menino, chamado apenas de RB pela imprensa britânica (o processo corre em segredo de Justiça), sofre de uma rara doença, a síndrome miastênica congênita, que limita drasticamente sua capacidade de respirar e de movimentar as pernas e braços. O garoto depende de um respirador artificial para sobreviver, e três tratamentos com medicamentos diferentes não deram resultado. Agora, apoiados pela mãe (cujo nome, assim como o do pai, também não foi divulgado), os médicos querem desligar os aparelhos que o mantêm vivo. Já o pai luta contra a ideia, argumentando que o cérebro do filho funciona normalmente, o que significa que ele pode ver, ouvir, interagir e brincar. Segundo os advogados do pai, RB gosta de ouvir histórias infantis e de escutar música. O casal está divorciado, mas a separação foi amigável. Descritos por quem os conhece como “pais completamente devotados”, os dois visitaram todos os dias o filho no hospital – de onde o menino nunca saiu – desde seu nascimento. Na primeira audiência do processo, neste dia 2, o representante do National Health Service (NHS, o SUS britânico), Michael Mylonas, disse ao juiz responsável pelo caso, Andrew McFarlane, que RB terá uma vida “miserável, triste e digna de pena”. Mylonas reconheceu que, aparentemente, as funções cerebrais do menino são normais, mas alertou que, à medida que a criança for crescendo e tomar conhecimento da sua situação, considerará “insuportável” sua existência. A mãe, por sua vez, afirmou que a preocupação com o sofrimento do filho acabou pesando mais do que a tristeza por sua possível morte. Para piorar a situação do menino, ele precisa se submeter com frequência a uma drenagem para retirar líquido acumulado nos pulmões – um processo que exige o desligamento temporário do respirador artificial e lhe causa dor e estresse. Com base na opinião de outros médicos, o pai, no entanto, defende a realização de uma traqueostomia – incisão na traqueia e introdução de uma cânula, para facilitar a respiração. Para ele, isso melhoraria a qualidade de vida do filho e permitiria até que fosse tratado em casa. O NHS, porém, garante que a operação não faria uma diferença profunda para RB. A situação realmente é polêmica. Não espero de meus leitores que se manifestem opinando se estão a favor do pai ou a favor do pai, ou que se abstenham. Mas valeria uma discussão. Acredito que eu tenha argumentos para posicionar-me e acompanhar a dor da mãe pela provável morte de RB, se cessarem os recursos artificiais que conferem uma vida vegetativa ao menino. Amanhã quero trazer algo mais de posturas que podemos assumir em preparação da COP15. Até então!
Escrito por Chassot às 07h25
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Fugando de um inferno astral
03NOVEMBRO2009 TERÇA-FEIRA | No dia primeiro dia útil de novembro | Porto Alegre Ano 4 # 1188 |
Esta é a blogada inaugura o primeiro dia útil de novembro. Ela quebra um absenteísmo de quase 24 horas de computador. Isso não é trivial. Até porque a ação – como aprendi depois – junto com outras (realmente presentes), se diz possa fazer parte de um ‘inferno astral’. Este o senso comum diz soe acontecer na semana que antecede ao natalício. E mais, quando este se faz em número redondo é mais intenso. Ante a constatação, adiro aos espanhóis: “No lo creo em brujas! Mas..., ellas existen, si!” O dia de finados foi muito de ‘arrumações de ‘gavetas’. Isso enseja descobertas. Ao anoitecer, a presença no chimarrão do Bernardo, da Carla e da Maria Antônia foi para mimar a alma e o corpo. Este ganhou bolo de castanhas e sorvete de limão; algo adequado para um finados senegalesco -- ontem 35,5 graus em Porto Alegre e 38,8 em Santa Maria, mas com os usuais ventos ao entardecer. Mas depois de falar em 'inferno astral' algo de muito alto astral: um magnífico registro do André ~~meu fotógrafo preferido ~~do casamento de sábado: os noivos Kiki e Ro, deixando a igreja sob chuva de pétalas de rosa. Domingo trouxe aqui a primeira parte da pergunta Gostarias de falar sobre tuas leituras no campo das religiões? de entrevista que comentei na última quinta-feira. Ela foi concedida em setembro à Prof. Dra. Russel Teresinha Dutra da Rosa, do Departamento de Ensino e Currículo da Faculdade de Educação da UFRGS; foi publicada na revista Episteme. Devido a extensão da resposta, dividia-a em duas, hoje apresento a segunda parte da mesma. Antes de trazer o complemento à edição dominical, desejo que essa terça-feira seja de gostosa retomada dos fazeres. Aos gaúchos votos especiais que uma chuva prometida abrande o calor, que nesta madrugada já supera os 27 ºC Mais recentemente, no cenário editorial mundial surgiu um significativo número de títulos, que se transformam em sucesso de vendas e também de discussões, que poderiam receber a classificação de ateológicos, isto é que mostram possibilidades de um mundo onde se possa prescindir de Deus ou deuses e, por extensão, de religiões. Os fundamentalistas religiosos encaram o fenômeno como uma tentativa dos ateus em fazer uma queda de braço com os religiosos, procurando dar sentido a uma vida sem religião. Quando falo destes livros digo que ‘os ateus estão saindo do armário!’. Recordo que há não muito ao fazer palavras cruzadas a acepção para ‘homem mau de quatro letras’ era ‘ateu’. Quando comentei isso em novembro de 2008, em Brasília, no I Colóquio Internacional de Psicologia do Conhecimento o Prof. Arden Zylbersztajn, da UFSC, acrescentou com graças: ‘... e de cinco: judeu!’ Destes há dois que ‘fizeram a minha cabeça’ mais recentemente. São recomendados a aqueles que desejarem fazer uma leitura mais crítica do papel das religiões na história dos homens e mulheres: “Deus, um delírio” e “Tratado de Ateologia”. O primeiro Deus, um delírio [Richard Dawkins, São Paulo, Companhia das Letras, 2007] no qual o autor, um dos mais respeitados cientistas da atualidade, num texto sagaz e sarcástico, ataca impiedosamente o que considera um dos grandes equívocos da humanidade: a fé em qualquer divindade sobrenatural. Richard Dawkins (nascido em Nairobi, 26 de março de 1941) é conhecido principalmente pela sua visão evolucionista centrada no gene, exposta em seu livro ‘O Gene Egoísta’, publicado em 1976, (sobre esse livro fiz uma blogada em 25JUL2009). Desse autor tenho já em minha biblioteca, em uma interminável lista de espera para leitura, alem de O Gene Egoísta, O Relojoeiro Cego e O capelão do diabo. O outro Tratado de Ateologia [São Paulo: Martins Fontes, 2007, 240 p.] escrito pelo filósofo mais popular da França na atualidade, Michel Onfray, de 46 anos. A obra é um ataque pesado ao que o autor classifica como "os três grandes monoteísmos". Segundo Onfray, por trás do discurso pacifista e amoroso, o cristianismo, o islamismo e o judaísmo pregam na verdade a destruição de tudo o que represente liberdade e prazer: "Odeiam o corpo, os desejos, a sexualidade, as mulheres, a inteligência e todos os livros, exceto um". Essas religiões, afirma o filósofo, exaltam a submissão, a castidade, a fé cega e conformista em nome de um paraíso fictício depois da morte. De Onfray está na lista de leituras: Le souci des plaisirs, construction d’une érotique solaire (Paris: Flammarion, 2008). Mas na estante ‘religião’ há dezenas de livros que mereceriam ser comentados aqui. Quem espiar essa estante dirá que no mínimo sou eclético. Talvez haja surpresa quando digo que tenho mais de uma dezena de livros psicografados; aprecio muito especialmente aqueles de episódios históricos escritos por Francisco Candido Xavier ditados por Emanuel, como ‘Paulo e Estevão’. Possuo vários livros, há muito intocados, legados de minha militância em movimentos da Igreja católica, onde consta até o famoso ‘Catecismo holandês’ e documentos do Vaticano II; este acompanhei com raro interesse, nos anos 1960s. Possuo também mais de uma edição do “Cântico dos cânticos’, algumas bonitamente ilustradas. Tenho vários livros sobre islamismo, que para mim tem um interesse atual. Talvez valesse encerrar essa pergunta acerca de leituras falando de planos de leituras na temática: religiões. Desejaria fazer uma leitura da bíblia do Gênesis ao apocalipse. Sinto que há muito desejei fazer isso. Quero entender mais especialmente o Antigo Testamento. Depois quero fazer o mesmo com o Corão. Possuo mais de uma edição deste livro sagrado. Ultimamente tenho lido textos comparativos dos dois livros (Bíblia e Corão) que me fizeram perceber o quanto tenho muito a aprender neles. Depois disso parece que posso retomar a leitura da Divina Comédia e ir com Dante para ver qual dos planos dantescos me tocará.
Escrito por Chassot às 04h01
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Edição de Finados de 2009
02NOVEMBRO2009 FINADOS | No dia em que aqueles que já partiram se fazem mais presente | Porto Alegre Ano 4 # 1187 |
Hoje é um dia muito especial. Evocamos aqueles e aquelas que uma vez estiveram em nossas vidas, mas fisicamente já passaram. A recordação os faz presentes. Lembro de meu pai, de minha mãe e de meus dois irmãos. Evoco avós, tios, primos, padrinhos e madrinhas. Aflora a saudade de amigos, colegas e ex-alunos. Há uma tradição de neste dia de visitar cemitérios e levar flores. Nunca cultivei esse fazer. Hoje, todavia quero trazer flores para os meus queridos que me antecederam. As colhi na minha rua. Há uma excepcional florada de jacarandás em Porto Alegre. . O que contemplo de minha sacada na Morada dos Afagos é muito lindo. A Mariante está toldada de roxo; vista de cima parece um tapete quase contínuo. *** **** *** . São os ‘meus jacarandás’ que já há dias passados trouxe aqui. Hoje, essas novas fotos novembrinas se fazem oferendas para os meus queridos mortos. Esse tintar a minha contemplação de roxo ressuscita saudades em minhas emoções, nessa data muito bem posta em nosso calendário. E a abertura de novembro foi com domingo ensolarado e muito quente. Vivi muito na evocação do casamento que referi aqui sábado e domingo. Pela manhã a gelsa e eu recebemos a visita da Tile e do Otelo, minha irmã e meu cunhado. Estes, antes de voltar com seu clã (três filhos, noras e netos) à Curitiba, vieram à Morada dos Afagos para chimarrão entremeado de falar dos filhos e netos. A Bárbara e a Julia, que vivem uma em Marselha e outra em Paris, não só as mais que vivem distantes, mas por enfrentarem com garra desafios de viverem entre alienígenas, foram as mais lembradas. Havia um propósito de trazer a continuação da pergunta Gostarias de falar sobre tuas leituras no campo das religiões? de entrevista iniciada ontem. Refleti. Vi, que em memória aos meus ancestrais, especialmente na evocação de meus pais, hoje, essa trazida não cabe. Assim esse blogue e eu nos fazemos silêncio aqui e agora. Que o feriadão siga saboroso adito votos de, talvez, nos encontrarmos aqui amanhã.
Escrito por Chassot às 05h18
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Na abertura do penúltimo mês do ano
01NOVENBRO2009 DOMINGO | Inaugurando novembro | Porto Alegre Ano 4 # 1186 |
A abertura de novembro ocorreu em festa. Quando o mês iniciou confraternizávamos – na plena acepção da ação verbal – no Restaurante Panorâmico da PUC na celebração do Christian e da Rosane, que anunciei ontem aqui. Estávamos meus filhos e netos, irmãos e irmãs, cunhados e sobrinhos e sobrinhos-netos. Foram momentos muito especiais, marcados por fortes evocações de outras festas familiares, inclusive de casamento daqueles que agora estavam com os filhos. Quando o sol submergia no Guaíba iniciara a cerimônia religiosa na igreja Sagrado Coração de Jesus, na Tristeza. Nesta algo emocionante foi ver o Christian entrar no templo com minha irmã Tile, que emocionada representava a Lyzane, de quem ontem, uma vez recordamos com saudades. A igreja estava repleta de familiares e amigos torcendo pelo sucesso da vida conjugal que estava sendo abençoada. Na sequência de fotos vemos na festa os noivos o noivo a Gelsa e comigo e os noivos e eu.  Nesta inauguração de novembro, até para aderir a esta salutar instituição de estarmos em feriadão, trago mais uma pergunta da entrevista que comentei na última quinta-feira. Ela foi concedida em setembro à Prof. Dra. Russel Teresinha Dutra da Rosa, do Departamento de Ensino e Currículo da Faculdade de Educação da UFRGS, que foi publicada na revista Episteme. Devido a extensão da resposta, divido-a em duas parte, sendo que amanhã, dia de finados, apresento a segunda parte. Russel - Gostarias de falar sobre tuas leituras no campo das religiões? Chassot - Esse é outro assunto sedutor. As perguntas anteriores denotam uma leitura mais extensa em meu currículo. Conjecturei onde estava a inspiração para esta. Se minha biblioteca fosse conhecida por minha perspicaz entrevistadora diria da oportunidade da questão. Na pergunta anterior contava que tenho, entre meus livros raros mais de uma dezena de livros religiosos católicos, islâmicos e judaicos. Mas os livros classificados como ‘Religião’ são bem mais de uma centena. Sou tentado a usar uma estratégia creditada a jesuítas, em uma vez já confirmada por mim. Diz-se que os jesuítas sempre respondem a uma pergunta com outra pergunta. Uma vez perguntei: ‘Pe. Aparício (pseudônimo que apus a um jesuíta meu interlocutor), é verdade que os jesuítas sempre respondem uma pergunta com outra pergunta? Resposta: Quem te contou isso? Assim perguntaria a Russel: Como inferes que tenha leituras no campo das religiões? Na pergunta inaugural comentei da necessidade de fazermos tessituras com diferentes campos do conhecimento. Dentre o que citava ali, estava a História das Religiões; esta me parece capital para entendermos cada vez mais a História e Filosofia da Ciência. Para mim são cada vez maiores as necessidades de aprofundar estudos acerca da historia das religiões. Talvez seja o assunto que mais me seduz hoje. Em Sete escritos sobre Educação e Ciências, no capítulo 4: A História da Ciência. catalisando propostas transdisciplinares discuto mais extensamente a importância de conhecermos a História das religiões. Se tivesse que citar para tal apenas um livro escolheria Historia natural da religião é da autoria do filósofo e iluminista escocês David Hume (1711-1776). Ele é autor de várias obras filosóficas e entre essas há destaques àquelas sobre religião, nas quais se opõe, usualmente à ideologia dominante em seu tempo. O mais penetrante, filosófico e substancial de seus trabalhos sobre o tema são Diálogos sobre a religião natural, que mesmo tendo sido escrito durante quatro anos, só foi publicado 21 anos depois de sua morte. Amigos que leram os manuscritos o aconselharam a esperar que serenassem os ânimos mais exaltados contra outras de suas publicações (“Dos Milagres” e “De uma providência particular e de um estado futuro”) que haviam provocado a ira de religiosos ao solapar a crença nos milagres e numa providência divina. Em História natural da religião Hume aborda as origens e as causas que produzem os fenômenos religiosos, dos efeitos sobre a vida e a conduta humana. Mostra o politeísmo como a primeira religião e suas alternâncias com o monoteísmo. O autor desenvolve uma investigação sobre os princípios ‘naturais’ que originam a crença religiosa. Hume é tido como dos primeiros autores a examinar a crença religiosa como uma manifestação da natureza humana, sem pressupor da revelação de um Deus ou de Deuses, sendo que aqui a história natural é oposição a uma história doada por divindade(s). Hume inicia Historia natural da religião mencionando duas explicações distintas sobre a origem das religiões. Na primeira, traz a tese de que as pessoas são levadas à crença religiosa pela contemplação racional do universo. Na outra tese mostra que a religião tem por base fatores psicológicos independentes de um fundamento racional. Hume esposa, com a argumentação nas religiões populares, a segunda. Assim mostra o quanto a experiência religiosa é governada pelas paixões. A religião se origina do medo de influências desconhecidas sobre a sociedade humana e prospera em situações terríveis de medo e ignorância do futuro. Está certo o saber popular quando diz: “Só se lembra de Santa Bárbara quando troveja!” O livro, na sua muito bem cuidada edição da Editora UNESP, apresenta ao final instigantes notas de Jaimir Conte (que refiro mais extensamente em Sete escritos sobre Educação e Ciências), notas biográficas da edição original, um índice onomástico e uma seleção bibliográfica com destaque às obras de e sobre Hume em língua portuguesa. Parece indiscutível que Historia natural da religião seja um excelente ponto de partida para quem desejasse conhecer mais acerca da historia das religiões. Na edição de amanhã convido meus leitores a inteirar-se da continuação de minha resposta. Que esse novembro seja um excelente mês a todos e que esse domingo, ainda madrugada cerrada, mas já com temperatura de mais de 20 ºC, seja de muita alegria em meio ao feriadão.
Escrito por Chassot às 05h53
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
 |
| [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |


|
 |