Blog de Attico Chassot


Dia da Reforma Protestante

      310UTUBRO2009

SÁBADO

Em uma confraternização familiar: casamento do Christian e Rosana

Porto Alegre

Ano 4 # 1185

Uma blogada sabatina, ocorre dentro do feriadão que ganhamos pela adição do dia de Finados ao fim de semana. Quase noite já temos temperatura de 25 C. Deve repetir o calor de ontem, quando no RS houve temperaturas de 38 ºC.

Hoje é uma data muito significativa para aqueles de fé luterana, pois foi em 31 de outubro de 1517 que Marthin Luther, ou Martinho Lutero (1483-1546) afixou, à porta do castelo em Wittenberg, na Saxônia, as suas 95 teses. Em menos de 1 mês elas foram traduzidas do latim para o alemão, o holandês e o espanhol, e já assustavam a igreja em Roma. Ele não intencionava atacar a igreja e só ia contra as indulgências. Em muitos municípios do sul do Brasil a data é considerada dia feriado. 

Para meu clã esse é um sábado muito especial. Hoje ao entardecer é a celebração do casamento de Christian Coutinho Chassot e Rosana Boccudo, uma entusiasmada professora de Educação Infantil, envolvida com a sua Escolinha. O Christian – ou o Kiki – é filho de meu irmão Pedro Paulo e da saudosa Lyzane, que nesses dias potencializa lembranças da mulher agregadora que foi e prematuramente perdemos. Será o dia de rever meus irmãos e irmãs, cunhados e sobrinhos. Desde a festa do centenário de minha mãe que não nos vemos. Depois da cerimônia religiosa na igreja Sagrado Coração de Jesus, na Tristeza, haverá uma recepção no restaurante panorâmico da PUC. A eleição do local se deve também ao fato de o Kiki ser um dos competentes técnicos do Museu de Ciências da PUC.

Meu ontem ainda esteve muito prenhe do seminário de História e Filosofia da Ciência na UNISC. Não recordo de uma manhã de aulas que tenha passado tão rapidamente, Foi muito bom encerrar com forte desejo de ‘quero mais’. O grupo foi muito parceiro. Claro que tive surpresas quando no intervalo um médico disse que precisava pedir-me algo. Ante meu assentimento disse: “Queria encomendar-lhe um livro acerca da hegemonia da medicina anglo-saxão em detrimento da medicina latino-amaricana ou oriental ou islâmica.” Concordando com a tese, disse que não tinha estofo para tal.

O único difícil foi a viagem de volta. Sou acostumado, como muitos de meus leitores têm acompanhado a viagens longas de 4, 6 ou até 8 horas em ônibus. Mas esta de um pouco mais de duas horas, numa tarde tórrida pareceu não mais acabar. Afortunadamente foram companhia mais alguns contos do livro que comento a seguir.

Honro a tradição das blogadas de sábado e faço desta edição uma dica de leitura. Já tinha prometido para sábado trazer algo do livro ‘La muerte y otras sorpresas” de Mario Benedetti que comprei já há duas semana em Bogotá. E aqui uma nota lateral. Parece que a Colômbia já está tão distante, tal o envolvimento por aqui nesses últimos 12 dias.

Sobre o autor, vou ao meu blogue do dia 19 de maio e transcrevo o que escrevi então: “Ontem os jornais trouxeram uma notícia que merece um comentário aqui: A literatura perde Benedetti. Essa manchete parece marcada por contradição. Poderíamos até dizer que essa perda se faz paradoxo. A perda aviva lembranças e evocamos aquilo que lêramos do poeta. Assim em alguns a morte se faz ressurreição. Talvez essa possa ser a poesia que encontramos na morte de um poeta. Que bom se nossas mortes também, um dia se façam ressurreições!

As esperanças de que Benedetti melhorasse silenciaram neste domingo dia 17 de maio, quando o autor uruguaio morreu, aos 88 anos. Escritor desde 1949, Benedetti escreveu mais de 80 romances, livros, contos e poemas.

Além de marcadas pelo compromisso social, suas obras são também o reflexo de sua influência em certo existencialismo latino-americano. Ficou famoso em 1956, com a publicação de Poemas de Oficina. Além da edição de Primavera num Espelho Partido, da editora Alfaguara, foi também lançada recentemente no Brasil a coletânea de contos breves e delicados Correio do Tempo, pela mesma editora. Já o livro A Trégua ganhou uma versão de bolso, da L&PM, pouco depois de ser lançado em versão maior, também pela Alfaguara, em 2007.

Prosa e poesia do autor foram reconhecidas amplamente, como nos prêmios Reina Sofia de Poesia em 1999, o Ibero-americano José Martí (2001) e Internacional Menéndez Pelayo (2005). Sua última aparição em público foi em dezembro de 2007, momento em que recebeu do presidente venezuelano, Hugo Chávez, a Ordem Francisco Miranda.

A poesia, relata a biógrafa de Benedetti, Hortensia Campanella, foi o pilar em que o autor se sustentou desde a morte de sua amada, Luz López, em 2006. Os dois estiveram juntos por mais de seis décadas.

O autor uruguaio esteve hospitalizado por 12 dias, entre fim de abril e início de maio, devido a uma doença intestinal crônica, mas, após receber alta no dia 6, Benedetti morreu em sua casa, em Montevidéu.

Talvez a melhor maneira de dizer algo mais significativo é relermos juntos alguma de suas poesias. Ao fruirmos a escolhida – e há muitas outras disponíveis, vamos, muito provavelmente nos dar contas que a morte de Mario Benedetti se faz ressurreição. 

Trouxe algo do autor. Sobre o livro devo dizer que encontrei mais de meia dúzia de edições em diferentes países hispano-hablantes, mas não encontre nenhuma edição em língua portuguesa. A edição que tenho é da Editoria Planeta Colombiana, Seix Barral Biblioteca Breve, numa edição exclusiva para a Colômbia, Venezuela e Equador, de 2001, com 171 p, ISBN 958-42-0183-2.

 O livro é formado por 19 contos, alguns de duas páginas outros maiores que dez páginas, publicados pela primeira vez em Montevidéu, em 1965, onde Benedetti descreve mundo duro, onde a morte e o tempo tomam uma dimensão especial, ditadas concretamente pelo país que emergia de uma ditadura e de uma guerrilha urbana, pela cidade e pelo grupo social onde se imbricam a burguesia e as misérias de Montevidéu. .As histórias são transpassadas de política, amor, estética, medo, espionagem, tortura, viuvez, amnésia, asma e morte, mas são, sobretudo, marcadamente humanas.

Se tivesse que selecionar desta coletânea três contos meu voto iria para ‘La noche de los feos’, este conta a história de um homem e uma mulher, muito feios, que para não ver suas feiúras resolvem passar sua primeira noite na maior escuridão, mas depois de um tempo uma e outro estão acarinhando as marcas de feiúra do outro. “Datos para el viudo” onde se narra a história de como outros vêm ajudar consolar um recém viúvo. E como terceiro que escolheria é “El fin de la disnea’ que narra como Montevidéu perde o título de cidade sul-americana com o maior número de asmático e como os ex-asmáticos se vivem por essa situação.

Teria ainda um comentário acerca do idioma. Usualmente não tenho dificuldades para leituras em espanhol. Todavia, no caso presente, talvez por ser marcado por um excessivo regionalismo uruguaio, tive dificuldades fora do usual na leitura com este livro, o que não significa não o recomende. É uma boa pedida até para avaliar aos desafios recém mencionados.

Com votos que o prosseguimento do feriadão seja melhor para cada uma e cada um, adito o convite para nos encontrarmos no domingo, quando já será novembro.




Escrito por Chassot às 06h41
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Às vésperas de um feriadão desde Santa Cruz do Sul

      300UTUBRO2009

SEXTA-FEIRA

Desde Santa Cruz do Sul

Porto Alegre

Ano 4 # 1184

Estou desde a tarde de ontem em Santa Cruz do Sul. Mais precisamente na UNISC, pois, o ônibus tem um ponto de parada dentro da Universidade, antes de chegar a rodoviária no centro da cidade.
Santa Cruz do Sul é um dos principais núcleos da colonização alemã do Rio Grande do Sul. Emancipou-se da cidade de Rio Pardo em 1877, e localiza-se na mesorregião do Centro Oriental Rio-Grandense e é o pólo de uma área denominada Vale do Rio Pardo.
 O município tem cerca de 120 mil habitantes. Os primeiros habitantes da cidade vieram dos distantes lugares nas regiões do Reno e da Silésia, em 1849. Eles se estabeleceram na Colônia Picada Velha, hoje conhecida como Linha Santa Cruz. Isso confere a cidade características próprias da colonização alemã, sendo conhecida por ser a sede da maior Oktoberfest do Rio Grande do Sul. A cidade é a sede importante festival de arte amadora, segundo a UNESCO, o Encontro de Arte e Tradição. É conhecida pela cultura e indústria do fumo, trazendo empreendedores dessa área de vários países, principalmente dos Estados Unidos.
Desde minha infância, Santa Cruz do Sul era evocada por sua imponente catedral gótica. Recordo que por muito tempo a conhecia só por fotografia. Cada vez que vou à cidade me encanta ver o templo. Ontem, ao chegar, fi-lo mais uma vez. Nele já foi vigário geral, o hoje bispo de Montenegro, dom Paulo de Conto, de quem fui padrinho de ordenação.
A Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) é uma das importantes universidades particulares do Rio Grande do Sul. Possui outros três campi: nas cidades de Capão da Canoa, Sobradinho e Venâncio Aires. Atualmente conta com 46 cursos de graduação, 26 cursos de especialização, 5 cursos de mestrado e 2 cursos de doutorado.
Tenho uma ligação com a UNISC de há um tempo. Primeiro através de meus colegas, alguns dos quais meus ex-alunos, do Departamento de Química. Com eles organizamos dois EDEQs: 16º (1996) e 26º (2006). Um e outro têm histórias singulares. O 16º, como já contei aqui ainda na sexta-feira, que mesmo tendo me envolvido intensamente em sua organização, foi o único que não estive presente quando da realização, pois recém operara a tíbia e o perônio. O 26º, por muito pouco não aconteceu no ano previsto. Isso não ocorreu, pois os colegas da UNISC foram solidários aos meus rogos, e assumiram já no limite do tempo para desencadeara o processo.
Mais recentemente foi a Editora da UNISC que acolheu editar o Educação conSciência que escrevera me 2002, em Madrid, durante o pós-doutoramento. Há dois anos, foi feita uma segunda edição. A Gelsa também dois de seus livros editados por esta editora, Foi muito bom na tarde de ontem visitar a editora. Vi, então que tanto um dos livros da Gelsa como o meu vão necessitar muito breve novas edições. Isso para os autores é sempre muito auspicioso.
Há outro vínculo muito querido com próspera universidade: minha filha Ana Lucia, cirurgiã dentista e mestre em dentística, é professora concursada da Faculdade de Odontologia da UNISC. Tenho lembranças de quando fui a Estrela para prepararmos o concurso e depois quando a acompanhei as provas de didática e defesa da produção intelectual. Gosto de encontrá-la como professora, com reconhecimento de alunas e alunos e também de seus pares. Ontem à noite podemos jantar juntos e isso foi muito bom. Tivemos a companhia de minha querida colega de doutorado, a Rosa Maria Martini. Aliás, quando fui apresentado ao Reitor, em encontro casual em sua campanha de reeleição, disse-lhe de meu orgulho em ter uma filha que é professora da instituição.
Desejo compartir com meus leitores o seminário de História e Filosofia da Ciência que me traz a UNISC. Essa atividade me envolverá por 4 sessões em duas vindas aqui.
Ontem à noite, foi a primeira sessão. O planejamento para então foi cumprido: “Alguns artefatos culturais para a leitura do mundo natural. Religião e Ciência semelhanças / dissemelhanças / utopias. O que é Ciência afinal. Uma mirada panorâmica na História da Ciência e da Tecnologia. A História e Filosofia da Ciência como ferramentas para construir propostas transdisciplinares. A indisciplinaridade como alternativa metodológica.
Ontem me senti um pouco como um padre ou um pastor que tenha que pregar para uma assembleia heterogênea. Meu auditório de umas 60 pessoas tinha pelo menos quatro estratos. Havia professores do Programa de Pós-graduação em Educação, professores da graduação, alunos de mestrado e, ainda, o professor Felipe trouxe seus alunos e alunas da graduação. Chamou-me a atenção disso a Rosa Maria, quando regressávamos depois da aula, destacado o quanto cada grupo deve ter se sentido contemplado, como se fala fosse exclusiva a ele.
Para esta manhã está previsto: “A Ciência não eurocêntrica (chinesa, hindu...). Ciência Islâmica. A Ciência na América pré-colombiana. Ciência e gênero. Uma Ciência masculina. A teologia versus a ateologia.”
Volto a UNISC em 26/27 de novembro. Então para a noite de quinta-feira a proposta é: “Busca de suportes teóricos. Kuhn e Feyerabend. As quebras de paradigma. Por que não houve revolução científica no Oriente?” e para a manhã de sexta-feira: A revolução copernicana. A revolução lavosierana. A revolução lavoiserana. A revolução darwiniana. Entre as certezas na virada dos séculos 19/20 e as incertezas na virada do 20/11: o século da tecnologia.”
Como se pode inferir há bons motivos para excelentes viajadas. Desejo que a caminhada dessa manhã tenha respostas a desafios, como na noite de ontem.
Esta manhã, após o desjejum, já deixo o hotel e depois das atividades retorno a Porto Alegre. Um detalhe muito singular do hotel, que já conhecia e vejo ratificado; o que consta no frigobar (sois refrigerantes, duas águas, duas cervejas) é de consumo livre sem que disso precise prestação de conta. É uma cortesia que diminui ações no check-in para o hotel e dá ao hóspede uma sensação de estar sendo presenteado.
 Que a sexta-feira seja de fruições. Que o advento do shabath marque um gostoso inicio de fim de semana e com a adição da data de evocação daqueles que nos antecederam, tenhamos todos um saboroso feriadão. Aos porto-alegrenses uma boa inauguração de nossa tradicional feira do livro. Assim, um entusiasmado até amanhã.



Escrito por Chassot às 06h50
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091029 * Quinta-feira * Anoa 4 ¨1183

   290UTUBRO2009

QUINTA-FEIRA

Em atticochassot.com.br há espaço para os meus livros.

Porto Alegre

Ano 4 # 1183

Esta blogada na madrugada, quando a noite é afastada pelo dia, em uma quinta-feira vem envolta na expectativa de um dia primaveril, não apenas no calendário. Meu dia terá seu ocaso em um hotel em Santa Cruz do Sul. Esta tarde, cumpro de ônibus, em um pouco mais de 2 horas os 163 km que separam Porto Alegre da capital da região fumageira do Estado. Nesta noite e amanhã pela manhã dou a primeira e a segunda de 4 sessões de um seminário de História e Filosofia da Ciência no Programa de Pós-Graduação de Educação da UNISC. 

Ontem esse blogue recebeu carinhosa homenagem ainda relativa à superação, na terça-feira, a marca de 50 mil visitantes. Agradeço à Simone B, que não identifico no universo de meus relacionamentos, o lindo cartão digital. Diante de minhas limitações em inserir vídeos, convido aos leitores que quiserem encantar-se com uma artística produção que evoca Van Gogh a copiar o endereço http://www.jacquielawson.com/viewcard.asp?code=1948253861458&source=jl999 e acessar a rede para se maravilhar com uma muito bonita produção.

Ontem encerrava com uma promessa, acerca de uma pergunta que recebera: “as pessoas que te admiram têm muita curiosidade em saber coisas de sua vida e se é só eu, me desculpe, na verdade gostaria de saber qual era sua religião, quais são seus pontos de vista sobre Deus, e tudo mais”. Há não muitas semanas concedi uma entrevista que à Prof. Dra. Russel Teresinha Dutra da Rosa, do Departamento de Ensino e Currículo da Faculdade de Educação da UFRGS, que foi publicada na revista Episteme. A sétima e última pergunta trago-a aqui. Espero que minha resposta não evada leitores. Agradeço a possibilidade de responder algo muito pessoal, com marcas de transparência. Apenas espero que minha resposta sincera não evada com companhias que orgulhosamente tenho nesse blogue. Afinal meus leitores e eu somos adeptos do respeito a todas opções individuais, inclusive aquela da opção religiosa. Assim a última pergunta/resposta:

Russel - Arrisco, agora, uma última pergunta que tens toda a liberdade de não responder, caso a consideres muito invasiva. És ateu? 

Chassot - Muito estimada Russel, esta pergunta é realmente muito difícil de responder. Aventuro-me trazer algo a moda de uma resposta, pois não raras vezes essa interrogação já me foi feita. Todavia usualmente de maneira privada, e quase sempre, buscando certa cumplicidade. Veja que se me perguntasses se sou católico, judeu, muçulmano ou budista, seria talvez mais natural responder, um sim. Olha como seria mais fácil de responder ‘sim’ a perguntas como: ”Tu és gremista?’ ou “Torces para o colorado?”

Há pelo menos duas razões para este sim peremptório (ou quase impensado): 

A primeira: ser religioso é algo natural – parece que não exista uma cultura que não tenha em sua cosmogonia uma relação com deus ou deuses – e não preconceituoso. Talvez algumas religiões sofram alguns preconceitos. Assim, na academia não encontramos (pelo menos de maneira notória) praticantes de religiões neo-pentecostais. Todavia aqueles que abraçam a doutrina espírita (talvez por ela ter uma base ‘mais científica’) têm visibilidade na Universidade. Claro que se vivêssemos na Espanha ou Portugal, no início da Modernidade ou na Alemanha nazista da primeira metade do Século passado, dizer-se de fé judaica era problemático. Ser ateu é ainda muito eivado de preconceitos. A Encyclopædia Britannica estima que cerca de 2,5% da população mundial se classifica como ateísta. Logo, se trata de uma minoria, como tal naturalmente discriminada. É possível que o ateísmo esteja mais disseminado do que as pesquisas sugiram. Ateus que expressam abertamente a sua opinião passam frequentemente a carregar um estigma social, correndo o risco de serem marginalizados, ou, em alguns países, condenados à morte. Há uma pesquisa Gallup de 1999, mostrando em quem os estadunidenses poderiam votar para presidente do país: 94% votariam em católicos; 92% em judeus ou negros; 79% em homossexuais e apenas 49% em ateus.

A segunda razão é que responder sim a esta pergunta, implica necessariamente, ter sido feita uma longa e dolorosa reflexão. Não poucas vezes imersa em culpas. De uma maneira geral (claro que sei que trago uma generalização rasa) podemos nascer católicos, mas não nascemos ateus. Uma espiada num corredor de uma maternidade no Rio Grande do Sul mostra que os bebês hoje, especialmente os meninos, nascem gremistas ou colorados. Depois são batizados – mais para ganhar padrinhos – em uma religião, que talvez os pais nem pratiquem. Eles não podem continuar pagãos. Muito menos ateus. Fizemo-nos ateus. Ouso a afirmar que um número significativo dos que se dizem ateus, foram há um tempo, muito religiosos. Às vezes mais fácil – e também conveniente – assumir uma religiosidade, porque isso não implica em questionamentos e mais, não exige mudanças. Por isso referi: dizer-se ateu implica em uma (dolorosa) conversão na maneira de ler o mundo e a vida (futura, se tal for aceito). O desconfortável não é sentir-se minoria, mas sim por sentir-se um desprovido. É preciso também ser valente para enfrentar – melhor, aceitar – as opiniões alheias. Quando no meu perfil, em uma comunidade de relacionamentos, coloquei ‘agnóstico’, um jovem que conhecia apenas por comentários internéticos, escreveu de sua decepção, pois julgava que eu parecia uma pessoa tão boa; prometeu, não sem dó, rezar por mim. Ter que despirmo-nos de crenças profundas não é trivial. Enquanto, religiosos somos solidários, mas o ser ateu é solitário. Não apenas porque aos ateus não está reservado algo que a mim encanta: os cultos religiosos. Frequentar templos, especialmente em viagens, é algo de minhas preferências. Todavia detesto estar naqueles que são tidos como os sucedâneos das catedrais destes tempos pós-modernos: os shoppings centers. Na Unisinos eu tinha um colega, ex-padre católico, que dizia que eu era o ateu mais religioso que ele conhecia. 

Vale considerar, que ser ateu, implica romper com a cultura transmitida pela família. Talvez, me abstivesse de responder a essa pergunta, se meus pais fossem vivos. E aqui talvez ouse ampliar um pouco uma leitura que Freud faz do texto de Sófocles, ’Édipo, o rei’. Nessa negação à religiosidade, não matamos o pai, mas o Pai (a Deus, Pai). Matar ao pai no processo de Edipo implica poder simbolicamente algum dia ocupar seu lugar e possuir Jocasta; nessa situação matar ao Pai, traduz dizê-lo dispensável (enquanto o Criador). 

Sei que ainda não disse sim (ou não) a pergunta capital. Antes de fazê-lo queria trazer um excerto de comentário que fiz em meu blogue no dia 01AGO09. [Suprimo aqui um longo excerto que pode ser encontrado neste blogue quando oferecia, como dica de leitura, EM QUE CRÊEM OS QUE NÃO CRÊEM? (In cosa crede chi non crede?) Umberto Eco e Carlo Maria Martini. Tradução: Eliana Aguiar, 160 p. Formato: 14 x 21 cm. Rio de Janeiro: Record, 2000, ISBN 85-01-05527-1] 

Russel, foi bom conceder-te esta entrevista. Obrigaste-me pensar e repensar muitos fragmentos de minha vida. Não consegui montar o quebra-cabeça que mexeu comigo. Muito obrigado. Ah! a resposta a última pergunta. ¿Precisa? Então é um sim, mas não um sim de militante. Não busco conversões de religiosos ao ateísmo. Encerro fazendo uma afirmação: algo que me encanta é dialogar com uma pessoa religiosa. Atesto isso num prosaico episódio familiar. Há dias telefonei, para a casa de um de meus filhos. Atendeu-me minha neta. Ao pedir para falar com seu pai. Respondeu: ‘Papai, agora, está rezando!’. Fiquei muito emocionado.

Depois desta não trivial exposição resta-me aditar votos de uma muito boa quinta-feira e um convite para nos lermos amanhã desde Santa Cruz do Sul.




Escrito por Chassot às 06h19
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Uma recordação: NÃO, À VIOLÊNCIA! SIM, À PAZ

     280UTUBRO2009

QUARTA-FEIRA

Em atticochassot.com.br há uma agenda para contatos.

Porto Alegre

Ano 4 # 1182

A edição desta quarta-feira é postada na contemplação de um arrebol que ao tintar os céus de vermelho prenuncia um dia primaveril. Dentro de mais um pouco cumpro minha hora de ‘tratamento fisioterápico’ – um eufemismo para dizer que por uma hora vou à Academia Treinar.

Nesta blogada insiro um espaço dos leitores. Nela trago primeiro este registro: “Muy querido Profesor Chassot, Como su visitante # 50.000 quisiera nuevamente felicitarlo por su siempre didáctico y ameno blog. Un cordial saludo, Matilde Kalil” Respondi assim: “Mi mui apreciada leitora Matilde, que desde Guayaquil me da una noticia que me emociona: esta mañana, cuando he postado la edición de hoy vi que estaba 49988 (ha solo un momento al día que yo veo el número de visitantes: cuando hago la edición diaria) y he pensado quien seria el 50000. Quesearán los dioses que fuese una de mis lectoras más queridas. Gracias por tu tan amable registro, en más esa celebración (de un número redondo) de este blogue. Con admiración continuada attico chassot”

A celebração desta chegada ao significativo número de 50.mil visitas teve outra comemoração significativa. Ontem almocei com outro leitor muito assíduo deste blogue: O professor Jairo Brasil. É muito bom cultivar, com pelo menos um almoço mensal, uma sólida amizade construída enquanto vivemos a situação de orientador /orientando, quando o Jairo fez comigo uma muito significativa dissertação em busca de propostas para minimizar desperdícios. Claro que foi assunto a comemoração que os deuses e certamente também as deusas oportunizaram à leitora guayaquileña e que aqui agradeço. 

Talvez, nesse festejamento caiba um comentário auspicioso com esse número ora festejado. As 1182 edições fazem corresponder uma média histórica de 42,3. Sendo que a média de setembro foi de 92,9. enquanto nesse outubro as visitas diárias ultrapassaram a 100 em 14 dias, o que prenuncia, pela primeira vez uma média superior a 100. Claro que isso estimula o ‘meu ser bloguista’. 

Já que falei de leitores, comparto uma troca de mensagens, havida nesta segunda-feira, com uma ouvinte de uma palestra minha em meses passados, que por não ter autorização da mesma, altero o nome da mesma e também de sua cidade. “Olá, querido Profº Attico Chassot, acredito que já tenho ouvido falar sobre o xamanismo e a planta de poder Ayahuasca, não sei se já ingeriu essa bebida, mais a questão não é essa, a pergunta é: Que visão que o senhor tem sobre essa planta, em aspectos científicos e filosóficos? Gostaria muito de uma resposta. Obrigada pela atenção. Rosa D’Alba”. Pensei muito no que responder.: 

Em resposta escrevi: Estimada Rosa, essa (não) resposta a tua pergunta me envolveu muito mais que a maior parte das dezenas de correio que respondo a cada dia. Primeiro me senti como um dos robôs do Google, claro que sem a eficiência do mais lerdo deles. Sempre os imagino eficientíssimos. Veja que em 0,22 segundos (tens ideia que tu podes fazer em um tempo como este?) eles me ofereceram aproximadamente 648.000 informações para Ayahuasca. 

Assim sei que a planta milagrosa que te instiga é também conhecida por yagé, caapi, nixi honi xuma, hoasca, vegetal, Santo Daime, kahi, natema, pindé, dápa, mihi, vinho da alma, professor dos professores, pequena morte, entre outros. O nome mais conhecido, ayahuasca, significa "liana (cipó) dos espíritos". Vê quanto significação profunda tem a Ayahuasca.

Quanto aos robôs do Google, nem sei se foram/foi eles ou ele que tiverem/teve esse desempenho tão fabuloso. Agora em que já se fala em batizar robôs, pode(m) ter sido ela ou elas, pois acredito que não se batizariam seres assexuados.

Aliás, isso de batizar robôs pode causar um sério problema. Qual será o dia de guarda dos mesmos. Como ficará a nossa vida se aos domingos eles não trabalharem. Uma boa alternativa seria o Google, ou qualquer outro buscador, ter robôs islâmicos, que guardando a sexta-feira, poderiam trabalhar aos sábados e domingos. Para ter um revezamento mais equânime, poderia ter uma equipe de judeus, que guardando o sábado, garantiriam que não ficássemos desprovidos às sextas-feiras e aos domingos. 

Vais me dizer que isso não tem nada a ver com tua pergunta. Claro que tem, pois não conseguindo fazer nada em 0,22 segundo, gastei, numa tarde que tinha que terminar um artigo, preparar aulas e organizar um curso, mais que 22 minutos buscando uma resposta para ti. Claro que não te sintas culpada se me embebedaste com Ayahuasca.

Depois de tudo isso, salvo as interrogações pessoais, acho melhor que ponhas no Google Ayahuasca / santo daime / xamanismo. Talvez para não perderes muito tempo pode ires com qualquer dessas entradas na Wikipédia e encontrarás preciosidades. Mesmo com todos preconceitos dos acadêmicos sábios (ou sabidos) que vejo votar a essa enciclopédia, que para mim é o ícone da tão desejada socialização do conhecimento, eu a consulto a cada dia mais de uma dúzia de vezes. 

A propósito do assunto, e já que estamos na Wikipédia, vale olhares Carlos Castaneda ou Carlos Aranha Castaneda (ou Castañeda). Li esse autor antanhos. Não me lembrava do nome. Obrigaste-me passar meus livros tanto na biblioteca física quanto no banco de dados. Não achei nenhum dos livros que já tive desse autor. Mas obriguei-me a silenciar sua busca e eis que logo me surgia a evocação, e mais uma vez a Wikipédia, ratificou o acerto da pista que o inconsciente me forneceu. 

Mas tua pergunta continua com não resposta. Por fim, há uma parte de tua que é fácil responder. Nunca experimentei. Há não muito, por ter uma pessoa conhecida envolvida com o Santo Daime li um pouco acerca do assunto. Mas meu ceticismo não me entusiasmou a praticar a beberagem. 

Rosa, desculpa tão longa não resposta. Mas fizeste-me vagabundear em muitas bibliotecas. Viajei catalisado por ti ao Equador, Bolívia, Brasil amazônico... Esse assunto merece ser estudado, mas por ora, o Google a que escolheste é ineficiente e precisa fazer outros voos. 

Com estima e sobre o assunto não posso te oferecer disponibilidade, achassot

Ao voltar das aulas da noite, havia uma resposta: Olá, não achei que minha questão fosse te tomar tanto tempo, eu já vivenciei a Ayahuasca, e acredito que já tenha pesquisado muito sobre ela, mais ainda tenho muito que aprender, tanto em questões científicas como filosóficas, em uma de suas palestras aqui em Cacimbinhas - PR, o assunto de religião me deixou muito confusa, não apenas por tua palestra mais esse é o assunto que sempre me instigou, posso te dizer que o ceticismo sempre estava muito presente em minha vida, a após ingerir a Ayahuasca, tive outra visão, mais uma visão sem dogmas e sem crenças, pois se fosse assim eu nem teria ingerido a Ayahuasca, agora não sei se certa ou errada na sua visão, eu na verdade gostaria de saber se o Sr já tinha ingerido, e saber sobre a sua opinião, não queria interferir tanto em sua privacidade, mais como deve saber, que aas pessoas que te admiram tem muita curiosidade em saber coisas de sua vida e se foi só eu, me desculpe, na verdade gostaria de saber qual era sua religião, quais eram seus pontos de vista sobre Deus, e tudo mais. E como já falou é cético, era isso que gostaria de saber, envergonho - me de estar te fazendo perguntas que talvez não queira responder, agradeço sua resposta anterior e sua compreensão. Concordo que o google é o site em que todo momento que quisermos encontramos de tudo! Despeço-me pedindo-lhe desculpas por ter te tomado todo esse tempo de ler novamente minha resposta. Um grande abraço. Rosa D’Alba. 

À pergunta trazidas nessa tréplica cabe uma blogada especial. Assim o prometo. Votos de uma muito boa quarta-feira. Ao agradecer a leitura de cada uma e cada um adito o convite para um próximo reencontro.


 



Escrito por Chassot às 06h21
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Não à violência! Sim, à concórdia.

     27OUTUBRO2009

TERÇA-FEIRA

Não à violência! Sim, à concórdia.

Porto Alegre

Ano 4 # 1181

Manhã para recordar inverno quando no calendário novembro já espia assanhado. Temperaturas de um dígito na região metropolitana, registrando-se até 4 ºC em algumas regiões do Estado. O céu é azul na manhã ensolarada.

Em artigo recente, listei seis feições que esse blogue assume, algumas delas de maneira velada. Hoje, mesmo sabendo que tenha discordância de alguns leitores, devo dizer – até em atenção a um significativo grupo que nesse outubro faz aumentar significativamente a média de acessos diários – que a edição de hoje está na dimensão da continuada “Atenção aos assim chamados formadores de opinião. Na defesa dos movimentos sociais – tidos, muitos vezes, como inimigos por alguns –, por tal tem havido sucessivas edições em defesa do MST”. [in Blogues como artefatos culturais pós-modernos para fazer alfabetização científica. Competência: Revista da Educação Superior do Senac-RS. p. 11-28. V.2, N.2 Julho de 2009 ISSN 1984-2880]

Assim, mais uma vez devo, por uma questão de consciência, a aderir às mulheres e aos homens que bradam em defesa do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra. Essa adesão se faz, agora, quando os setores direitistas aliados ao agronegócio conseguiram instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito contra o MST, objetivando a sua criminalização. As forças que a diminuição das desigualdades sociais estão realizando atos em todo país e, e talvez, nos consulados e embaixadas do Brasil no exterior. Registra-se solidariedade ao movimento. É fundamental para ampliar a mobilização em defesa dos direitos sociais dos povos. 

Por tal, trago um ‘Manifesto em defesa do MST’ onde menos interessa apor uma assinatura e mandar para surdas autoridades, mas conscientizar-nos de seu conteúdo e disseminá-lo para fazer um contraponto aos pérfidos formadores de opinião. Nessa dimensão convido às minhas leitoras e aos meus leitores a uma leitura do outro lado da moeda: aquele que a grande imprensa oculta.

Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais.

 As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.

Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo INCRA e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.

Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.

Bloquear a reforma agrária

Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário desloca-se dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária.

Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.

O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais como única alternativa para a agropecuária brasileira.

Concentração fundiária

A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio.

Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no primeiro semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.

Não violência

A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.

É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.

Contra a criminalização das lutas sociais

Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.

Sonhando com dias que a violência esteja banida do cenário do Planeta e possamos viver a sonhada concórdia, o convite para nos encontrar aqui amanhã.




Escrito por Chassot às 07h53
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Ainda... a senha é 350.

       260UTUBRO2009

SEGUNDA-FEIRA

Em atticochassot.com.br há informações de meus livros

Porto Alegre

Ano 4 # 1180

Iniciamos a última semana de outubro. No próximo domingo já será novembro. E, então, tudo terá ressaibo de fim de ano. Começo a semana marcada pela expectativa de uma noite de quinta-feira e uma manhã de sexta-feira no Programa de Pós-Graduação em Educação da UNISC, para a primeira e segunda sessão do curso de História e Filosofia da Ciência que prosseguirá em 26 e 27 de novembro. Mas na semana tenho como ápice participar da celebração do casamento do Christian e da Rosana, no próximo sábado, com reencontro de familiares.

Eu neste domingo tive o privilégio de uma querida visita do Bernardo que além de muito carinhoso, valendo-se de seus dotes, mostrou-se competentíssimo para resolver alguns problemas nessas sempre misteriosas máquinas que compõem a parafernália de meu mundo digital. Também me trouxe gostosuras enviadas pela Carla. Algo muito gostoso foi ter privilégio de por mais de sete horas estar comigo a Maria Clara. Ela também se mostrou mais hábil em jogos no computador que se avô.

Acerca de ‘a senha é 350’, que no sábado, mais uma vez, foi assunto aqui e por meses foi abertura de minhas palestras, vale ler o que Bill McKibben, organizador mundial da manifestação planetária, escreveu neste domingo: “Ontem em Nova Iorque tive uma das mais espantosas experiências da minha vida. Enquanto eu estava ali olhando e vendo as imagens que enchiam o écran vindo de cada canto do mundo, eu vi finalmente que aspeto tem um movimento climático – e era lindo de se ver. Foi tão doce ver o dia se desenrolar pelo globo, com milhares e milhares de imagens aparecendo, por vezes uma dúzia a cada minuto! Esta tarde, nossa equipe as passou onde todo o mundo pudesse vê-las - nos maiores écrans da Times Square, no centro da cidade de Nova Iorque.

Tem fotos de alpinistas segurando cartazes da 350 bem no alto das geleiras da Suíça, paradas de bicicleta desde Copenhague a São Francisco, organizadores na Papuásia batendo o gongo de sua igreja 350 vezes e igrejas em Barcelona tocando seus sinos 350 vezes. Fotos de ativistas protestando contra centrais movidas a carvão e incentivando parques eólicos, estudantes com t-shirts da 350 consertando suas casas atingidas pelas cheias em Manila e de milhares de pessoas desfilando em Bogotá e Katmandu. Fotos de gente de diferentes raças e classes, religiões e nacionalidades, se unindo em torno de um simples e poderoso número, querendo salvar nosso planeta. 

E todas essas fotos foram vistas em redor do mundo, em jornais de Beijing a Boston, em estações de TV de Nova Delhi a Nova Iorque, e em blogs, redes sociais, e websites por toda a internet. Todos juntos, mostramos para o mundo que um tratado global de clima é possível e traçamos um objetivo bem ousado para as próximas reuniões de clima da ONU em Copenhague esse Dezembro. A meta dos 350 é agora a nova linha mestra para a ação climática e os líderes mundiais têm agora de ir encontro a esta meta.

 Pensamos que fôssemos estar cansados depois de tantas noites sem dormir planejando esse dia, mas afinal estamos mais enérgicos que nunca. Estamos nos preparando para entregar as fotos e mensagens de vossos eventos em todas as delegações nacionais da ONU amanhã, e tencionamos entregar as fotos a ministros importantes nas próximas negociações de clima em Barcelona e Copenhague. 

Agradecemos mais do que podemos dizer. Vamos (é claro) pedir a você para fazer mais um monte de coisas nas semanas que se seguem - mas hoje, se recoste, relaxe e saboreie seu feito. Você foi parte do mais abrangente dia de ação política que o mundo alguma vez viu. Junto com milhões de pessoas em todo o mundo, você já fez diferença para valer - se prepare para fazer muito mais nos dias, semanas e meses que estão para vir. Com esperança, Bill McKibben e toda a Equipe da 350.org”

Ofereço a seguir uma pequena seleção de fotos pelo pelo mundo,  Bangladesh Botswana Brasil  Cairo Etiópia Guiana India Istanbul Melbourne Melbourne Peru   Reino  Unido Santa Cruz California Sidney  Seattle Jornais 29º EDEQ e mais fotos em 350.org,




Escrito por Chassot às 06h26
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25102009 * Domingo * Ano 4 #1179

        250UTUBRO2009

DOMINGO

Enfim... um domingo em Porto Alegre

Porto Alegre

Ano 4 # 1179

Ao anoitecer de ontem retornava, pela segunda vez em uma semana, de mais uma viagem. Não deixo de reconhecer o quanto me encanta viajar, mas devo dizer que voltar à Morada dos Afagos sempre é o melhor. Ontem cheguei sequioso de estar em casa e as quatro horas de ônibus entre Santa Maria e Porto Alegre foram extensas. A chuva cadenciada e o vinho tomado no almoço de encerramento não embalaram sono e sim sonhos.

A manhã foi muito boa. Começou mini-curso “Filosofia natural e alquimia’ ministrado pelo prof. Márcio Paulo Cenci da UNIFRA. Após houve um momento de confraternização onde autografei mais alguns livros e tirei fotos. Desta a mais original foi uma mãe pedir que eu tirasse uma foto com seu filho, para mais tarde ela contar para ele de sua estada num EDEQ.

Antes da sessão de encerramento houve relato, por seis universidades, sobre suas atividades nos pré-encontro. Talvez merecesse registro de uma tradição que vem acontecendo desde o 23º EDEQ (na Universidade de Passo Fundo em 2003): os pré-encontros, quando a partir de textos selecionados dentro do tema central do EDEQ, grupos preparam o evento. 

A minha fala buscou ser curta e objetiva, ante a aproximação do meio dia, quando uma grande parte já está antenada nos ônibus que  comandam dispersões. 

Iniciei, considerando o significado momento, permitindo-me fazer duas homenagen,s  A primeira, determinada por notícia que nesta semana nos entristeceu; A morte de Maurice Bazin, quando seu ex-aluno Prof. Dr. Guilherme Carlos Corrêa associou-se a minha fala e fez sentida homenagem.  Outra, aquela que já fiz em dezenas de falas neste 2009, e por tal de muitos já conhecida, as duas dimensões do ano darwiniano: Bicentenário do nascimento de Charles Darwin (*12FEV1809  +19ABR1882) talvez o cientista que mais tenha revolucionado propostas da Ciência e o Sesquicentenário da publicação do livro Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural (1859).É provável que nenhum outro livro científico tenha provocado, em todos os tempos, tanta discussão como este.

Ainda fiz referência ao movimento mundial em defesa do Planeta que então ocorria, com o material que encerra a blogada de ontem.

Na minha fala “Uma que Escola que não mudou mas foi mudada” convidei participantes que olhassem duas Escolas só espaçadas por dez anos. Uma na virada de século 20/21 e outra de agora e mirassem esta atual esta modificada com situações como:

a) tecnodepedências, cada vez mais exigente que nos tornam muitas vezes reféns, por exemplo, de um data-show ou de Power-point ou de um telefone celular;  

b) uma hiper-conectividade que nos faz cada vez mais cidadãos públicos e invadidos em nossas privacidades (orkut, facebook, twitter, second life...) e também altera inclusive as relações amorosas; 

c) o fim do efêmero onde nossa passagem deixa rastros que mesmo quando pensamos apagados podem ser ‘ressuscitados’ (por exemplo pelo Google desktop), por outro lado há perda dos valiosos rascunhos ou páginas comentadas; 

d) o (não)engajamento crítico que passa ser primeiro por uma exigência que pode conduzir a participação construtiva ou – ante sua renúncia – pode conduzir a uma alienação que leva a uma vida cultural vegetativa; 

e) os cada vez mais tênue limites entre o humano/não humano que nos fazem a não darmo-nos conta de quanto os robôs são co-participes de nosso cotidiano; 

f) a brecha cada vez maior que se estabelece entre os que têm acesso ao conhecimento e os marginalizados (Movimento dos Sem @rroba)

Ao final fiz o convite  para reencontrarmos na PUC, em outubro de 2010 para o 30º EDEQ. O Prof. Dr. Maurivan Guntzel Ramos  fez então um chamamento para a celebração do 30º no lócus onde ocorrera o primeiro, o décimo, o vigésimo.

Assim no relato de mais essa realização acadêmico, encerro essa blogada dominical. Meus votos de um muito bom domingo a cada uma e cada um. Para alguns gaúchos isso é um pouco complicado. Em se tratando de um domingo de grenal, há os que ficaram um pouco sobrando em venturas totais. Eu embalo a expectativa de ter por ums horas a Maria Clara que virá a Morada dos Afagos para uma fruição do avonado.




Escrito por Chassot às 11h23
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