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08MAR2008* SÁBADO |
Porto Alegre
Dia Internacional da Mulher |
Ano 2 # 583 |
Uma data que não se pode deixar de dizer que se trata de mais um “Dia de...” mesmo que o deste sábado seja de merecidas homenagens, foi/é também apropriado pela mídia, para com o mote de se fazer homenagens, vender-se. A data de hoje não é diferente de outros “Dia de...” como o dia das mães, dos pais, da criança, dos namorados.
Mas antes de fazer meus comentários à data e também render as justas homenagens às mulheres de minha vida, o registro deste sábado, que – se não fosse a dolorosa estiagem que cresta o Rio Grande –, se diria que fora um dia bonito e de tempo bom. Recebi, na minha reclusão do quarto e último fim de semana agélsico, duas visitas.
Pela manhã, esteve na Morada dos Afagos por quase 2,5 horas meu amigo de longa data
Também esteve para partilhar um chimarrão ao pôr-do-sol o meu estimado orientando
Depois destes dois potins sociais, volto ao Dia Internacional da Mulher. Mesmo que o Macaco Simão não esteja entre meus cronistas preferidos, dou-lhe razão: é um porre ler/ouvir certos comerciais ou comentários num dia como hoje. O mais hilário que ouvi esta manhã foi que “D.João VI, ao chegar ao Rio de Janeiro em 7 de março de 2008, esperou 24 horas para desembarcar, para fazê-lo no Dia Internacional da Mulher (sic).” Há homenagens que são ridículas, como aquela que fez o prefeito de Porto Alegre, que no dia de hoje trocou todo o seu secretariado por mulheres; esse secretariado de mentirinha vale as homenagens pela data.
Entre as dezenas de peças publicitárias, algumas de bom gosto, que merecem contemplação, há muitas que na minha leitura afrontam a mulher. Destas vou destacar duas, ambas milionárias, pois são coloridas, de página inteira em jornal de expressiva circulação. Uma é aquela de uma grande marca de produtos de beleza, exploradora das mulheres, pois com a idéia de mulher produto que deve ser apetecível, vende por altos preços seus cosméticos e assemelhados. Outra é a de uma clínica de cirurgia plástica, oferecendo em homenagem a data seus serviços para aperfeiçoar os corpos femininos, que podem ser pagos em 36 meses. Comentei duas, poderia citar uma dezena, como as peças publicitárias em homenagem à data de cervejas, clubes de futebol.
Na p.A3 da Folha de S. Paulo de ontem, Maria Tereza Maldonado e Rose Marie Muraro – que não sabia ser pela ‘Patrona do Feminismo Brasileiro’(Lei 11261/2005) – escrevem um excelente artigo “Corpos de consumo” acerca de um pacote de cirurgia pós parto. Esse texto é imperdível. Disponho-me a remeter a quem não tem acesso a Folha on-line ou versão papel.
Penso que tenha oferecido pelo menos duas contribuições em meus escritos para que abandonemos posturas machistas que ainda grassam no mundo hodierno. Esta é uma das responsabilidades sociais que nos são cometidas.
A mais significativa delas é meu livro A Ciência é masculina? É sim, senhora! no qual parto do princípio de que não somos assim por acaso, são analisadas três vertentes que nos constituíram como humanos no mundo ocidental: a grega, a judaica e a cristã. A análise das (des)contribuições destas três raízes nos fizeram uma sociedade machista, na qual a
Outra é o capítulo acerca de bruxaria de meu livro Educação conSciência onde faço uma revisão das concepções de ‘bruxas’ criada pelos homens para manter a perpetuação masculina do poder. Isso já me obrigou, entre outras, a abandonar uma leitura dicotômica de Ciência quando dizia que esta era ora uma fada e ora uma bruxa. Tenho mostrado que se eu chamar alguém de bruxa deve ser lido como uma referência marcada por elogios. Eram chamadas de bruxas aquelas mulheres que se destacavam em conhecimentos (previsões meteorológicas, melhoramentos de animais e plantas, medicação de doentes...) que os homens não queriam perder para as mulheres.
Assim essa blogada de hoje é uma homenagem muito carinhosa a todas as minhas queridas leitoras. Faço uma menção especial a algumas perto/longe que recebem minha admiração: minha mãe (com saudade); a Gelsa – minha querida mulher; a Liba, minha sogra, que recebeu meu primeiro telefonema hoje; as minhas amadas filhas Ana Lúcia, Clarissa, Laura e Julia; as minhas noras muito especiais Carla e Tatiana; as minhas doces netas Maria Antônia e Maria Clara; e a D. Eunice também pelo cuidado de minha casa.
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07MAR2008* SEXTA-FEIRA |
Porto Alegre
www.atticochassot.com.br |
Ano 2 # 582 |
Uma sexta-feira que traz as marcas de dia de verão daqueles particularmente abafados
Hoje me envolvi em duas frentes acadêmicas. Uma com a complementação de texto que a Vândiner e eu mandamos para a revista Alambique de parcela. Foi aceito, mas pedem uma complementação para uma possível prática de sala de aula. Na outra reviso (e atualizo) um texto que escrevi em 1996 Saber científico, saber escolar, saber popular, publicado na revista Presença Pedagógica, número 11. Reformulo para fazê-lo um verbete para o Dicionário Crítico da Educação que será publicado pela Editora Dimensão de Belo Horizonte. Tenho feito muito recentemente (depois da visita que fiz em 5 de fevereiro ao Museu das Artes Primeiras, que mantém “L’université populaire du quai Branly” sobre a qual escrevi em 17 de fevereiro) a opção de usar o adjetivo primevo ou primeiro, ao invés de popular ou mesmo cotidiano. Quando nos referimos a popular, esse adjetivo já vem muito marcado, pois pode significar vulgar, trivial, plebeu e com isso já se descaracteriza o saber.
Ainda a propósito do comentado aqui ontem, acerca dos buscadores (tipo google...) lembre-me de fazer um comentário sobre algo que me encanta nesses novos espaços para fazermos Educação.
Nas minhas tessituras desse mundo que não sei se fantástico ou até fantasmagórico, com a Educação e nessas com o currículo penso que o melhor exemplo de uma construção coletiva na rede é a Wikipédia - uma enciclopédia grátis on-line - criada em 2001, que cresce a uma taxa de 1.500 artigos ao mês. A versão em inglês - http://en.wikipedia.org/wiki - tem já quase 2,3 milhões artigos (hoje). Há versões em cerca de 50 idiomas, alguns até exóticos para nós, sendo que a versão em português - http://pt.wikipedia.org/wiki/ - apresenta mais de 364 mil artigos. Seus verbetes são produções gratuitas de qualquer indivíduo que queira disseminar conhecimento. O sítio utiliza a ferramenta Wiki, que permite a qualquer pessoa, melhorar de imediato qualquer artigo.
A Wikipédia contém uma vasta quantidade de informação sobre os mais variados assuntos. Caso não se encontre algum assunto ou tenha dificuldade de encontrá-lo, pode-se registrar a sua necessidade na lista de solicitação de artigos. Por outro lado, se num artigo não encontrar toda a informação relevante, pode-se usar a página de discussão desse artigo para colocar as suas dúvidas.
Há ainda um conjunto de normas de como proceder e também recomendações do que não pode ser feito; por exemplo, nunca copiar para a Wikipédia material de outras fontes, exceto quando se tratar de material de domínio público ou se tiver a autorização expressa do autor. O motivo é simples: os direitos de autor estão defendidos por legislação adotada por todos os países do mundo, e se um autor se sentir lesado pode processar a Wikipédia, o que provocaria danos muito sérios ao projeto. Há um código de ética entre os wikipedistas, especialmente para se evitar proselitismos, afrontas raciais ou religiosas e publicidade. Já redigi alguns verbetes que foram aceitos. Outras, não, ou porque foram considerados ‘plágios’ pois usei citações inadmisíveis ou porque eram demais laudatórios.
Em bancas que participei mais recentemente tem sido questionado o uso desta fonte como referências. Minha posição é: Todos nós usamos diuturnamente essa enciclopédia que a meu juízo é um monumento à socialização do conhecimento, mas sempre o fizemos com ressalvas, pois sabemos de sua vulnerabilidade. É lamentável, que haja humanos que tem como ‘hobby’ introduzir erro nos artigos. Por isso a exigência de uso crítico da mesma.
Há um muito criterioso sistema de cooperações que merece ser consultado. Qualquer tentativa de descrever mais a Wikipédia aqui seria deslustrá-la. Todavia é preciso convir que estamos diante de um artefato cultural que se faz um currículo diferenciado para nosso fazer Educação.
Assim, encerro com meus votos de um muito bom fim de semana a todos. Às mulheres pela data de amanhã dedicarei o texto sabatino.
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06MAR2008* QUINTA-FEIRA |
Porto Alegre
www.atticochassot.com.br |
Ano 2 # 581 |
Uma quinta-feira, na qual tive mais uma estréia neste 2008 letivo: ocorreu esta noite no Centro Universitário Metodista IPA no Mestrado no Mestrado Profissional de Reabilitação quando do primeiro encontro do Seminário dentre em 11 noites de quintas feiras do seminário de História e Filosofia da Ciência. A turma terá quatro alunos, mas na abertura só estava a Vanessa – uma terapeuta educacional que até junho defende seu mestrado
Também falamos da rapidação das mudanças dos dias atuais, onde um comentário que fizera num texto de que ‘estar sem protetor solar hoje parece que nos faz sentirmos nus’, quando aprendi que já há roupas (infantis e para adultos) com protetor solar. Ter uma terapeuta ocupacional como aluna ensejo discussões acerca do ‘gasto de energia física’ que despendemos em academia sem que resulte em trabalho útil, numa leitura marxista de produção. Foi uma muito boa estréia.
Mas esse preâmbulo é para discorrer acerca outra natureza de pedidos, que exemplifico com uma mensagem que foi postada hoje em minha página pessoal do orkut, que transcrevo ipsis verbis: Professor...gostaria de uma ajudinha, o senhor sabe onde posso encontrar algo sobre a Reforma Franscisco Campos de 1931? em algumas trechos...qdo estudei na graduacao, sobre as competencias do professor ele menciona o carater historico no ensino de química. Eis o que respondi: Coloquei no Google ‘Reforma
Sei que frustrei o solicitante, mas parece que, com a facilidade dos buscadores, não cabe um pedido como o que recebi.
Outra recebida esta tarde é mais pertinente: Ola , professor Attico... gostaria da sua ajuda , para ajudar no TCC, meu sera mais ou menos PARA QUE É UTIL A QUÍMICA NO ENSINO MÉDIO, vou usar um de seus livros como referencia, gostaria se existe mais algum tipo de livro q trade deste assunto, sendo q depois vou levar esta pesquisa adiante, para o mestrado... desde de ja agradeço. bjs...Zilda. Ainda não respondi, pois para esta não cabe qualquer resposta, até porque a Zilda quer transformar seu Trabalho de Conclusão de Curso em uma proposta para fazer um mestrado. Se algum leitor quiser se associar à minha tarefa agradeço.
Como a sexta já se avizinha, resta apenas desejar uma muito boa noite a cada um e cada uma.
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05MAR2008* QUARTA-FEIRA |
Porto Alegre
www.atticochassot.com.br |
Ano 2 # 580 |
Prezado Prof. Dr. Pe.
M.D. Reitor da UNISINOS,
(antes de ontem, talvez, começasse: Amigo Marcelo),
escrevo para ti, pois não tenho como saber a quem deva me dirigir. Ontem vivi um dia não trivial. Assinei a rescisão de meu contrato de trabalho. Foi tudo muito tranqüilo. O ritual de ir ao SINPRO dá uma segurança ao demitido e vi o quanto a Universidade não foi mesquinha pagando até dois dias (sábado e domingo) que estavam entre as ferias e o início do aviso prévio. Aliás, não sabia que não precisava cumprir em atividade esse período, tanto que nele fui algumas vezes ao trabalho. Tenho três doutoras que defenderam mais recentemente e há ‘rescaldos’ das defesas para incorporar a versão final da tese. Há, ainda, dois mestres que defendem nos dias 14 e 17, dentro do período no qual ainda ‘cumpro’ aviso prévio.
Mas agora vem a razão de escrever-te. Ao chegar a casa vindo de uma situação que era a culminância de semanas de ‘atrapalhos’ vejo que tivera – sem que me informassem – vedado o meu acesso a minha caixa de correio da UNISINOS. Isso, Marcelo, me faz indignado. Ao sair da Universidade, depois de ir ao SINPRO, vi que havia mensagens. Disse-me: respondo-as em casa. E eis que sou podado draconianamente do acesso a minha correspondência. Acredito que não se possa fazer isso a um professor que a instituição diz jubilar. Dessem-me um tempo: por exemplo, até o término do aviso-prévio. Quando recebi comunicação para comparecer à rescisão já me avisaram para devolver os livros à Biblioteca. Achei deselegante, mas engoli junto com uma lágrima. Tu sabes quantas vezes nos encontramos na biblioteca, que tu dizes ser ‘a tua cachaça!’
Quanto o correio eletrônico a situação é crítica. Pois quem escrever para chassot@unisinos.br (sempre tive orgulho em fornecer esse endereço nas muitas palestras que fiz) nem sequer ganha aviso de mensagem devolvida. Desde ontem tenho feito esse teste.
Não vou pedir que me consigas acesso à caixa postal para ver endereços das mensagens recebidas, mas que contates o gerenciador da rede que por um período redirecione as minhas mensagens do endereço da UNISINOS para o endereço do remetente desta mensagem. Eu não faço esse pedido diretamente ao webmaster, pois sem acesso à minha caixa postal não tenho endereços. Acredito que alguém que tanto prestigiou a instituição mereça isso.
Peço que releves trazer ao Reitor um problema aparentemente irrelevante, mas preciso da ajuda de alguém, e lembrei do amigo e não do Reitor.
Com continuada estima e admiração, attico chassot.
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04MAR2008* TERÇA-FEIRA |
Porto Alegre
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Ano 2 # 579 |
A terça-feira muito diferente esta, mesmo que ainda me reste a jornada de 2 x 2 aulas Políticas da Educação no Brasil no Metodista para os cursos de História e Filosofia. Estive pela manhã e parte da tarde na UNISINOS, onde a tarde houve o ato formal de rescisão do meu contrato. Pela manhã fiz o exame demissional, quando o médico elogiou minha saúde disse: ‘mas não é considerada apta para esta Universidade!’ Para então ele perguntar se trabalho em outra instituição.
A demissão ocorreu no SINPRO em São Leopoldo e foram corretissimos no pagamento. Pagaram até o sábado e o domingo entre o termino das férias e começo do aviso prévio, que soube hoje, que soube então, não preciso cumprir. O mais deplorável nessa demissão ocorreu agora. Fui acessar meu correio eletrônico da Unisinos e ele já foi bloqueado, Não fui avisado nada disso. Ao sair de minha(!) sala vi que na caixa postal havia mensagem que deixara para responder em casa. Isso me deixa indignado.
Pela manhã além de um encontro
Mas vale mostrar aqui o começo de um, enviado por fax, à Secretaria do Programa de Pós Graduação em Educação desde a Salsicharia cxcxcxc. Em papel já quase desbotado por mais de 7 anos de escrita, lê-se. “Vxcxcxcxcxv, 06 de junho de 2001. Professor Chassot. Olá! Fiquei muito preocupada e até mesmo indignada quando fiquei sabendo que a turma 53 (Metodologia do Ensino de Ciências) realizou um trabalho na 5a feira dia 31/05/01 quando eu não pude ir a aula. Não sei se o senhor se lembra de mim, mas posso afirmar que só faltei no dia 22/03/01 quando estive doente, inclusive apresentei-lhe atestado médico que o senhor nem quis olhar e nesta quinta-feira, por motivos pessoais (meus filhos). [...] Sei que o Senhor é uma pessoa muito atarefada, mas se puderes me dar um retorno com alguma solução para meu caso, ficarei grata. Caso o senhor achar que podemos resolver isso dia 21/06/21 tudo bem. Agradeço a atenção. [...]”
Ter guardado essa folha de fax amarelecida traz um exemplo da minha dificuldade de colocar coisas fora. Não sei como foi resolvido o problema da Sra, Salsicheira, mas o bilhete serve para vermos a arrogância de certos estudantes. Esta se indignou por eu ter feito um trabalho em sala no dia que ela faltou.
Fiz hoje algumas despedidas: dei um tchau para o pessoal da agencia dos correios, da qual fui sempre um bom usuário, especialmente para mandar livros. Estive na Livraria Cultural para dizer aos amigos que serão raros nossos encontros. Também de um tchau especial ao ‘caminhão do pão’ que a cada terça-feira oferece boas oportunidades do compra.
Ao chegar em casa dei uma faladinha
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03MAR2008* SEGUNDA-FEIRA |
Porto Alegre
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Ano 2 # 578 |
Mesmo que ontem já houvesse feito declaração pública que não esposo a tese que o ano comece em março, a primeira segunda-feira de março me alcançou de calça curta, como eram os falares de antanho. Passei receoso com as estréias da noite. Final, não dizemos que uma das marcas da profissão docente é a ‘não rotina’. Cada ano novas turmas e cada semanas novas aulas...
Assim estou chegando do Centro Universitário Metodista IPA, onde fiz estréia nas turmas que terei nas noites de segundas-feiras. Nos dois primeiros tempos [19h10min-20h50min] dei as primeiras aulas de Políticas de Educação no Brasil para um grupo de 62 alunas e alunos do curso de Licenciatura
Como com as turmas de História e Filosofia que inauguraram meu semestre na graduação além da apresentação da disciplina, com todas as implicações de propostas de planejamento e de avaliação, propus um problema de pesquisa: Qual o perfil da história educacional familiar da turma de terceiro semestre do curso de Licenciatura em Educação Física do IPA? Ou.... do curso de Biologia? Com o problema se passou a apresentar opções teóricas e opções metodológicas. Houve boas discussões em termos de estudos teóricos que poderiam ser chamados para sustentar a pesquisa e também refinados instrumentos para fazer a coleta de dados. Vale destacar na noite hoje tratava-se de colher dados em duas turmas de mais de meia centena participantes e como cada um trazia informações de seis ascendentes, isso se tinha em cada turma mais de 300 dados.
Fizemos esquemas semelhantes aquele da última terça-feira, que então contei aqui. Mesmo que das turmas de hoje houvesse cerca de 15% onde o pai ou mãe chegaram a Universidade ainda a maioria pertence a geração que por primeiro ascende a Universidade. Nas duas turmas cerca de 5% de avós ou avôs chegou a curso superior. A maioria dos avós paternos e maternos tem apenas ensino fundamental incompleto. Há um número muito significativo de estudantes (mais de 1/3), nas duas turmas, que desconhecem dados sobre a segunda geração de seus ascendentes.
Quando eu chegava em casa, mesmo que na Dinamarca já fosse mais de 3h, de um dia que a Gelsa viaja para Roma, pela manhã, ela me fez uma surpresa: chamou-me pelo skipe. Foi muito bom.
A terça já chega e ela também reserva emoções. Uma boa noite a cada um e cada uma.
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02MAR2008* DOMINGO |
Porto Alegre
www.atticochassot.com.br |
Ano 2 # 577 |
O domingo começou toldado de nuvens. À tarde tivemos um sol brincando de esconde-esconde. Ao entardecer, quando tive a visita de meu sobrinho Emerson – um biólogo expertise em cicadáceas – houve um bis de ontem: chuvisco com sol. Agora chove gostosamente
Ser março determina novos posicionamentos nas novas reflexões temporais. Já se chegou a dizer que o ano começa no Brasil em março, e mais, que começa para valer depois do carnaval, mesmo quando este não é precoce com neste 2008. Sempre achei isso uma asneira. (desculpem, mas esta palavra pertence ao meu rol de palavras feias, que se contrapõe ao rol de palavras bonitas que comentei em dezembro, mas aqui e agora ela cabe!). Mas sempre me impressionam como essas balizas – dias, semanas, meses, anos – que temos em nossas vidas determinam o nosso pensar a respeito do tempo.
Assim, não poder dizer na sexta-feira, mas poder fazê-lo no sábado algo como: ‘No mês que vêm nossos três abrilinos (75% dos meus netos) fazem aniversários: Antônio, um ano; Maria Clara, dois; e Guilherme, três!’ faz diferença. Nesta madrugada vi, que poderia dizer: ‘No domingo que vem, a Gelsa começa a retornar!’ o que não valia algumas horas antes.
Mas para abril – ou melhor: para mês que vem –, em meio a uma agenda de congressos e viagens, há uma promessa, cada vez mais concreta: lançamento de Sete escritos sobre Educação e Ciências. Na sexta-feira, quando retornei da UNICAMP encontrava a proposta de capas (1ª e 4ª e duas orelhas). Gostei. Eis o provável texto da 4ª capa. Ofereço, assim, um anúncio dos sete capítulos aos quais se juntam um hebdomadário, uma alexandríola e uma sofiapédia. Destes três segmentos prometo uma original surpresa:
Sete escritos sobre educação e ciência faz tessituras com textos instigantes:
O conhecimento da Ciência e a Ciência do conhecimento procura entender como se deu/dá/dará a construção do conhecimento.
Para formar jardineiros cuidadores do Planeta traz indicações para um ensino das Ciências com dimensão ambiental no fazer Educação.
O senso comum também tem bom senso mostra quanto é salutar polemizar e como isso talvez seja uma ação que está ausente nas salas de aula.
A História da Ciência catalisando propostas transdisciplinares traz acontecimentos que, mesmo irrelevantes, foram cruciais para entendermos como homens e mulheres fazem história.
A Educação nas Fronteiras do Humano e as relações curriculares parte de uma discussão quase bizantina sobre batizar ou não batizar robôs.
A vingança da tecnologia mostra algo polêmico e usualmente sonegado nas salas de aula.
Saberes populares fazendo-se saberes escolares relata uma experiência de prática de pesquisa onde estudantes se fazem pesquisadores.
Um recordatório: Há 4 semanas, no domingo, 3 de fevereiro, eu começava uma viagem de 12 dias, à Europa. Se algum leitor adventício que chega / retorna nesse março a esse blogue e quiser saber como frui Paris, Zagreb, Dubrovnic – concorrendo ao título de cidade mais bonita em que já estive – e Ljubljiana vale visitar os dias
Um registro de uma pequena decepção. Depois de muitas semanas, pela primeira vez o blogue anterior não recebeu nenhum comentário. Esperava de algum leitor ou leitora que viva os dulçores do avonado manifestasse seu entusiasmo com “O sorriso do etrusco’”
Uma boa semana a cada uma e cada um de meus queridos leitores. Por coerência não vou desejar a ninguém, hoje, feliz ano novo. Já fizemos tanto neste 2008, que ele não se parece mais com algo que se diga esteja começando.
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