Blog de Attico Chassot


A senha é ... 350

     240UTUBRO2009

SÁBADO

A senha é ... 350

Porto Alegre

Ano 4 # 1178

Um sábado em que vejo no horizonte minha partida de Santa Maria, às 14h, depois de passar a manhã nas atividades do 29º EDEQ, que culminará com a minha fala ‘A Escola não mudou! Ela foi mudada!’ que marcará um “ver-nos-emos na PUC, em Porto Alegre, em outubro de 2010, para o 30º EDEQ!”  

Minha sexta-feira foi de assistente do EDEQ, pois não me cabia ontem nenhuma fala, mesmo que tenha intervindo em diferentes momentos. Ao café encontrei meu amigo José Carneiro que está na cidade em Congresso da ANDES. No EDEQ, assisti por primeiro ao mini-curso “Filosofia natural e alquimia’ ministrado pelo prof. Márcio Paulo Cenci da UNIFRA. Gostei muito. Esta manhã, assisto a segunda sessão. Dentre as propostas para a sessão de debate, fui feliz em minha eleição: “Repensando tecnologias e seus impactos ambientais, coordenada pelo prof. Dr. Márcio Marques Martins UNIFRA. A primeira fala foi do Prof. Dr. Ênio Leandro Machado UNISC, que acenou com buscas para um mundo melhor. Em seguida houve a fala do Prof. Dr. Guilherme Carlos Corrêa da UFSM, que abandonando o PowerPoint, trouxe consistentes considerações do quanto cada vez mais nos ‘beneficiamos de tecnologias de guerra e do quanto essas são nos ‘vendidas’ como algo inocente. A terceira apresentação foi do Prof. Dr. Éder João Leonardão da UFPel, que trouxe significativas informações acerca da Química verde. Eu aditei alguns comentários acerca da ‘neopatia’ e das ‘indulgências verdes’, numa crítica aos créditos de carbono.

A parte da tarde foi produtivamente consumida na visitação dos pôsteres. Sempre tenho muitas dificuldades com essa modalidade de apresentação, pois me remete a um período medieval onde se lia os jornais nos postes. Elegi mais de uma dezena de painéis que me interessavam e frui gostosos diálogos com jovens pesquisadores. É muito gratificante ver-se referência em vários trabalhos. 

Houve também alguns momentos de tietagem. Uma foto ilustra umas das situações.

Há noite assistimos a uma excelente palestra do Prof. Maurivan Guntzel Ramos, da PUC: “A pesquisa na Escola e a formação de Sujeitos sustentáveis”. O Maurivan, meu ex-aluno de Química Orgânica e de Prática de ensino de Química é hoje um dos mais respeitados estudiosas da Educação Química. Ele e eu somos os dois únicos organizadores do 1º EDEQs que continuam na linha de frente no evento. É significativo que mesmo morando na mesma cidade, pelo menos nos últimos 5 (ou mais) anos, só nos vemos nos EDEQs.

Houve a noite um gostoso jantar de confraternização. Foi mais um bom momento para continuarmos gostosas charlas com um grupo querido de colegas.

Recebi, com tristeza, na tarde de ontem, a notícia da morte de Maurice Bazin, ocorrida dia 19, segunda-feira. Ele havia sofrido um infarto há cerca de um mês e precisou fazer cirurgia pra colocar uma ponte de safena. Mas teve complicações renais, ficou em coma induzido por uma semana e não resistiu. Parisiense nascido em 1934, físico, astrônomo e educador, Maurice era isso tudo e muito mais. Um cidadão do mundo que respeitava profundamente a cultura local dos cantos por onde viveu - entre eles, o Sul da Ilha de Santa Catarina, que muito deve ao seu trabalho. Em reportagem recente, na revista Galileu era um "inconformista, um intelectual que demole os muros entre a população carente e o conhecimento". Tive o privilégio. fr rm mais de oportunidade, aprender com ele. Esta manhã, na palestra de encerramento farei, junto com seu ex-aluno Prof. Dr. Guilherme Carlos Corrêa, uma sentida homenagem a contribuição que Maurice fez ao ensino de Ciência no Brasil.

 Vou me permitir nesse sábado fraudar meus leitores. Mesmo que na clausura da edição de ontem, anunciara uma dica de leitura; e, pensava fazê-la acerca do livro ‘La muerte y otras sorpresas” de Mario Benedetti que comprei em Bogotá. Saboreei este no retorno ao Brasil e ainda na vinda a Santa Maria na quinta-feira. Todavia algo maior merece ganhar espaço hoje aqui.

Hoje é Dia Internacional de Ação Climática. É talvez a maior campanha de ação climática de todos os tempos. Venho desde maio referindo em todas as minhas falas, quando referia que a senha é 350.

Hoje estão ocorrendo mais de 4 mil eventos simultaneamente em 170 países. 

Bill McKibben, líder do movimento 350.org escreve: “Há demasiados eventos incríveis para listar todos num só lugar, mas aqui vão alguns destaques:

  * cidadãos da Nova Zelândia se uniram antes do amanhecer junto de uma turbina eólica numa montanha. Enquanto os anciãos locais faziam preces para abençoar o evento global, começaram a erguer-se bem alto faixas e cartazes para saudar os primeiros raios de sol do planeta neste dia tão incrível. À medida que o sol continua pelo planeta a fora vamos recebendo fotos e vídeos de manifestações nas Filipinas, de passeios de bicicleta em Hanoi e Beijing, de organizadores que plantam árvores na Tailândia, de centenas de estudantes marchando no Nepal e na Mongólia.

  * Na Hungria, centenas de banhistas vão saltar para os banhos públicos em Budapeste para uma performance sincronizada 350. 

  * No Nepal, mais de um milhar de jovens e monges vão marchar até ao templo patrimônio mundial de Swayambhunath e formar um gigantesco 350 com lanternas tradicionais.

   * Nos Estados Unidos, 350 pessoas irão dançar o Thriller de Michael Jackson em Seattle - porque se não paramos o aquecimento global, bem podemos ficar mortos-vivos.

   * No Panamá, a juventude indígena vai liderar uma vigília ao luar em Kuna Yala, as suas vulneráveis ilhas ameaçadas pela subida das águas ao largo da costa do Panamá, formando um pôr-do-sol 350.

350 é neste momento o número mais importante do mundo - os cientistas dizem-nos que é o máximo de dióxido de carbono que podemos ter na atmosfera, e agora estamos a fazer com que todo o mundo saiba também. O ruído combinado de todos esses eventos vai assegurar que os líderes mundiais reunidos no mês que vem em Copenhague para criar o próximo plano mundial sobre mudanças climáticas vão ouvir nosso apelo. 350.org é uma campanha internacional de bases que tem por fim mobilizar um movimento global de clima, unido pelo mesmo apelo à ação. Disseminando um conhecimento das bases científicas e uma visão partilhada de uma política justa, procuramos garantir que o mundo crie soluções corajosas e igualitárias para a crise climática. 350.org é um projeto independente e sem fins lucrativos”. 

Assim quando desejo um muito bom sábado e um melhor domingo. Apresento aqui o material que é uma co-produção, como a adesão a campanha e que usei em dezenas de palestras em pelo menos 8 estados do Brasil e em cinco falas na Colômbia. Na expectativa que cada uma e cada um encontrem alternativas para ajudar a diminuir o a produção de gás carbônico, sonhemos que os filhos de nossos filhos tenham um Planeta saudável e que também leguemos ao Planeta filhos mais consciente em cuidá-los.. 

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Escrito por Chassot às 02h50
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Desde a histórica Santa Maria da Boca do Monte

  23OUTUBRO2009

SEXTA-FEIRA

Desde Santa Maria em meu 29º EDEQ

Porto Alegre

Ano 4 # 1177

Estou, desde as 16h30min de ontem, em Santa Maria ou na histórica Santa Maria da Boca do Monte. Deixara Porto Alegre, 4 horas antes. Os 292 km foram feitos em confortável ônibus. O Centro Universitário Franciscano – UNIFRA – local do 29º EDEQ, que me acolhe aqui me fez uma surpresa. Acomodou-me na classe executiva. Devo confessar que nem sabia que houvesse ônibus com classes diferenciadas. No caso, as primeiras poltronas do coletivo são mais amplas e mais reclináveis e com algumas mordomias, se comparadas com as demais. Claro que desejaria que todos passageiros tivessem igual conforto. Também não me desagradei por ter sido destinado a esses lugares.

Santa Maria, com quase 300 mil habitantes, é uma das mais importantes cidades do Estado do Rio Grande do Sul. Situa-se no centro ou "coração" do Estado, exercendo importante papel estratégico na defesa do país, na difusão de conhecimento, tecnologias e religiosidade, na interação com outros países do Mercosul, na distribuição da produção, e no comércio regional. 

A cidade sedia uma das maiores universidades públicas do Brasil, a Universidade Federal de Santa Maria. A UFSM conta atualmente com mais de 15 mil alunos em seus cursos de graduação e pós-graduação. Também apresenta vários outros centros educacionais de nível Superior: um dos campi da ULBRA - Universidade Luterana do Brasil, UNIFRA - Centro Universitário Franciscano. FAMES - Faculdade Metodista Sul e outros. A cidade é conhecida como Cidade Cultura, tendo como pontos turísticos: museus, o Teatro Treze de Maio, a antiga Vila Belga, entre outros.

Mas essa é uma descrição anódina ou asséptica. Serviria até para um verbete de uma enciclopédia. Numa leitura mais pessoal deveria começar dizendo que esta foi a primeira cidade que conheci na minha vida. Há razões históricas que me ligam a esta cidade e a sua Universidade, que se orgulha, com razão, de ter sido a primeira universidade federal brasileira de uma cidade não capital de estado. 

Sou nascido em Estação Jacuí e o mundo de minha infância tinha nesta cidade o pólo maior. Era aqui que vínhamos em busca de médico e este era um ponto de atração para um filho de ferroviário, no tempo que esta cidade era o grande centro ferroviário do Estado. Os trens eram meu sistema de referência e estes ou vinham ou iam para Santa Maria. Contei um pouco sobre Jacuí – que deve ficar a cerca de 60 km daqui – por ocasião de meu desolado regresso aquela que fora minha vila natal nos dias da semana (8-10 de abril) deste ano. 

Lembro da emoção que tive quando acompanhei minha mãe a uma Romaria da Medianeira. A romaria da Nossa Senhora Medianeira, sempre no segundo domingo de novembro, é considerada uma das maiores manifestações de fé no estado do Rio Grande do Sul, atraindo para a cidade de Santa Maria uma multidão média de duzentos e cinquenta mil romeiros, quase dobrando o número de habitantes da cidade. Por tamanha devoção Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças foi proclamada padroeira do Estado. 

Como esse ano vai o ocorrer a 67ª romaria deduzo que assisti a 2ª ou 3ª, talvez com 5 ou 6 anos. Há três fatos, dos quais lembro detalhes então: Vi uma pessoa comendo sorvete, algo que eu não conhecia e esta ao terminar jogou o copinho fora. Mesmo que esse tenha caído em cima de uma bosta de cavalo recém deixada sobre o calçamento, eu queria ir juntá-lo no que fui proibido pela minha mãe; ainda consigo ver lá o copinho. À noite fiquei ouvido interrogante o barulho que os cavalos com os cascos ferrados faziam, ao cavalgarem, sobre as pedras do calçamento; para um guri, que vinha de uma vila, onde não havia ruas calçadas esse barulho era inédito. A terceira lembrança é que tínhamos um farnel onde havia uma laranja e pão com leite condensado. Há outro fato que me liga a essa cidade, que me foi contado. Quando tinha cerca de 3 anos, cai sobre um latão enferrujado e fiz um corte abaixo do olho direito (ainda tenho a marca) e meu pai me levou de carona em um trem de carga à Santa Maria para uma sutura. É fácil imaginar o drama de meu pai nessa viagem.

Também foram fortes, em anos bem mais recentes, minhas ligações com o curso de Química da UFSM e com as licenciaturas das áreas de Ciências em geral. Participei da organização aqui o 3º (1982), 9º (1988) e 21º (2001) e agora do 29º Encontro de Debates de Ensino de Química. Participei, também, como representante da UFRGS, em ações conjuntas que envolviam docentes da UFSM e de outras universidades de um programa para a educação de professoras e professores de Ciências. Também participei de várias bancas do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSM. Uma destas bancas, parece que foi da Márcia Borin, em 1999, que recebi um telefonema da Gelsa, anunciando a data de minha cirurgia para erradicação de um câncer. DHá mais de 20 anos tenho me ligo à Santa Maria também por relações familiares, pois mora nessa cidade a Tia Teresa, madrinha da Gelsa.

No ano passado, participei, agora já pela minha vinculação ao Centro Universitário Metodista – IPA, de atividades na FAMES.

 Na noite de ontem, no auditório do UNIFRA foi instalado o 29º Encontro de Debates de Ensino de Química com a presença de Pró-Reitores e outras autoridades universitárias. O UNIFRA é a16ª instituição diferente que sedia um EDEQ. Como o ‘fundador’ e participante de todas as edições destes Encontros, participei da mesa de abertura. Na minha fala no ato inaugural, apresentei cada um dos encontros, destacando a instituição, tema central, número de participantes (tivemos eventos com mais de 700 participantes) e algum outro detalhe. **** As fotos são das leitoras deste blogue Anelise e Sandra, de Rio do Sul; Eu me envolvi na organização de todos os encontros, só estando ausente no 16º (1996), pois recém fizera uma cirurgia de tíbia e perônio; neste que me envolvera muito na organização, meu amigo Edni leu uma mensagem em meu nome. A palestra de abertura da edição de 2009 “Ressignificando a Química rumo à Sustentabilidade” foi feita pelo prof. dr, Cesar Zucco da UFSC, que abriu sua fala prestando-me uma homenagem.

Houve ao final uma confraternização com gostosos reencontros. Há um número significativo de colegas que só encontros na segunda quinzena de outubro de cada ano nos EDEQs, Houve também muita tietagem, como posar para dezenas de fotos com participantes. Hoje e amanhã participo de atividades, sendo que cabe falar no encerramento, donde discutirei “Uma que Escola que não mudou mas foi mudada”

Encero com um registro familiar. No último dia 16, nasceu no Salto do Jacuí, Alice, , com 2.720 g e 46 cm. Ela é uma sobrinha muito querida, filha da Patrícia . A Patrícia é filha de meu irmão José Maria (1948-1996). Para Alice e para a Patrícia e também para Jane, um curtidora de netos, afagos carinhosos.

Com votos de uma boa sexta-feira, anunciando que amanhã a dica de leitura virá desde Santa Maria.



Escrito por Chassot às 07h07
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091022 *** Quinta-feira *** Ano 4 # 1176

     220UTUBRO2009

QUINTA-FEIRA

Quase partindo para o 29º  EDEQ

Porto Alegre

Ano 4 # 1176

Nesta quinta feira cheguei a ser seduzido para falar do dia de Júpiter no nosso calendário semanal; Vejam por exemplo: Espanhol > Jueves // Francês > Jeudi // Italiano > Geovedi]. E hão de crer o quanto a figura máxima do panteão tem história. as não faço isso hoje.

Preciso (aqui a ação verbal traduz ter precisão ou necessidade) ainda trazer algo dos dias colombianos, pois esses são por demais fortes em mim. Seja pelas emoções lá vividas, seja pelas continuadas mensagens elogiosas que recebo.

Mas antes de cumprir a pauta queria oferecer às minhas leitoras e aos meus leitores imagens de minha rua vista de meu jardim. CCC*** *** ***   A cada outubro somos brindados com uma florada de jacarandás. Nisso a minha rua é muito lindo. Os jacarandás me trazem leituras diferentes. Anunciam que feira do livro se aproxima; ela se inaugura sempre na última sexta-feira de outubro. Evocam sempre o nascimento da Ana Lúcia. Recordo que às longas espero no Hospital Presidente Vargas sucediam encontrar o carro tintado de roxo.

Mas vou falar da Colômbia em dois movimentos. No primeiro, vou rememorar com meus leitores, até por que já cometei aqui, um fato que mexeu comigo e cada uma das três cidades que estive. No segundo, vou trazer algumas fotografias dos protestos no campus da Universidade de Narinho, prometido há muito aqui.

Para Pasto o destaque não acadêmico vai para o domingo que fui à Basílica Santuário de Nuestra Señora de las Lajas. Aqui há emoções em duas dimensões incomparáveis. ma aquela de um turista incrédulo se transmutando em romeiro e sentir a religiosidade dos fiéis. Perdoem-me isso é indescritível. A outra a extraordinária visão de um templo imergindo de um cañon. * É algo quase fantasmagórico.

De Bogotá, vou guardar os momentos de quando uma quarta-feira se fez noite e eu e milhares de bogatanos disputávamos, sob chuva um taxi. Não ter alternativa ante um problema é algo assombroso. O guarda-chuva que o André me presenteara antes do embarque e eu inaugurei então será peça de museu. Claro que não tenho foto para ilustrar a cena. Sempre me dou conta, especialmente agora, em que (quase) todos são fotógrafos, que ninguém tira fotos de um velório. Penso que essa é uma boa questão para refletirmos acerca dos porquês de tal comportamento.

Da cidade Medellín que me encantou em tantas dimensões o destaque maior é para o complexo metro-cable+bibliotecas e a esse associada a proposta maior do uso do Metro com Educação. Como escrevi aqui, em toda vida associamos ao mos teleféricos ais ricos,como para esses levar seus esqui ao alto das montanhas ou para turistas de vistas privilegiadas. Em Medellín duas linhas do metro são continuadas por duas extensas redes de teleféricos, que levam moradores à íngremes densamente povoadas encostas das montanhas.  ****  ****  **** Associa-se a isso um metro limpíssimo, se uma mácula e ainda as bibliotecas nas estações e ainda a magnífica biblioteca Espanha  ****  **** que está na linha oriental, que foi aquela que subimos. Essa cidade que tem uma história marcada pelo ‘cartel de Medellín parace que deu a volta por cima.

O segundo movimento quer trazer algumas imagens colhidas no Campus da Universidad de Nariño em Pasto. Dois são os temas principais de protestos da comunidade acadêmico: as propostas de mais reeleição do presidente Álvaro Uribe.`. ****  e as bases que os estadunidenses desejam instalar na Colômbia  ****  ****  **** **** Havia muita solidariedade a mortos durante marchas dos indígenas.

Depois deste recordar a Colômbia, donde voltei de 12 dias prenhes de emoções, desejo a cada uma e cada um uma excelente quinta-feira. Adito um convite para um encontro amanhã desde Santa Maria, para onde viajo ao meio-dia. É a primeira das 8 viagens pos-Colômbia, Além de participar do EDEQ, terei o privilégio de encontrar meu amigo José Carneiro que vem de Belém do Pará. Os fados que contei ontem aqui se ampliaram, pois coincidências nos levam inclusive ao mesmo hotel. Assim à Santa Maria da Boca do Monte.


 



Escrito por Chassot às 06h47
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Na celebração do meio da semana

 

     210UTUBRO2009

QUARTA-FEIRA

Festejando o meio da semana

Porto Alegre

Ano 4 # 1175

É uma quarta-feira. Um dia muito diferenciado na semana. Já contei aqui, que no ‘Sete escritos sobre educação e ciência’ começo cada um dos sete capítulos com uma mirada a cada um dos dias as semanas. Este conjunto constitui um hebdomadário.
Essa palavra não é usual em nossas falas, talvez até por exigências de quase habilidades fonéticas especiais. Mas ela tem um significado trivial: semanal ou relativo à semana, ou ainda, que se renova a cada semana. Também como substantivo, pode ser sinônimo de semanário ou de publicação ou de evento que aparece regularmente a cada semana. Realmente poderia parecer pedante alguém se referir ‘ao nosso encontro hebdomadário’. Na vida monacal medieva o hebdomadário era aquele que nos mosteiros e nos cabidos dos cônegos tinha um ofício litúrgico a cumprir por toda uma semana, como, por exemplo, celebrar a missa comunitária, fazer as leituras canônicas ou aquelas do refeitório etc. 
Pois é na abertura do terceiro capítulo que busco algo para esta blogada que marca a chegada à metade da semana. A nossa quarta-feira que nas línguas que nos são mais próximas [Espanhol > Miércoles // Francês > Mercredi // Italiano > Mercoledi] é o dia dedicado ao deus Mercúrio e também, como na terça-feira, nas línguas saxônicas, esse dia é dedicado a Wonden ou Wotan, pai dos deuses nórdicos. No alemão, temos uma singularidade única para esse dia da semana: Mittwoch traduz estarmos no meio da semana. Diz a tradição que em torno do ano 1.000 da era cristã, um monge de nome Notker 'cunhou' o termo in mittauuechun (no meio da semana) para substituir o nome do Deus pagão Mercúrio; aliás, o iídiche (mitvokh), acompanha o alemão do qual sofreu tanta influência. Assim, nessa singularidade o dia do meio da semana não dedicado a Mercúrio ou a Wonden, como outras culturas. 
Se Notker tirou a associação da quarta-feira a uma divindade pagã, ela carrega pelo menos em uma de suas edições anuais uma marca muito forte, tendo então um detalhe, que me consta, inédito nos outros 364 dias do ano: a quarta-feira de cinzas é o único dia do ano que se faz (pelo menos para algumas profissões) um hemi-feriado, pois a abertura de repartições publicas, escolas e mesmo alguns estabelecimentos comerciais, só ocorre a partir do meio dia.
Assim com lembramos a terça-feira gorda, miercoles in ciniza é uma data muito significativa em algumas culturas, como na de tradição hispânica, não só porque marca o início da quaresma, mas porque então se iniciam as piedosas procissões dos passos. Estas recordam, com piedade e mesmo com grandes manifestações de dor, o caminho da paixão de Jesus – a via sacra.
Numa quase simbiose entre as manifestações da piedade do catolicismo, vale buscarmos um pouco da mitologia greco-romano. Nossa quarta-feira é dedicada a Mercúrio, e sua história legou-nos uma denominação ainda hoje presente em nossos referenciais acerca das características sexuais de indivíduos.
Mercúrio é Hermes no Olimpo grego, deus do conhecimento. Dentre as imponentes estátuas de Mercúrio que conheço, destaco aquela que está no Largo da Rodoviária em Porto Alegre. Mercúrio foi um dos muitos amores de Vênus – a deusa do amor, a Afrodite grega –, que festejamos na sexta-feira [Espanhol > Viernes // Francês > Vendredi // Italiano > Venerdi]. Do romance entre Hermes e Afrodite, nasce um filho que recebe um nome formado da junção dos nomes do pai e da mãe: Hermafrodito, que traz em si a soma do conhecimento (do pai) e amor (da mãe). Sua natureza era de tranqüilidade e sabedoria, e não se sentia seduzido por sentimentos relacionados aos instintos humanos. Hermafrodito porém, transforma-se no objeto da paixão de uma ninfa do lago da Salmácida. Ele todavia, resiste e foge constantemente das investidas amorosas da pretendente. Ela não desiste e leva seu pleito até Zeus, com o pedido que o poderoso deus fizesse algo para concretizar o enlace. Zeus chamou Hermafrodito. Este propôs a Zeus que casaria com a ninfa se ambos fossem transformados em um único ser, unidos eternamente. Zeus o atende. Hermafrodito une-se à ninfa, surgindo da simbiose dos dois um novo ser assexuado, por ter em si mesmo as duas naturezas, masculina e feminina, que fez do lago Salmácida o seu novo lar. Reza a lenda que homens e mulheres que se banhavam nas águas deste lago, acalmavam suas paixões sexuais, vibrando com as alegrias de um amor mais intelectual e marcado pela bipolaridade sexual.
Encerro essa celebração mercurial com registros pessoais do dia de ontem. O primeiro tem uma dimensão acadêmica: foi o segundo encontro do mini-curso de História e Filosofia da Ciência dentro da Semana Nacional da Ciência e Tecnologia, que na Rede Metodista de Educação do Sul, como em edições anteriores, tem a Lucélia Jacques da Costa, coordenadora do Museu de Ciências/Herbário, com a expedita e atenciosa alma-mater da Semana. Foi muito gratificante mostrar as transições no ‘nosso século’ das certezas que dominavam a Ciência na virada do 19/20 às incerteza no 20/21. Esta tarde, teremos o terceiro encontro para discutirmos as mudanças paradigmáticas da Ciência.
Agora dois registros familiares: como contei ontem, tive a alegria de almoçar com meus quatro filhos, antecipando o usual almoço com o trio ABC, das sextas-feiras, que nesta em outras de 2009, serão raras, pois tenho, este ano, ainda oito viagens estudais/nacionais. Na foto de Daniel Oliveira, tenho a minha direita a Clarissa e a esquerda o André: na frente a O Bernardo e Ana Lúcia. Foi muito bom podermos ter hoje também a presença da Ana Lúcia.
Outra alegria foi ter ontem a minha neta Maria Antônia me entrevistando acerca dos significados das leituras de Érico Veríssimo para mim. Contei o quanto curti ter lido ‘Clarissa’ em minha adolescência foi significativo, talvez remotamente determinando o nome de uma de suas tias; depois a leitura da trilogia ‘O continente’, ‘O retrato’ e ‘O arquipélago’ que constitui ‘O tempo e o vento’, uma das obras maiores da literatura brasileira. Disse o quanto apreciava seus livros de viagem e que quando fui a primeira vez a Portugal, Erico Veríssimo foi quase meu cicerone. Disse que suas memórias, nos dois volumes de  'Solo de clarineta', são magníficas para se entender como um ajudantes de farmácia de uma cidadezinha do interior (Cruz Alta) vem a Porto Alegre e se transformas em um dos maiores nomes da literatura brasileira. A Maria Antônia ficou muito surpresa quando contei que o conhecia pessoalmente e me lembrava do anúncio da sua morte em 1975, quase às vésperas de completar 70 anos, como eu atualmente.
Nas fotos,  ©Leonid Streliaev:  Erico em um banco de bonde, meio de transporte ainda no final dos anos 1960s em Porto Alegre, logo dos últimos anos de sua vida. Na outra eu, como mais ou menos a mesma idade e a Maria Antônia, fotografados pelo Bernardo.
Ainda um registro muito significativo. Na noite de ontem o meu amigo José Carneiro, já muitas vezes presente desde a Linha do Equador neste blogue me escreve: Meu caro amigo prof. Chassot: Viajo nesta quinta feira - veja só, de repente - para Santa Maria, em missão sindical. Retorno na segunda feira, embarcando em POA às 11 horas. Que me diz da distancia entre Porto Alegre e Santa Maria? E do clima? E da cidade? E do percurso? Acho que não o verei, mas vibrarei em estar no RS. Grande abraço, JC.
Eis minha resposta: Meu querido José Carneiro, os anjos que cuidam de nossas agendas são generosos. Viajo nesta quinta para a mesma Santa Maria da Boca do Monte que tu. Deixo Porto Alegre às 12h30min, depois de percorrer 292 km, deverei chegar à primeira cidade que conheci na vida (lembra-te que sou filho de ferroviário e ali era o núcleo central da VFRGS) às 16h30min. Ainda não sei o hotel que vou ficar. Mas diferente que tu, que certamente vais a UFSM, no campus do Camobi, fico na UNIFRA, no centro da cidade. Volto de lá na tarde de sábado, depois de fazer a fala de encerramento do 29º Encontro de Debates de Ensino de Química, evento que iniciei em 1980. É talvez a cidade mais quente do Rio Grande do Sul, pois fica num panelão formado por cerros. Temos tudo para nos encontrar sob a proteção da Medianeira de Todas as Graças, cujo santuário poderia ser uma referência para estes dois alunos marista. Com expectativa, ac.
Posto essa blogada quando recém se inicia a quarta-feira – que desejo seja a melhor para cada uma e cada um de meus queridos leitores, pois as três horas de fuso em relação ao que vivi até domingo, ainda me fazem insone. Lemo-nos, queira todos  deusas e deuses, amanhã.


 



Escrito por Chassot às 01h33
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20/10/2009 *** Terça-feira *** Ano 4 # 1174

Talvez devesse dizer que essa terça-feira é um dia de voltar a rotina depois do périplo colombino. Devo convir que sou um privilegiado por ter usualmente em minha agenda fazeres dispares. Rotinas me são quase inusuais. Assim hoje, catalisado pela presença da Ana Lúcia em seu curso em Porto Alegre, o almoço com o trio ABC, será com meu quarteto, até porque na próxima sexta-feira, estou no EDEQ em Santa Maria.

Esta edição do blogue foi pré-escrita em meu lapkopf [Atenção mais uma vez! não estou me referindo a laptop. Criei, já há um tempo, a palavra lapkopf, aproveitando o substantivo alemão kopf (cabeça) por semelhança eufônica com laptop, para referir-me ao local de gestação de texto que faço em um disco não tão rígido e também com poucos recursos de salvar.] durante minha rentrée, esta manhã na Academia, onde precisei recuperar-me fisicamente, dos dias em que meus exercícios físicos maiores foram subir escadas, num país onde até fui hospedado no 5º piso de um hotel recém inaugurado, que não tinha elevador.

A estada na AT – onde fiz os meus 3,3 km em 30 minutos com mais dificuldade hoje – foi antecedida de um reencontro com jornais locais em suporte papel. Hoje as ausências são amenizadas com jornais eletrônicos. Mesmo que defenda a menor produção de celulose para impressão de periódicos em suporte papel, esses ainda me são mais palatáveis. Comparto com a Gelsa a assinatura de dois, é muito bom, depois de correr os olhos por eles, deixar em sua porta com uma mensagenzinha. Parece que estou aderindo aos diminutivos dos colombianos que fazem até o diminutivo dos diminutivos.

A propósito de lapkopf, ele foi muito usado na extenuante viagem BOG/GRU na virada de domingo para segunda-feira, quando preparei a fala de encerramento do EDEQ. Posso antecipar que já aprendi que no encerramento cabe algo consistente, mas breve. Prendo cumprir a receita.

Mesmo que tenha dita que não tenha necessariamente rotinas, há algo que marcam retornos. Ter o meu centenário carrilhão, cada quarto de hora, sob as bênçãos de Cronos, cadenciando o tempo na minha Morada dos Afagos, dá-me, a sensação de ‘estar em casa’. Aliás aqui, se na minha ausência terminou a safra de amora (e em recordação a minha amoreira tomei na Colômbia, em muitos momentos tomei ‘jugo de mora’) ela presenteou-me com uma safrinha de jabuticabas.

Ontem fui surpreendido com a chegada quase simultânea de sete comentários em blogada postada em 4 de outubro – luto por Mercedes Sosa – eram de alunas e aluno da Pedagogia do Centro Universitário Metodista - IPA, que orientados pela Professora Eunice Maria Nonato, trabalharam na disciplina Currículo e Cultura que conheci o texto publicado na revista Competência do Senac-RS o texto: "Blogues como artefatos culturais pós-modernos para fazer alfabetização científica". São muito pertinentes as observações dos estudantes acerca de duas interrogações a perguntas como: para quem escrevo? para que escrevo? e por que escrevo? Fiquei comovido, e agradeço aos amáveis comentários da Roseli, Fernanda, Aline, Ana, Giana e Elenita e do Valdir. Sou reconhecido também ao prestígio que me confere minha colega Eunice, por usar em salas de aulas meus escritos.

Ontem meu retorno ao Centro Universitário Metodista - IPA teve dois momentos. No primeiro, dei as duas primeiras aulas, das seis que se constituem o curso de História e Filosofia da Ciência dentro de mais uma edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia – evento que a cada ano ocorre sob auspicio do Ministério de Ciência e Tecnologia –. Foi muito bom discutir temas epistemológicos com 16 estudantes de Biologia, Biomedicina e Filosofia. Já estou prelibando a edição desta tarde. Não posso dizer o mesmo de meu encontro semanal com os alunos de Filosofia deste semestre. Ao contrário dos encantamentos que tinha com o grupo do semestre passado, nesse são arredios e isso me desestimula. Afortunadamente sempre reencontro encantado, antes das aulas, com turma do semestre passado, numa operação saudade.

Ainda acerca de recuperar os dias que estive ausente, duas mensagens de leitores que um e outros estão na linha do Equador: de Belém recebi: Caro prof. Chassot: Enquanto você fazia seu périplo pela Colômbia, eu circulei entre o Paraná, Mato Grosso e Rio. Fiquei ausente, veja só, do Cirio de Belém (pela segunda vez) e dos blogues e hoje acabei de atualizar a leitura do seu. Como sempre, um grande prazer. Receba meu abraço, José Carneiro. De Guayaquil, referindo a minha meteórica estada no Equador fui aquinhoado com este comentário, também a propósito da obra de Botero: “Muy querido Profesor Chassot, Botero afirma "No, yo no pinto gordos." Es claro que el recurso reiterado de la hiper volumetrización es su sello personal. Ciertamente, contrasta con la mística alargación de las imágenes que en cambio recurrió El Greco. Personalmente, aquello que más me llama la atención de sus obras (pinturas/esculturas) es la aparente rigidez o falta de movimiento, que sin embargo buscan expresar "serenidad". Qué chévere que estuvo ~aunque brevemente~ en Ecuador. Ojalá que la dupla de brillantes profesores que forman usted y su esposa puedan algún día enriquecer con falas "ésta mi tierra linda" (como dice una canción a propósito del Ecuador). Un saludo carinoso, Matilde Kalil”.

Esta manhã recebi Apreciado profesor Chassot: “Acabo de regresar de México y, aunque lamenté no haber podido estar aquí durante su visita, me alegró mucho escuchar lo muy positiva que resultó su presentación y lo contestos que estuvieron los profesores que pudieron discutir con Ud. Le agradezco nuevamente su disponibilidad y espero que nos pueda volver a acompañar en el futuro. Finalmente, le adjunto el link a la página de la universidad en el que esta semana se reseña su visita (ver el roster de fotos) http://www.uniandes.edu.co/ Cordial saludo, Juny Montoya Vargas, PhD, Directora del Centro de Investigación y Formación en Educación, CIFE Universidad de Los Andes”. 

Também, hoje, recebi algumas fotos de Roger Triana, Reportero Grafico da Oficina de Comunicaciones, Universidad de los Andes. Trago uma aqui  e me permito fazer uma analogia com o cartaz da Feria del Libro de Bogotá, que uso há muito em minhas falas.

Essa tentativa de acertar de novo o passo por aqui já se alonga. Encerro desejando que a terça-feira seja produtiva e faço votos que possamos nos ler aqui amanhã. Anuncia que ainda tem algo mais da Colômbia para contar.




Escrito por Chassot às 11h19
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Novamente em Porto Alegre! Viva!

 

 

 

 

 

190UTUBRO2009

 SEGUNDA-FEIRA

De novo desde a Morada dos Afagos

Porto Alegre

Ano 4 # 1173

Ontem à noite, ainda em Bogotá, pressentia que meu plano de voltar a postar este blogue no Brasil em Guarulhos como em 07 de outubro abortaria. Quando partiríamos pontualmente às 20h30min (hora local, agora, com 3 horas de diferença no horário de BSB) uma passageira pede para descer, sob alegação que não viajaria em avião no qual as luzes estava piscantes. A comissária ofereceu-lhe um suco de laranja para que ela se acalmasse. Ela desceu, e tempos depois, a mais de centena de passageiros teve que fazer o mesmo. Ficamos confinados na sala de embarque, sendo que fui impedido de ir ao embarque da Gelsa, na sala ao lado, para avisar que atrasaríamos. Mais de uma hora depois fomos reembarcados e partimos sem a dita passageira. Chegados a São Paulo a fila da Polícia Federal, para imigração era imensa. Consegui, com quase sorte, fazer a conexão. O vôo da Gelsa deve ter atrasado também, pois ela só chega a Porto Alegre no começo da tarde.

A blogada de hoje se constituirá num breve relato do último dia colombiano. Pela manhã deixamos o Hotel em Medellín, às 07h30min. Uma vez mais, como a Gelsa na quarta-feira e eu na quinta-feira, tivemos as atenções do senhor Francisco, a serviço da U de A. Desfrutamos a paisagem e nas três fotos dois momentos da viagem, em um belvedere. **** **** *Em menos de 50 min estávamos em Rionegro.

O voo para Bogotá partiu pontualmente às 09h30min. Então, como na parte terrestre,uma vez mais contemplamos as ricas fincas e extensos ‘invernaderos’ para a produção de flores. 45 minutos depois estávamos na capital. Deixamos as malas no aeroporto e fomos ao centro, antecedido de uma rápida circulada pelo Campus da Universidade Nacional da Colombia e nos pavilhões das Feiras, onde se realizam inclusive as memoráveis feiras do livro. Tinha uma referência que me recordava o aziago anoitecer de ‘pasado miércoles’ quando vivi meu único momento de tensão desta viagem, que quase se encerra: Uma disputa de memorável de taxi, que narrei aqui na última quinta-feira.

Chegados à zona central, por primeiro circulamos em feira de artesanato andino e de livros usados. Um tempo depois contatamos, pelo eficiente serviço de alugar por minuto um telefone celular, ao casal Aldo Parra e Lina Telles. Ele já referi aqui, no último sábado quando referi aquele que, a meu juízo, fora o melhor trabalho, que assisti no X Encuentro Colombiano de Matemática Educativa na Universidad de Nariño em Pasto. Sua esposa Lina é psicólogo. O jovem casal foi uma muita agradável companhia na nossa tarde bogatana.

Inauguramos nosso encontro com os dois professores com um almoço em um restaurante que funciona em uma casa original do século 18. Uma vez mais para recordar minha estada recente, a Gelsa e eu saboreamos aquela refeição que então me encantara: A sopa, chamada ‘ajiaco’ batata, espiga de milho, frango desfiado, creme de leite, alcaparras, abacate (que diferentemente do Brasíl é usado em almoços), guascar (temperos verde) e hagao (um preparado de tomate, cebola fritos no azeite). Desta vez substitui o arroz por yuca (o nosso aipim). As fotos ilustram uma cena do almoço  e três ângulos do centenário restaurante: XX

Depois do almoço, ciceroneados por Lina e Aldo fizemos uma linda recorrida na Candelária onde vimos diferentes prédios históricos na região da Candelária, ponto germinal da hoje movimentada capital. Não tenho como oferecer aos meus leitores o registro de prédios significativos que conheci: Destaco alguns: magnífico prédio da Biblioteca Nacional. , a extensa Alcadia cccc O palácio da Justiça, a Cãmara dos deputados, o imponente Colégio San Bartolomeu, , a casa Nariño ou o Palácio Presidencial, A janela de onde Simão Bolívar escapou de uma tocaia quando dormia nos braços da amante, feito registrada em latim . A majestosa catedral metropolitana,  que mesmo sendo meia tarde iniciava missa muito concorrida. Assim em umas poucas horas dominicais, vi mais de Bogotá, que no começo da semana em mais de três dias. Claro que então a proposta era outra.

Outra parte das horas foram dispendidas na visitação de uma galeria de artesanato, onde – até eu – terminei seduzido aos sábios estímulos da Gelsa, comprando-me um blusão de alpaca do artesanato andino e boné de couro de ovelha, para combinar com o casaco que comprara no outro. Também saboreei na viagem ‘La muerte y otras sorpresas” de Mario Benedetti que comprei no praça ontem. 

Ainda alguns registros da tarde na Candelária bogatana  *** *** ***  ***

Voltamos de táxi ao El Dorado onde primeiro redistribuímos bagagens. A Gelsa fez ene tentativas junto a Varig/Gol e a Avianca. Não houve solução. E um pouco mais de 19h um momento muito difícil na viagem. Separar-nos, quando uma e outro viajaríamos, durante cerca de 6 horas, para um mesmo destino, com uma hora de diferença entre o embarque. E as seis horas se estendem ainda, pois a Gelsa não alcançou a conexão.

Ainda tenho muito a digerir acerca desses dias colombinos. Foi uma viagem muito diferente. Há algo mais a contar. Agora, uma boa segunda-feira, que já vai adiantada. Relevem o atraso na postagem desta edição. Uma semana produtiva a todos. Para mim esta será com muitos fazeres. Essa tarde começo um curso de História e Filosofia da Ciência dentro da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Centro Universitário Metodista - IPA e a partir de quinta-feira estarei na UNIFRA em Santa Maria para a 29ª edição do EDEQ. Mas isso não é assunto para agora. Um afago a cada uma e cada um mais uma vez da Morada dos Afagos.


 


 

 

 

 

 



Escrito por Chassot às 12h29
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Adios Medellín

      180UTUBRO2009

DOMINGO

Ano 4 # 1172

De Medellín â Bogotá e desta a São Paulo, e então, Porto Alegre.

 

O domingo traz como marca despedir-se da Colômbia. Aqui vivi doze dias, alguns dos quais, de muitas emoções. Dentro de mais uns minutos deixaremos Medellín rumo a Rio Negro, com o senhor Francisco, a serviço da Universidad de Antioquia. Alí, tomaremos o voo para Bogotá. Vamos, então, turismear, por algumas horas na capital colombiana. À noite partiremos para São Paulo. Nessa etapa da viagem ocorre algo insólito. Por exigências da Universidad de Nariño, que patrocina a viagem da Gelsa, esta não pode ter sua passagem comprada em empresa brasileira, quando eu já tinha passagem comprada na Gol. Nossos voos partem com uma hora de diferença, assim, muito provavelmente nos encontremos em Guarulhos para o voo à Porto Alegre. Essa prática – separação do casal – das famílias reais e de grandes fortunas nos desagrada muito, mas enfim, serão seis horas de que não coaremos juntos.

Nosso sábado, quando uma e outra já tínhamos encerradas as atividades que nos trouxeram aqui, foi marcado por gostosa fruição desta Medellín que continua a nos conquistar. A manhã se inaugurou com um despertar preguiçoso, o único destes dias, seguido de um ‘desayuno’ inusual, pois incluiu sopa de costela, feijão com arroz, frutas, além é claro de café – e nisso se diz que o colombiano é imbatível – e leite e pães. Então fomos de táxi ao centro da cidade. O estar aí teve dois momentos.

Primeiro estar mais uma vez no ‘paseo del carabobo’ que já referi aqui na sexta-feira, ofereceu algo imprevisto. Era aquele sábado que ocorria o evento mensal: “Medellín: Ciudad y campo a la vez”: quando a moderna cidade se compenetra com os pequenos povoados rurais – corregimientos – sendo autênticos paragens naturais que são trazidas à cidade. Pequenos agricultores vem vender sua produção agrícola e artesanal. Dentro dos 5 corregimientos de Medellín, conhecemos um pouco Santa Elena, quando a Gelsa comprava uchuva – uma fruta silvestre (Physalis peruviana L.) chamada também de capulí, poga poga, tomate silvestre, tomatilho, uvinha. É da família das solonáceas e assim possui características similares à família da batata, do tomate e do tabaco. Mesmo quando crescida é arbustiva. Segunda a ‘amiga da Gelsa’ ela cura 39 doenças. No Brasil já a vimos usada em decoração de tortas requintadas. Nas fotos se vê a Gelsa com as senhoras de Santa Elena  ***  ****, inclusive recebendo uma rosa.

Em momento paralelo eu ouvia maravilhado o senhor Francisco Javier Betancourt um líder envolvido com a difusão das rádios comunitária.

A caminhada pelo de ‘paseo del carabobo’ nos leva ao Museu de Antioquia que é o segundo momento da manhã: O museu de Antioquia.Está está localizado na Plaza Botero. Depois de serem exibidas por algumas temporadas em ciudades como Paris, Nova York e Madrid, entre otras, Fernando Botero doou a Medellín algumas de suas esculturas monumentais. Em 2002 foram instaladas em frente ao edificio de Museo de Antioquia, em uma praça de 7 mil metros quadrados construída em 1999. Neste blogue desta sexta-feira, apresentei algumas imagens. As 26 peças foram fundidas em bronze, na Itália, em processo dirigido minuciosamente por Botero, que elabora previamente desenhos minuciosos. *** 

O terceiro andar do museu, onde inicia exposição, tem dois setores: um de obras de renomados artistas mundiais doadas por Fernando Botero como Rodin, Tapies,Max Ernst, FranK Stella, Sophia Uri, Manolo Valdez, Eufino Tamaio,  Rauschenberg,  Trankenthaler, Sam Francis. Outra formada por 150 obras, onde nos surpreederam seus desehnos de Botero também doadas por ele ao museu.

No 2º e 1º estão um reconhecido acervo do museu.

A seguir estão algumas fotos tiradas nos corredores do museu, em corredores onde é permitido tirar fotos.  ***  **** **** 

Depois de nos encantar com muitas obras, estivemos por um tempo na loja do museu onde admiramos lindos souvenires. Eu optei por presentear a Morada dos Afagos com um pequeno bordado tradicional, chamado de um estilo chamado ‘mola’.

Almoçamos no hotel e depois de um desejado descanso, com os casais Iolanda e Rodrigo, Diana e Carlos e ainda a graciosa Alice, subimos ao Cerro Nutibarra,

O Cerro Nutibara é uma pequena formação montanhosa na margen occidental do rio Medellín, no centro geográfico d0 Valle de Aburrá, no meio da zona urbana. É um dos poucos ecossistemas que se conservam na região urbana;

Com 33 ha de Extensão e 80 metros de altura sobre o nível da cidade oferece uma imponente panorâmica sobre toda a urbe.

No alto se encontra o Pueblito Paisa, uma alegoría aos munícipios da Región Paisa construido en 1977. También se encuentra um Teatro al Aire Libre com uma capacidade de 3.800 espectadores, e também há Parque de las Esculturas. Tivemos ali oportunidade de fazer uma muito interessante visitação. Algumas fotos registram cenas do local. ************ ***

Já era noite quando em torno de uma mesa, com sucos e com alguns acepipes típicos celebramos despedidas com colegas de Medellín, ratificando nosso encantamento pela cidade que nos cativou.

Agora partimos. Amanhã pretendo postar esse blogue de Guarulhos, trazendo como encerramento desse ‘diário de um viajor em terras colombianas’ algo de nossa dia na capital. Então, até o Brasil e um bom domingo a cada uma e cada um que para muitos brasileiros tem apenas 23 horas.




Escrito por Chassot às 09h52
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