Blog de Attico Chassot


 
 

Agora é BLOG DO MESTRE CHASSOT

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Deste dia 01 de dezembro esta com N O V O endereço. Está mais bonito. Vale visitar.



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Escrito por Chassot às 09h19
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Blog do Mestre Chassot

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NOVO endereço deste blog



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Escrito por Chassot às 11h25
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A partir de 1º de dezembro este blogue muda de endereço:

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Peço a compreensão com os transtornos da mudança de endereço. Aos que puderem me subsidiar com retornos e sugestões, muito obrigado.

 

Quando faltam três dias para a COP-15 – Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, em Copenhague, vale recordar uma vez mais Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente: “Há um ditado africano que diz que não deixamos a terra de herança para nossos filhos e netos. Estamos tomando-a emprestada. Se somos responsáveis, precisamos devolvê-la nas mesmas ou em melhores condições. Esse é o nosso compromisso.” Que saibamos honrar esse compromisso.

 



Escrito por Chassot às 09h02
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Faltam quatro dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague

A partir de 1º de dezembro este blogue muda de endereço:

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Escrito por Chassot às 00h34
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VIVER COM AIDS É POSSÍVEL. COM PRECONCEITO NÃO.

  01DEZEMBRO2009

TERÇA-FEIRA

Faltam 05 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague

Porto Alegre

Ano 4 # 1216

No dia Mundial de luta contra Aids a ratificação aqui de lema deste ano: VIVER COM AIDS É POSSÍVEL. COM PRECONCEITO NÃO.

 E... já estamos no último mês do ano. Terminou novembro que em Porto Alegre teve recorde histórico( nos 100 anos em que há registros) 293 ml/m2. Em São Luiz Gonzaga foram 660 ml/m2 em dezembro.

Não vou ancorar-me no senso comum e dizer: “Como este ano está passando rápido!” ou, “Quando éramos pequenos, custava chegar o natal, agora parece que foi ontem, que dizíamos: ‘feliz ano novo!’” Mas há que reconhecermos que o tempo cuidado por Kairos tem outra dimensão daquela do controlador Cronos. 

Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: chronos e kairos. Enquanto chronos refere-se ao tempo cronológico, ou sequencial, que pode ser medido, kairos refere-se a um momento indeterminado no tempo, em que algo especial acontece, em Teologia, é "o tempo de Deus"

Esta distinção usada também em teologia para descrever a forma qualitativa do tempo, kairos – o "tempo de Deus", enquanto chronos é de natureza quantitativa, o "tempo dos homens". Na teologia cristã, em síntese pode-se dizer que chronos, o tempo humano (medido), é descrito em anos, dias, horas e suas divisões. Enquanto o termo kairos, que descreve "o tempo de Deus", não pode ser medido, pois "para o Senhor um dia é como mil anos e mil anos como um dia." (2 Pe 3:8).

Este intróito é uma provocação ao Marcos – o apreciado comentarista de cada dia – que tem expertise em mitologia para que traga um comentário pertinente aos deuses que gerem o tempo.

Esse preâmbulo também quer introduzir uma crônica. Vou-me apropriar de um dos maiores e mais lidos cronistas gaúchos da atualidade. Por primeiro devo dizer que o mesmo usualmente me desagrada, pois não conheço maior megalômano que Paulo Santana. Realmente esse se acha ‘a melhor bolachinha do pacote.’ Quando, na noite da última quinta-feira, no seminário de História e Filosofia da Ciência na UNISC disse que ‘valia a pena lerem a crônica do Santana daquele dia’ eu me estranhei. Era a primeira vez na vida que chamava esse autor para uma aula minha. Com presteza, quase que me retrato diante do grupo. Pois hoje, também pela primeira vez, esse mega-star é convidado para esse blogue.

Quase posso assegurar que dirão que eu não poderia ter feito melhor escolha para refletirmos sobre a passagem do tempo. E mais, esposo a tese do cronista que esta em ‘A morte Piedosa” publicada em Zero Hora no dia 26 de novembro. Antes meus votos de uma muito boa terça-feira que faz a inauguração dezembrina. Adito ainda o convite para nos lermos aqui, amanhã.

Agora, imaginem fogos de artifícios e salvas de canhões na ‘Abertura Solene Para o Ano de 1812’ de Pyotr Ilyich Tchaikovsky e leiam Paulo Santana.

Chamou-me a máxima atenção o caso do belga Rom Houben, que todos acreditavam passar por estado vegetativo, em coma que durou 23 anos, mas agora se comunicou com os médicos e declarou que esteve consciente durante esse tempo todo, sem contato nenhum com o mundo externo que não fossem seus ouvidos.

O caso é realmente fantástico. O cérebro do jovem belga esteve raciocinando durante 23 anos, mas ele não podia cometer qualquer movimento que pudesse acusar seu estado consciente para suscitar providências médicas respectivas.

Acho até que não posso usar esta expressão, mas esse heroico cidadão belga esteve em coma consciente por 23 anos.

Como disse Zero Hora anteontem, Rom foi prisioneiro do próprio corpo por 23 longos anos. Não tinha como sair de si e ter contato com o mundo externo.

Imagine-se o sofrimento desse homem. Nem sei como não enlouqueceu. Ele ouvia tudo o que diziam em torno de si os médicos e seus familiares, devia munir-se de intensa e crucial agonia, querendo transmitir sua consciência mas não podendo mover nenhuma parte de seu corpo, nem as pálpebras, impotente, desanimado, exangue, inerte, um morto-vivo mergulhado nas trevas do coma.

Foram 23 anos de cativeiro. Sabe-se lá de que mecanismos mentais teve de se valer para manter intactas as faculdades mentais, ele raciocinava como qualquer pessoa.

É impressionante este caso. Esse homem tem de ser entrevistado para que se saiba por que não se lhe desfaleceram as forças e ele resistiu até não deixar de raciocinar nunca.

Se para um paciente recolhido por meses a um hospital, podendo mexer-se e comunicar-se com todos os que entram no quarto, já é um suplício este internamento, imaginem um corpo preso a si próprio durante 23 anos, com o cérebro funcionando, em plena consciência, como há de ter sobrevivido esse homem?

E como seu desespero não virou loucura?

Este caso, se por um lado revela ao mundo que há vidas estuantes atrás dos muros do estado comatoso, há de remeter mais ainda para o debate sobre a eutanásia.

Dirão os humanistas que, enquanto houver vida, ninguém pode extingui-la. Ninguém tem o direito, argumentarão, de interromper uma vida, por mais inútil e sofrida que seja.

E eu não me envergonho de declarar que mais ainda me torno adepto da eutanásia depois de conhecer o caso de Rom Houben, o belga que mergulhou nas trevas do estado comatoso, sem perder a consciência, isto é, em últimas palavras, entregue miseravelmente a um sofrimento atroz e permanente.

Neste caso e em tantos outros, creio firmemente que se aplica a morte piedosa.

A ciência não tem o direito, a meu ver, de prolongar indefinidamente esse gigantesco sofrimento. Quando a um homem que sofre assim tão eloquentemente é negado o direito de pôr fim à sua vida, o ambiente externo tem de assisti-lo e socorrê-lo no caminho da morte.

Por entre as reportagens em torno desse caso, está faltando um só dado: se em meio ao monumental tormento de que foi e é vítima, o belga infeliz pensava em sobreviver ou acalentava o sonho da morte, desejando-a para colocar um fim na sua cruz.

Tenho certeza de que ele sonhava que alguma mão compassiva e inteligente pusesse fim à sua vida.




Escrito por Chassot às 07h48
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Os países pobres terminarão por pagar a conta

  30NOVEMBRO2009

SEGUNDA-FEIRA

Faltam 06 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague

Porto Alegre

Ano 4 # 1215

Abro esta blogada com muita indignação, reproduzindo mensagem que enviei ontem à tarde: À Folha de S. Paulo, perco prazeres que há quase um quarto de século curto muito (o Mais dominical, a Ilustrada, alguns articulistas...), mas não perco a dignidade lendo um jornal que se tornou indigno de milhares de leitores. Publicar o artigo maldoso e autopromocional do Sr César Benjamin, que tentou destruir uma pessoa é inadmissível. Acolham meu radical e indignado repúdio, attico chassot Professor e Pesquisador do Centro Universitário Metodista - IPA Porto Alegre RS

Não pretendo detalhar o nojento texto "Os Filhos do Brasil" do editor e ex-petista César Benjamin publicado nesta sexta-feira na Folha. Obrigo-me a uma pequena contextualização, em homenagem a meus leitores que não tomaram conhecimento do desencadeante de minha revolta. Benjamin, em um texto de quase uma página, na primeira metade narra quanto ele foi uma pessoa excepcional enquanto preso pela Ditadura Militar para depois relatar conversa de 1994 onde diz que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria dito, num contexto sexual, que tentou "subjugar" um colega de cela quando esteve preso em 1980.

O Presidente e outros citados no artigo desmentem radicalmente o episódio. O então delegado do Dops e hoje senador Romeu Tuma (DEM) negou, por meio da assessoria, que tenha ocorrido alguma agressão entre os presos.

Três ex-companheiros de cela de Lula no Dops, José Maria de Almeida (PSTU), José Cicote (PT) e Rubens Teodoro, negaram ter presenciado situação semelhante à narrada no artigo.

A manhã, depois de um domingo de um domingo ensolarado, se inicia com notícia de temporais em diferentes pontos do Rio Grande do Sul. Aqui o prognóstico é um dia nublado com instabilidades. Os índices pluviométricos neste novembro foram expressivos.

Falemos de coisas menos amargas. Na tarde de ontem a Gelsa e eu não resistimos. Fizemos a nossa quinta e última visita a Bienal, que encerrou ontem à noite. A Maria Antônia e a Maria Clara não tinham agendas disponível. Assim nossa companhia foi apenas o Antônio, com que avonamos. Voltamos por primeiro ao Cais do Porto no Armazém A5 com as ‘Biografias Coletivas / Texto público. Ali queríamos acompanhar as trocas que ocorriam a partir da proposta de Nicholas Floc’h – um renomado artista que vive e trabalha em Paris – que como contei ontem, veio semanas antes da Bienal a Porto Alegre. Nesse período, e em diferentes comunidades produziu arte com grupos. Na tarde de ontem vimos, por exemplo, um grupo receber instrumentos musicais em troca de instrumentos de madeiras que haviam produzidos. Vimos outros ganharem camisetas para uma equipe de futebol e apetrechos esportivos e ferramentas para construírem um campo de futebol na comunidade do Morro da Cruz.

Na foto  estou com o Antônio examinando uma das rodas do microônibus. Este vai para o Museu de Artes Contemporâneas de Lima e uma comunidade do Lami vai receber um microônibus ‘de verdade’ para o transporte escolar de suas crianças. 

Visitamos vários outros espaços. Algo que encantou o Antônio foram as bolhas de água com sabão são emitidas por um módulo lunar. Também ajudou a desmanchar, junto com sua avó, uma das obras da artista plástica argentina Mariela Scafati, também referida ontem.

Ele e nós contemplamos extasiados, em vídeo projetado em uma imensa tela, um passeio a um conjunto residencial com 40 mil da Cidade do México. O espanhol Jordi Colomer, que nasceu em Barcelona, em 1962 e reside e trabalha atualmente em Barcelona e Paris, mostrou a transformação das casas. Elas pelas normas de ocupação, não poderiam sofrer nenhuma modificação. Mas todas se transformam. Isso a ‘mesmidade’ se transforma em diferenças.

Valeu muito esta curtida final da 7ª Bienal. Como estaremos na oitava em 2011? Aguardemos.

Para encerrar um lembrete: Domingo começa a COP-15 – Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, em Copenhague. Um estudo do Banco Mundial – publicado há uma semana – quantifica, pela primeira vez, o tamanho do prejuízo que os países em desenvolvimento terão com a elevação da temperatura do planeta. E o número assusta: de 75% a 85% da conta serão deles. Mais uma vez: os países pobres terminarão por pagar a conta, pelos desmandos dos países ricos. 

O BIRD calcula que governos e setor privado terão de investir cerca de US$ 250 bilhões anualmente para reduzir as emissões das nações em desenvolvimento e promover novas tecnologias para adaptá-los às mudanças climáticas até 2030. Essas despesas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas vão desde modernização das técnicas agrícolas até o investimento em moradias resistentes a inundações.

O banco afirma que, atualmente, gastam-se apenas US$ 10 bilhões para o financiamento climático dos países em desenvolvimento, muito abaixo dos pelo menos US$ 75 bilhões necessários para a adaptação às novas condições climáticas e US$ 175 bilhões para a redução das emissões. O relatório aponta ainda que as emissões têm impacto direto sobre pobreza e que os países mais pobres terão reduções permanentes do PIB de 4% a 5% com o aumento da temperatura global em 2 graus Celsius — elevação já aceita como um fato irreversível.

Na expectativa que a COP-15 tenha êxito nos propostas de cuidarmos melhor do Planeta, desejo uma excelente segunda-feira, curtida no advento do dezembro que se avizinha. Até então.


 



Escrito por Chassot às 06h19
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Um (quase) adeus a Sétima Bienal

  29NOVEMBRO2009

DOMINGO

Faltam 07 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague

Porto Alegre

Ano 4 # 1214

A manhã de domingo já vai adiantada. E, excepcionalmente é ensolarada. Há quanto não acontecia isso. Ainda ontem pela manhã um temporal passou por aqui de raspão. Aqueles de fé cristã têm nesse domingo o início do ano litúrgico. Começa o tempo do Advento, balizado pelos quatro domingos que antecedem o Natal. O cristianismo interpretou como sendo os 4 mil anos que o povo eleito esperou o Messias. Como este povo já está no ano 5770 da espera, teremos em alguma religião futura trazida por um novo Messias, um advento muito mais estendido. Ainda mais, se esta nova religião se der conta que essa espera já se prolonga por alguns milhões de anos, ao invés desses esmirrados milhares de anos judaico-cristãos. 

A propósito desse tempo manifestava o desejo que esse dezembro que é Advento não nos consuma demais com suas marcas consumistas. Minha querida colega Profa. Dra. Joanez Aparecida Aires, do EDUQUIM - Núcleo de Educação em Química da UFPR, escreveu-me ontem com muita propriedade: “[...] tenhamos mesmo discernimento para sermos menos consumistas neste Natal... só não vamos economizar no desejo de estarmos em PAZ!’

O comentário dominical quer ser breve, até para ir curtir um pouco o sol, Então se resume a dois breves comentários. O primeiro acerca de minha participação no ‘1º Colóquio Rompendo Fronteiras: Interdisciplinaridade nas Ciências Humanas’ e o segundo sobre a minha quarta (e provável, ultima) visita a 7ª Bienal do Mercosul.

Foi muito bom ter participado do Colóquio, que teve uma marca gratificante: foi organizado por um grupo de estudantes do Curso de História do Centro Universitário Metodista - IPA. Só por isso a iniciativa é louvável. Fiz publico meus elogios ao Ben Hur, ao André e a Renato pela iniciativa a qual se associou o Curso de Filosofia, coma liderança de mais um André, este da Filosofia.

Aqui algo muito pessoal. Mesmo que essa semana essa fosse a minha quarta fala, ou pelo menos a décima de novembro: foi a que estava mais nervoso. Não quero parecer megalômano: mas lembro até por ser filho de Maria e de um carpinteiro (que não se chamava José) o que disseram de Jesus quando foi falar na Sinagoga de Cafarnaum. É difícil ser profeta na própria casa.

Penso que consegui dar meu recado, mesmo com algumas limitações. Foi muito grato poder publicamente homenagear ao final Marcos Vinícius Pacheco Bastos, presente no auditório, que há mas de oito meses, sem jamais ter faltado um dia, trás muito significativos comentários nesse blogue, a maioria deles complementares e muito enriquecedores, especialmente nos assuntos de história, mitologia e cabala. Ontem ele prometeu-me produzir alguns textos para este blogue. Cumprida a promessa meus leitores serão aquinhoados com algo muito bom.

Foi muito bom assistir os demais intervenções relacionadas no e-flyer que postei com a edição de ontem, especialmente aquelas do Débora Vogt e do Julio Bernardes que me apresentaram o quase desconhecido (para mim) filósofo Hobbes. Foi precioso ouvir a arquiteta e urbanista Vanessi Reis contar da Cidade baixa desta Porto Alegre da qual ainda desconheço tanto. Foi bom ouvir meu colega Ramiro Bicca Ensinar História com musica popular, fazendo aproximações com teses que defendi.

A segunda dimensão deste relato relaciona-se com mais uma visitação a 7ª Bienal do Mercosul, que hoje se encerra. Com a Liba e a Gelsa, fui mais uma vez ao Cais do Porto, onde no Armazém A6 admiramos ‘Arvore Magnética’ no A5 ‘Biografias Coletivas / Texto público. Acerca de uma e outra das duas fantásticas (e a primeira até fantasmagoria) produções não tenho quase condições de fazer análises.

No Armazém A6 a proposta surge a partir da prática artística, aonde os processos de transformação de obra e título em uma proposta da curadoria são o efeito de um sistema de intercâmbio de forças, um sistema “magnetizado” e um fluxo de energias que põe o artista-curador e o artista-expositor e suas obras em um lugar de interrogação permanente. 

A proposta para esta exposição consiste em que as obras serão programadas por seus autores para serem modificadas ou transformadas radicalmente durante o período de exibição da 7ª Bienal. Todas as obras se transformarão dez vezes, com o objetivo final de mostrar ao público que os processos de desenvolvimento das obras não terminam no ateliê ou no início da exposição. Deste modo, este método de trabalho propõe um olhar mais aproximado e direto com a crítica especializada, com a imprensa e especialmente com o público, todos provocados pela dinâmica das obras a repensar seu papel como atores determinantes no campo contemporâneo da arte. 

Nessa dimensão, na tarde de ontem, já assistíamos a demolição de uma das obras sob o beneplácito da autora Mariela Scafati, uma das artistas argentinas convidadas. Devo dizer que me deu dó o ato.

No A5 ‘Biografias Coletivas / Texto público.a proposta pode ser sintetizada na afirmação: "Propomos uma estética que manipule a própria sociedade como se fosse material tridimensional. Não é poder político o que queremos obter através da arte, mas sim a sobrevivência, a reprodução e o prazer para nossa espécie”. A exposição se apropriou da frase do artista chileno Juan Downey (1940-1993) como uma ideia potencializadora de sentido, tanto para os artistas participantes quanto para o público. A exposição se propõe como uma investigação visual que explora as possibilidades da arte, seu conjunto de relações, métodos e processos como ferramentas capazes de deslocar a visão superficial que muitas vezes se costuma ter de um contexto determinado. O processo criativo será uma ação de resistência interpeladora dos referenciais estabelecidos, permitindo uma revisão de um contexto político, histórico, cultural e cotidiano, inclusive.

Pois de tudo que vi nesta Bienal, neste segmento encontrei talvez o que mais me pareceu ‘duradouro’. Nicholas Floc’h que nasceu em Rennes, França, em 1970 e vive e trabalha em Paris vei semanas antes da Bienal a Porto Alegre e em diferentes comunidades (no Morro da Cruz, no Lami, no centro da cidade) produziu arte com grupos. A produção devia refletir desejos coletivos. Assim no Morro da Cruz a comunidade deseja um campo de futebol. Foi feita uma imensa maquete, com goleira, rede, bola, camisetas, ferramentas para fazer o campo. O grupo do Lami, deseja um Van para transporte escolar e essa foi construída em tamanho natural, toda em madeira. Uma ONG do centro deseja pintar o seu edifício-sede, construíram andaime, latas de tintas, pincéis tudo em madeira; Toda essa produção. realizada junto com Nicholas Floc’h, que ao longo da sua carreira, realizou performances em todo o mundo, bem como mostras individuais e coletivas estava disponível durante a Bienal para ser trocada pelos objetos reais. E quase todos encontraram colecionadores de arte que as trocaram. Assim o curador de um museu de arte contemporânea de Lima trocou  a van que esta na exposição por uma ‘van de verdade’. O mesmo ocorreu com outras obras de arte. Realmente a proposta é sensacional.

Vimos ainda muita outras obras muito lindo. Está sendo quase irresistível não ir dar um adeus à Bienal no seu encerramento esta tarde. Meus votos de um curtido domingo, que se faz muito especial aos gaúchos, que reconhecem de novo um dia ensolarado. E o Advento não nos consuma demais com suas marcas consumistas.




Escrito por Chassot às 10h23
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"As muralhas de Jericó" e a dica de leitura

 28NOVEMBRO2009

SÁBADO

Faltam 08 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague

Porto Alegre

Ano 4 # 1213

Vivemos já o último fim de semana de novembro. Alguém poderia querer de mim uma melhor temporalização (sacralizada): então, estamos ingressando no período do Advento, Esse período em minha infância sempre foi muito ritualizado. Muito pátio foi varrido para que o burrinho de papai-noel ou de São Nicolau deixasse suas marcas no solo. Mas o mais significativo de minha infância natalina era a preparação da árvore e do presépio, que só ocorria no dia 24. Ainda preciso escrever sobre isso, mas não será hoje. Também lembro muito, e isso já da época tinha filhos pequenos, da coroa do advento, onde a cada domingo, acendíamos uma das quatro velas.

Ontem na UNISC foi muito bom o encerramento do Seminário de História e Filosofia da Ciência. Como disse uma aluna: foram levantadas muitas interrogações. Agora é preciso encontrar resposta.

No início deste sábado, dei uma breve entrevista ao programa ‘Gaúcha na madrugada’ na Rádio Gaúcha acerca de sobra de vagas nas universidades. Uma vez mais a entrevistadora (Sara Bodolski) falou mais que o entrevistado.

O retorno teve um trecho que desconhecia, pois o ônibus não era direto, passando pela RST-287 que desconhecia. Vi extensas plantações de fumo. Estas me causavam uma revolta intestina, pois pensava no espaço retirado à plantação alimentos para a vida, trocado por um cultivar que leva a morte.

Esta tarde tenho uma fala que vai me oportunizar reencontrar alunas e alunos de turma que tive em 2008/1 com os quais estabeleci liga muito sólida. Depois desta edição está a programação. Sua postagem se faz convite a quem quiser participar.

Sábado é dia de dica de leitura. Vou trazer um comentário de um livro; ele me acompanhou nas três viagens que tive nos últimos oito dias; terminei ontem enquanto me condoia com a paisagem da região fumageira. Antes quero trazer mensagem (e minha resposta) que recebi em Santa Cruz do Sul. Ela refere-se a trazida de comentários que fiz, há meses, do livro 12 faces do preconceito [PINSKY, Jaime. (org.) São Paulo: Contexto, 2003, 124 p. ISBN 85-7244-104].

O organizador escreveu: Que belo comentário! O livro tem tido vários, mas você vai da compreensão à utilização, percebendo a intenção dos autores. Abraço, Jaime Pinski.[pinsky@terra.com.br] [www.jaimepinsky.com.br] 

Estimado Jaime, já disse mais de uma vez que página de blogue antiga é diferente de jornal velho (que só serve para enrolar peixe). Com teu comentário a cerca de minha blogada de 18 de julho, me fizeste deixar Santa Cruz do Sul, onde cheguei na meia tarde para prosseguir um seminário de História e Filosofia da Ciência e voltar a um dia em que tantas emoções se associaram a dica de leitura sabatina daquele sábado. Que bom que gostaste de meu comentário acerca de teu “12 faces do preconceito”; Acredito que esta é a função de um blogue que há quase 3,5 anos diariamente se propõe a fazer alfabetização científica. Com admiração, ac,

Agora cumpro a norma sabatina. Na última feira do livro, encontrei em estande uma preciosidade sendo torrada por R$ 5,00, As muralhas de Jericó [Josué Guimarães; Porto Alegre: L&PM, 2001, 216 p. Preço no catálogo da editora, R$ 20,00. ISBN-10: 85.254.1120-5].

Quando vi um livro novo ofertado como se fosse usado não houve indecisão. Há tempo não lia Josué Guimarães (RS, 1921-1986). Este é considerado um dos grandes escritores brasileiros do século 20, tendo deixado uma obra fundamental como romancista, jornalista e autor de histórias infantis e infanto-juvenil;. Em 1951, foi eleito o vereador mais votado do município de Porto Alegre, onde atuava com mais freqüência nas obras públicas, que beneficiavam o povo.

Como homem público foi chefe de gabinete de João Goulart na Secretaria de Justiça do Rio Grande, governo Ernesto Dornelles; foi vereador em Porto Alegre pela bancada do PTB, sendo eleito vice-presidente da Câmara. De 1961 até 1964 foi diretor da Agência Nacional, hoje Empresa Brasileira de Notícias, a convite do então presidente João Goulart. A partir de 1964, perseguido pelo regime autoritário, foi obrigado a escrever sob pseudônimo e a dar consultoria para empresas privadas nas áreas comercial e publicitária

Foi correspondente especial no Extremo Oriente em 1952 (União Soviética e China Continental) e de 1974 a 1976 como correspondente da empresa jornalística Caldas Júnior em Portugal e África. Foi o primeiro jornalista brasileiro a ingressar na China Continental e na URSS como correspondente especial da Última Hora, do Rio de Janeiro. Nessa época, Josué Guimarães escreveu o livro de viagem As muralhas de Jericó que hoje ofereço como sugestão.

Já li vários livros deste autor, mas guardo indelével a lembrança quando num período de praia em Santa Terezinha, no começo dos anos 1980 li encantado os dois primeiros volumes de uma trilogia: A ferro e fogo: 1, Tempo de solidão e A Ferro e Fogo 2 Tempo de guerra. O terceiro e último volume (Tempo de Angústia) inconcluso. Estes são romances clássicos da literatura brasileira e uma obra-prima. São as únicas obras de ficção realmente importantes que abordam a saga da colonização alemã no Brasil. A tão sonhada trilogia, que Josué Guimarães não conseguiu concluir, é um romance de enorme dimensão artística, pela construção de seus personagens, emoção da trama e a dureza dos tempos que como poucos ele soube retratar com emocionante realismo.

Tenho uma preciosa evocação. Depois de ler o volume 1 e 2, tive um encontro com o autor, no hotel Laje de Pedra, em Canela. Estava numa comemoração pois eu havia conquistado, pela segunda vez, um destaque no Prêmio Habitasul Revelação Literária em Literatura Infantil, com o conto ‘A moto voadora’, Na edição anterior fora premiado meu conto “A viagem à Lua,’ Josué Guimaraés como jurado lá estava. Fiz lhe a pergunta que ele já devia ter ouvido dezenas de vezes. Quando sairá Tempo de Angústia. Ele disse que já estava bem adiantado. Um tempo depois (23 de março de 1986) ele morria. 

No ano em que Josué Guimarães faria 80 anos – 2001 –, A L&PM Editores com o Instituto Estadual do Livro/RS e o Acervo Literário Josué Guimarães do Programa de Pós-graduação em Letras da PUCRS, lançaram ‘As muralhas de Jericó’, escrito quando Josué tinha 31 anos, e ainda inédito até então, 15 anos depois da sua morte. Este relato é o resultado de uma grande viagem que foi realizada em 1952 a então União Soviética e a recém-convertida China Comunista. Josué fez parte do primeiro grupo de jornalistas brasileiros a entrar na China de Mao Tse-tung e constatar as profundas modificações operadas pela revolução comunista de 1948.

Logo nas primeiras páginas percebemos o texto límpido e claro que sempre caracterizou a prosa do grande escritor. Narrado na primeira pessoa, As Muralhas de Jericó revela, além das novidades que o repórter encontrava a todo o instante, um pouco da alma de Josué Guimarães, do seu humor, o profundo senso de observação e, acima de tudo, a generosidade, marca indelével da sua personalidade. Conhecemos no livro uma URSS e também uma China muito diferente do que era passada por imprensa tipo ‘Seleção Reader Digest’, É com esta generosidade que Josué Guimarães descreve, entusiasmado, a construção de uma utopia que, ele imaginava, poderia conduzir a um mundo melhor. 

Assim, neste sábado, minha dica de leitura é “As muralhas de Jericó’. Vale a pena. Com votos de um muito bom sábado e que o Advento do domingo seja curtido.


 



Escrito por Chassot às 07h47
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Um convite



Escrito por Chassot às 07h39
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Ontem uma data histórica: a anistia política de Paulo Freire

  27NOVEMBRO2009

SEXTA-FEIRA

Faltam 09 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague

Porto Alegre

Ano 4 # 1212

Mais uma vez uma blogada desde Santa Cruz do Sul. Como contei ontem estou na UNISC para concluir um seminário de História e Filosofia da Ciência iniciado em outubro. Ontem, antes de iniciar a 3ª das quatro sessões tive alegria de jantar com minha filha Ana Lúcia, professora do Curso de Odontologia da UNISC; nas quintas-feiras ela ministra aulas nos três turnos. Estavam juntos conosco a minha colega Rosa Maria e o Paulo que é seu bolsista de Iniciação Científica. Tenho orgulho de minha filha, também, professora.

A sessão da noite de ontem foi muito boa. Dentro da busca de suportes teóricos para hoje discutir as revoluções científicas, o texto “La moral sexual católica ¿está en crisis de paradigma? Un estudio desde la historia de las ciencias” de Cristián BARRIÁ da Universidad de Chile, publicado en Revista «Moralia», del Instituto Superior de Ciencias Morales, Madrid, XXXI, 120 (2008) 447-480 foi de muita valia e aportou excelentes discussões. Outro assunto que mereceu destaque foi a tentativa de responder a interrogação: “Por que não houve revolução científica no Oriente?”

Mas dizia no epilogo da edição de ontem que para hoje tomaria uma notícia pescada na rede em ~~ http://src.eluniverso.com/data/recursos/imagenes/reliquiagalileo_228_168.jpg ~~ onde um museu de Florença anuncia a descoberta de dois dedos e um dente, que supostamente pertenceram a Galileu Galilei e que serão expostos ao público primavera. Três dedos e um dente haviam sido removidos do cadáver do astrônomo em 1737 e colocados em uma urna.

Paolo Galluzzi, diretor do Museu de Historia de Ciência, disse que um colecionista particular adquirirá a urna com os dois dedos e um dente. O colecionista se comunicou com o setor cultural de Florença e os objetos e a urna coincidiam com a descrição das relíquias de Galileu em documentos históricos.

Galileo, que morreu em 1642, já esteve presente nesse blogue várias vezes, particularmente nesse 2009, quando de edições relacionados com o AIA-2009, Ano Internacional Astronômico, em comemoração aos 400 anos da primeira observação com telescópio (1609). Ele ao morrer foi tido como herege pelo Vaticano por aderir e divulgar a teoria copernicana: ‘admitir que a Terra gira ao redor do Sol’. Em 31 de outubro de 1992 o papa João Paulo 2º o reabilitou. [Algo um pouco semelhante ao que ocorreu nesta quinta feira, 26/11/2009 – data histórica para o Brasil – dia em que a anistia política de Paulo Freire foi julgada e, finalmente, concedida a este educador que foi preso e exilado depois do golpe militar de 1964. A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovou a anistia durante o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, em Brasília].

Muito provavelmente um dos fatos históricos mais dolorosos da História da Ciência está relacionado com julgamento de Galileu Galilei pela Inquisição. No meu livro ‘Educação conSciência’ tenho um extenso capítulo acerca da Inquisição e no ‘Ciência através dos tempos’ destaco excertos comoventes da abjuração feita por Galileu. 

Mesmo que aqui não haja a pretensão de se trazer a história de Galileu vale recordar que já em 1616, 17 anos antes da condenação, o Santo Ofício, ao julgar seus escritos o havia admoestado para que não defendesse nem ensinasse a assim chamada “hipótese copernicana”, até porque se recordava sempre que Copérnico  também para escapar a sanha persecutória  falou em hipótese (ou isso teria sido acrescentado a seu livro) heliocêntrica. 

Na condenação de Galileu, por acreditar, publicar e ensinar o heliocentrismo, em oposição ao geocentrismo dois aspectos foram decisivos: 

A) o senso comum estava arraigado na proposta aristotélica (geocentrismo), que se comparada com a proposta copernicana (heliocentrismo), era conhecida por muito poucos no século 17. É preciso recordar que então o modelo proposto por Copérnico, sem a tradição fazia frente a uma primazia de Aristóteles já por 20 séculos. Ser geocêntrico mesmo nos tempos atuais é mais fácil  diria, mais evidente  (Afinal, se a Terra gira, como que a gente não cai ou não sente!) do que ser heliocêntrico. Mesmo eruditos, ainda hoje, aderem em falas cotidianas a posturas geocêntricas, quando se referem ao nascer ou ao por do sol.

B) o fundamentalismo religioso, pois não havia como contradizer as descrições bíblicas, onde o sol está fixo e terra gira ao seu redor. Os comentadores do Gênesis, dos Salmos, do Eclesiastes e do Livro de Josué concordavam em interpretar literalmente como sempre foi ensinado “o Sol está nos céus e gira em torno da Terra com imensa velocidade e que a Terra dista bastante dos céus, no centro do universo e está imóvel“. Pois, de fato Salomão, com toda a sua proverbial sabedoria recebida diretamente de Deus declara no Eclesiastes: “Geração vai, e geração vem, mas a terra permanece para sempre. Levanta-se o sol, e põe-se o sol e volta ao seu lugar e nasce de novo “. [Eclesiastes 1,4 na BÍBLIA SAGRDA. Traduzida da vulgata e anotada pelo Pe. Matos Soares, São Paulo: Edições Paulinas, (9ª edição), 1955].

Assim, nas leituras do senso comum e do fundamentalismo, era inviável qualquer possibilidade de defesa para Galileu. Só lhe abrandava a pena, um possível remorso dos inquisidores à morte na fogueira, que fora submetido Giordano Bruno em 1600, que se negou a abjurar, entre outras, suas convicções copernicanas. Galileu teve uma longa submissão a sucessivos julgamentos, desde que foi trazido preso a Roma em 12 de fevereiro de 1633 até o dia 22 de junho, na dolorosa abjuração, aos 70 anos, com a vista estragada de ver estrelas – que reforçavam suas crenças no movimento da Terra – e de ver julgadores intolerantes, que obrigavam ao perjúrio.

O que, realmente, encobriu o julgamento e o silenciamento de Galileu? O heliocentrismo não precisava sair de cena, pois quase não tinha adeptos. Galileu também ensinava que “Uma substância só pode se transformar em outra substância se houver alteração na natureza intima da matéria”. Antecedia-se, assim a Lavoisier em mais de 1,5 século, apresentando o que depois chamaríamos de reação química. Qual o impacto que um conceito como este, aparentemente inexpressivo, poderia significar? 

Isso talvez seja o mais histórico exemplo do quanto Fé e Ciência operam em concepções diferenciadas. Um dos dogmas basilares da Igreja Católica é a transubstanciação -- mudança duma substância em outra. Transubstanciação é palavra adotada na Igreja Católica, sobretudo a partir da filosofia escolástica, para explicar a presença real de Jesus Cristo no sacramento da Eucaristia pela mudança da substância do pão e do vinho na de seu corpo e de seu sangue. Do ponto de vista da Ciência ou do que já ensinava Galileu, na consagração eucarística não ocorre alteração da natureza química dos constituintes do pão e do vinho. Isto é, continuam sendo da espécie pão e da espécie vinho, numa explicação racional. Do ponto de vista religioso, mesmo sendo pão e sendo vinho, são  e não representam  o corpo e o sangue de Cristo. Esta é uma aceitação por uma questão de Fé. Há, aqui, uma distinção de posturas de Fé e de Razão.

Condenar o velho sábio à fogueira era problemático. Bruno era mais uma vez recordado. Ele devia deixar de ensinar o que pudesse comprometer o dogma da transubstanciação. Logo era mais conveniente a prisão domiciliar e o degredo ao silêncio, rompido apenas na hora da morte para dizer “... e ela se move”.

Foi bom trazer uma vez mais algumas leituras acerca de Galileu, mesmo que catalisadas por uma notícia (descoberta de relíquias galileanas) que não me parece tão significativa. O melhor foi fazer meus leitores um pouco partícipes de parte do que vou falar esta manhã: A revolução copernicana. A revolução lavosierana. A revolução darwiniana. Entre as certezas na virada dos séculos 19/20 e as incertezas na virada do 20/11: o século da tecnologia.

Quando começar a tarde, estarei voltando para Porto Alegre para aguardar o fim de semana, Neste na tarde de amanhã tenho uma fala no curso de História do Centro Universitário Metodista - IPA, numa promoção de um grupo de alunos entre os quais está o Marcos Bastos, comentarista diário deste blogue. Assim desejo uma sexta-feira recheada de expectativas com último fim de semana de novembro. 




Escrito por Chassot às 06h05
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A Conferência de Copenhagen ganha um alento.

 

 26NOVEMBRO2009

QUINTA-FEIRA

Faltam 10 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague

Porto Alegre

Ano 4 # 1211

A manhã começa com 27 ºC com dia para o qual as previsões de mais temporais que devem repetir aqueles que ocorreram ontem em regiões do Rio Grande do Sul, com sensações térmicas de 40 ºC. Parece que o maior produtor de gás carbônico do Planeta – Estados Unidos – revisa sua posição para Copenhagen. É preciso.

Sou alertado que hoje é o Dia de Ação de Graças (em inglês: Thanksgiving); um feriado celebrado nos Estados Unidos e no Canadá, observado como um dia de gratidão, geralmente a Deus, pelos bons acontecimentos ocorridos durante o ano. Neste dia, pessoas dão as graças com festas e orações. A data ocorre na última quinta-feira do ano litúrgico cristão. Este, em 2009, recomeça no próximo domingo com o primeiro domingo do Advento.

Tanto nos Estados Unidos quanto no Canadá, o Dia de Ação de Graças é geralmente um dia quando as pessoas utilizam o tempo livre para ficar com a família, fazendo grandes reuniões e jantares familiares. É também um dia em que muitas pessoas dedicam seu tempo para pensamentos religiosos, serviços na igreja e orações. O Dia de Ação de Graças é celebrado também com grandes desfiles e, nos Estados Unidos, com a realização de jogos. O principal prato típico do Dia de Ação de Graças geralmente é peru, o que dá ao Dia de Ação de Graça o nome de "Dia do Peru"(turkey day).

No Brasil, o presidente Gaspar Dutra instituiu o Dia Nacional de Ação de Graças, através da lei 781, de 17 de agosto de 1949, por sugestão do embaixador Joaquim Nabuco, entusiasmado com as comemorações que vira em 1909, na Catedral de São Patrício, quando embaixador em Washington. Em 1966, a lei 5110 estabeleceu que a comemoração de Ação de Graças se daria na quarta quinta-feira de novembro. Esta data é comemorada por muitas famílias de origem estadunidenses, igrejas cristãs, universidades confessionais metodistas. 

Este ano parece que a data passa quase despercebida. No Centro Universitário Metodista - IPA as celebrações, diferente dos anos anteriores, serão restritas aos setores. Não vejo quase referência mesma. Há alguns anos um grande banco brasileiro, trombeteava a data nacionalmente, fazendo orações pela televisão desde a sua sede, que ficava (pasmem) na ‘Cidade de Deus’ – um bairro de Osasco, em São Paulo. O pequeno Banco Brasileiro de Desconto de então ficou um dos maiores no ranking brasileiro, mesmo que o nome tenha encolhido em uma sigla que poucos hoje identificam o nome de origem, que certamente não precisa mais dar graças.

Nessa semana de tão densas atividades essa blogada ocorre quase numa passagem pela Morada dos Afagos. Cheguei ontem de Londrina e esta tarde vou a Santa Crus do Sul, para a 3ª e a 4ª sessão do seminário de História e Filosofia da Ciência que me levou a UNISC na última quinta e sexta feiras de outubro. A proposta para hoje é: “Busca de suportes teóricos. Kuhn e Feyerabend. As quebras de paradigma. Por que não houve revolução científica no Oriente?” e para a manhã de sexta-feira: A revolução copernicana. A revolução lavosierana. A revolução lavoiserana. A revolução darwiniana. Entre as certezas na virada dos séculos 19/20 e as incertezas na virada do 20/11: o século da tecnologia.”

O meu retorno de ontem tem algo tão inusitado: cheguei com mais de três horas de antecipação. Isso merece um comentário aqui, até para que possa servir de alerta (que eu não tive) a outros viajores. Para nós que usualmente amealhamos muitas horas de atraso (recordo uma ida a Belém com mais de 12 horas ou esse ano no aeroporto de pasto, quase toda uma manhã) chegar antes merece loas, mesmo quando não haja explicação plausível.

A postagem do blogue de ontem, teve complicações, pois a rede do hotel apresentava problemas e o meu 3G acessava o Skipe, mas não acessava a rede www nem o correio eletrônico. Fiz a postagem, via computador do hotel, à 01h36min – nada trivial para quem tinha despertar agendado para 04h30min.

Acerca dos problemas na rede do hotel merece registro lateral um fato insólito. Quando cheguei a tarde me informaram que não podia fazer o ingresso ‘porque o sistema estava fora do ar!’. Tive que insistir mostrando que deferia haver uma alternativa a essa ‘grave pane’.

No aeroporto, ao fazer o check-in, o funcionário da GOL diz: “O senhor vai a Porto Alegre, neste voo, mas em Curitiba troca de avião!” Respondi que sabia e que teria uma espera de mais de três horas. Ele concordou prestimoso (mas, incompetente!). Quando embarco estranho o aviso, dizendo que o voo que estava tomando era com destino à Porto Alegre, com escala em Curitiba. Achei estranho ser um mesmo voo com essa interrupção de mais de 3 horas. A partida foi pontual e 40 minutos depois estávamos no Afonso Pena. Vi que alguns passageiros não desciam. Começo a descer. Resolvo perguntar. Recebo a informação que destino era Porto Alegre. Perguntei se ficaríamos a bordo por mais de 3 horas. “Não a partida será imediatamente”. Mostro meu cartão de embarque. Informam-me que meu voo era três horas depois. Indigno-me. Não há explicações. Afortunadamente havia lugares. E de maneira diferente da ida, não tinha bagagem despachada, pois a maior parte de livros que levara ficara para leitores que estavam no evento. Então, posso ser acomodado no mesmo voo e chego com mais de 3h de antecipação. Explicação: um burocrata (nessa hora parece que essa palavra deveria ser com dois erres!) da UEL comprou a passagem desparceirada, O argumento que poderia ter pouco tempo para conexão na cabe, pois o voo era LDN/CWB/POA. Enfim, um erro que terminou me gratificando.

Ontem a tarde recebi em minha casa a doutoranda Elane da UFMT aluna do Programa de Pós-Graduação Educação da PUC-RS. Ela com sua colega Crisna da UFPel, enquanto alunas da Professora Maria Helena Abraão fazem uma a redação de uma biografia de um educador de destaque, para ser mais um volume da coleção "Educadores Sul-rio-grandenses". Coube-me a honra de ser dar as mesmas algumas entrevistas para que redijam uma biografia minha.

Agora o convite para nos lermos amanhã desde Santa Cruz do Sul. Antecipo que vou trazer algo que tem a ver com temas do seminário que vou dar. Quem catalisa o assunto desta sexta-feira é notícia desta semana, talvez um pouco sensacionalista: “Museu de Florença divulga o encontro de relíquias de Galileu”, mas que oferece mote para outras elucubrações. Então com votos de um piedoso ‘dia nacional de ação de graças’, provavelmente sem sacrifícios de perus um até amanhã.




Escrito por Chassot às 06h22
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Desde Londrina

 25NOVEMBRO2009

QUARTA-FEIRA

Faltam 11 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague

Porto Alegre

Ano 4 # 1210

Estou em Londrina, quase saindo para Porto Alegre, via Curitiba. Meu voo tem saída prevista para às 6h e chegada em São José dos Pinhais às 6h50min. Fico então no aeroporto por quase 3horas. Às 10h40min devo partir para Porto Alegre, onde devo chegar uma hora depois.
Cheguei às 13h de ontem à chamada ‘Capital dos pés vermelhos’. Esse título é em alusão a chamada ‘terra roxa’  -- que vi com dtalhes do avião -- aquela apropriada para o cultivo do café, como se aprendia nas aulas de corografia (Estudo ou descrição geográfica de um país, região, província ou município – um nome especial para a Geografia do Brasil, em meu curso ginasial).
Tive aqui como anfitrião o Prof, Dr. Moises Alves de Oliveira, que foi meu primeiro orientando quando depois de seu mestrado em Química Analítica se envolveu fortemente com a Educação Química e se fez doutor no Programa de Pós-Graduação em Educação da Unisinos. Aprendemos muito juntos.
Já houve leitor desse blogue que dissesse que viaja comigo aqui. Por isso a adito algumas informações desta cidade coletadas na rede.
Londrina é um município brasileiro localizado no norte do estado do Paraná, a 369 km da capital paranaense, Curitiba. Importante pólo de desenvolvimento regional, Londrina exerce grande influência sobre todo o Paraná e região Sul. Com uma população estimada de mais de meio milhão de habitantes é a segunda cidade mais populosa do Paraná e a terceira mais populosa da região Sul do Brasil. Em sua região metropolitana já tem quase 800 mil habitantes,
É um centro regional com significativo comércio, serviços, agroindústrias e universidades. Entre os estabelecimentos que oferecem educação superior se destaca a Universidade Estadual de Londrina (UEL), que é famosa pela qualidade do ensino e atrai estudantes de todo o país.
Antes da colonização extensiva do Norte do Paraná, havia, entre seus habitantes, além dos índios Kaingáng, uma população pobre instalada na floresta e que já derrubara parte dela para a criação de animais e o plantio de produtos agrícolas para sua sobrevivência. Ao lado de pessoas nessa situação, havia proprietários de terras, que já iniciavam a abertura e formação de grandes fazendas. Londrina, na época pertencia ao município de Jataizinho e a região conhecida como Gleba Três Bocas.
Lord Lovat, inglês que veio ao Brasil em 1924, visitou o Norte do Paraná e verificou que não havia exagero no que ouvira falar sobre essa região. Em 1925, com outros companheiros, criou a Companhia de Terras Norte do Paraná (CNTP). Esta companhia iniciou seu trabalho de colonização sob a orientação de ingleses. Dao porque a cidade tem o seu nome de ‘Pequena Londres’,
A CTNP foi um tipo de loteadora que, após comprar terras, derrubou parte da floresta, abriu estradas e organizou a divisão desse espaço em lotes urbanos e rurais, que foram vendidos. A propaganda foi muito usada para atrair compradores, e nela chamava-se a atenção para a "Terra Roxa" e a "terra sem saúva".
Esta propaganda, aliada a outros motivos, como a pobreza e a esperança de vida melhor, fizeram com que muitas pessoas de todo o Brasil (principalmente paulistas, mineiros e nordestinos) comprassem terras ou fossem procurar trabalho no Norte do Paraná. Além dos brasileiros, vieram pessoas da Alemanha, Itália, Japão e outros países. A população atual de Londrina reflete esta mistura de povos.
Esta foi a minha terceira ou quarta visita a Londrina. Em no frio julho de 1987, participei na UEL de uma edição do Simpósio Sul Brasileiro de Ensino de Ciências, evento que fizeram história na Educação em Ciências no sul do Brasil. Depois estive uma ou duas vezes na UEL a convite do curso de Química. Em 2006 estive aqui a convite do IAPAR – Instituto Agronômico do Paraná – para proferir palestra, quando fui agraciado com um troféu ”Amigo do IAPAR’ entregue pelo Secretário Estadual de Agricultura, que conservo em minha estante de mimos.
Esta vinda à Londrina foi para proferir na noite de ontem palestra “Das disciplinas à indisciplina: caminho ao inverso para alfabetização científica” no 1º CPEQUI - CONGRESSO PARANAENSE DE EDUCAÇÃO EM QUÍMICA. É propósito dos organizadores deste evento estabelecer um fórum continuado de debates, conversas, estudos e discussões acerca da Educação em Química no Paraná, aberto a todos os interessados na compreensão e tomada de decisões, acerca das atuais exigências da Educação Científica. Pretendem uma integração mais ampla entre universidades, centros de pesquisa, escolas da rede pública e privada, bem como vascularizar-se pelos movimentos culturais e científicos mais amplos da sociedade paranaense. Minha palestra foi apreciada, mesmo que não me sentisse no melhor momento. Após fotografias e autógrafos que sempre me agrada.
Após minha fala assisti ainda “Semeando conversações” onde me surpreendeu a fala do Prof. Dr Paulo César Pinheiro, da Universidade Federal de São João del Rey, que abordar ‘cultura popular’ conferiu-me um destaque imerecido, através de várias citações. Nessa sessão ouvimos ainda a Profa. Dra, Marcia Borin da Cunha, da UNIOESTE, sobre ‘Ciência e mídia’ e o prof. Dr. Sérgio Melo Arruda, da UEL que apresentou ‘museus de Ciência’. Já passava da meia noite quando deixei o grupo em meio a uma agradável confraternização.
Com votos de uma excelente quarta-feira junto um convite para um reencontro amanhã desde a Morada dos Afagos.



Escrito por Chassot às 01h36
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Sesquicentenário de Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural.

  24NOVEMBRO2009

TERÇA-FEIRA

150 anos da publicação de A Origem das Espécies

Porto Alegre

Ano 4 # 1209

Neste dia, há 150 anos, era publicado pela primeira vez o livro Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural. É provável que nenhum outro livro científico tenha provocado, em todos os tempos, tanta discussão como este. Esse feito e o Bicentenário do nascimento de Charles Darwin (*12FEV1809 +19ABR1882) talvez o cientista que mais tenha revolucionado propostas da Ciência, fazem de 2009 o Ano Darwiniano. 

Há datas que estão ferreteadas de maneira indelével em nossa memória. Esse 24 de novembro é uma. Hoje meu irmão Sirne, que era 1 ano e 18 dias mais novo que eu faria 69 anos. Ele morreu em 2002, quando eu estava fazendo pós-doutoramento em Madrid. Dói-me ainda não ter podido estar com ele quando de sua partida. Na nossa infância, passamos muitas vezes por gêmeos. Anos depois me lembro que quando brincávamos (ou lutávamos fisicamente) eu sempre perdia, pois ele era mais ágil e mais forte que eu. Fomos muito companheiros sempre, mesmo que penso que na adolescência fôssemos muito diferentes. O Sirne opunha ao meu ‘ser intelectual’ seu ser um boêmio namorador. Gostava de bailes como ninguém. Nesses tempos que ando remexendo no baú de antanho escrevendo sobre tempos que se fazem distantes, ele seria um precioso co-autor. Tenho saudades de seu prosear. Ele era detentor de uma memória privilegiada. Assim a blogada de hoje se traveste de saudade. 

Troco de registro temporal. Ontem, contava que a curtição do avonado teve estar coma Maria Clara e Antônio. Referi, então, que depois da Bienal, estivemos ainda um tempo na casa dos queridos Clarissa e Carlos. Ali a duplinha MC&A continuou com as brincadeiras. Como este blogue, desde minha tentativa de ilustrar amplamente minha ascensão ao outeiro da Penha em Vila Velha, na última sexta-feira, 13, está limitado a apenas uma foto diária, adito hoje mais uma do entardecer de domingo.

Ontem comentava aqui, que em cerca de 15 mil residências (dados somados das três operadoras do Rio Grande do Sul) ainda estavam sem energia elétrica desde o temporal da tarde de quinta-feira. Aqui um comentário lateral: a energia elétrica está hoje tão presente em nosso cotidiano que a falta da mesma é dita no senso comum como ‘sem luz’ como se estivéssemos às escuras. 

Por outro lado já foi referida aqui por uma leitora, em dias recentes, a situação de Guayaquil, no Equador que vive duas vezes (uma pela manhã e outra pela tarde) três horas de apagões. Muitos de nós evocamos o racionamento que ocorreu no Brasil em 2001. Mas já esquecidos do apagão recente que houve no Brasil na virada de 10 para 11 neste mês, já estamos vendo em diferentes pontos da cidade a montagem de árvores de natal que receberão milhares de lâmpadas, o mesmo ocorrendo na decoração natalina.

Hoje seria impossível para a (quase) totalidade dos leitores deste blogue viver algo parecido como os ‘desenergizados’ pelo temporal. Lembro apenas que meus avós maternos e paternos viveram a maior parte dos anos de suas vidas sem energia elétricas. O lampião a querosene era algo então muito sofisticado e substituía as velas de estearina ou as de sebo (estas de fabricação caseira).

Não há que de nós não recorda da emoção daqueles brasileiros que só recentemente foram incluídos como cidadãos mais integrados à sociedade pelo programa “Luz para todos’ do governo federal. É fácil imaginar a surpresa de alguém que conviveu sua vida com obtenção de luz à noite com uma chama, passa ter pelo simples acionamento de interruptor.

Aliás, a falta de energia elétrica hoje nos afeta de maneira muito diferenciada que nos afetaria há 10 anos. Isso me parece ser muito significativo. Então, durante o dia poderíamos passar algumas horas ‘sem luz’ que nem notávamos. Hoje a percepção é instantânea, especialmente através de nossos computadores.

Vale observar alguns dados históricos. A primeira usina elétrica brasileira foi instalada em 1883, na cidade de Campos (RJ). Era uma usina termoelétrica. A primeira usina hidrelétrica brasileira foi construída pouco depois no município de Diamantina (MG), aproveitando as águas do Ribeirão do Inferno, afluente do rio Jequitinhonha. Mas a primeira hidrelétrica do Brasil para serviços de utilidade pública foi a do rio Paraibúna, produzia energia para a cidade de Juiz de Fora (MG).

Em 01 de dezembro de 1887 (portanto a cerca de 120 anos), começa a funcionar a usina elétrica da "Sociedade Fiat Lux", localizada na esquina das ruas Sete de Setembro e João Manoel, em Porto Alegre, após alguns meses de experimentos. A usina era constituída por uma máquina a vapor de 50 cv (cavalo-vapor) de fabricação inglesa. Essa máquina acionava 3 dínamos (geradores de corrente contínua) de fabricação alemã, podendo fornecer energia para acender 800 lâmpadas de 10 "velas" do "sistema Edison". Dessa usina partiam "2 linhas" (2 circuitos), uma até a Praça Conde d'Eu (atual Praça 15 de Novembro) e a outra até o Hotel Lagache, localizado na atual rua Otávio Rocha. Porto Alegre foi a primeira capital provincial a contar com os serviços públicos de energia elétrica. A máquina a vapor dessa usina devia ser a que se conhece como "locomóvel" e que, possivelmente, utilizava lenha como combustível. Lâmpada do "sistema Edison" deveria ser a nossa conhecida lâmpada incandescente ou lâmpada com filamento. A "vela" é uma antiga unidade de medida que se usava para quantificar o brilho das lâmpadas; atualmente se usa o termo "watts" (W) para medir a potência das mesmas. É evidente que esse serviço só funcionava nas primeiras horas da noite.

Há outro conjunto de dados que merece a contemplação para mostras a nossa dependência de energia elétrica. 

Em 1930, o Brasil já possuía 891 usinas, sendo 541 hidrelétricas, 337 térmicas e 13 mistas. Com a 2.a Guerra Mundial voltou o problema de importação e de racionamento de carvão e petróleo. Então, a usina elétrica já era utilizada para outras finalidades, além da indústria da iluminação pública e doméstica.

Registre-se que em 1920, a capacidade instalada de energia elétrica do Brasil era em torno de 360 MW. Em 1930, era em torno de 780 MW. Em 1940, de 1.250 MW. Em 1950, de 1.900 MW. Em 1960, a de 4.800 MW. Em 1970, de 11.460 MW. Em 1980, de 31.300 MW. Em 1990, a de 53.000 MW. Em 2000, a de 72.200 MW. Em 2003, de 77.300 MW.

Sendo nossa energia elétrica fundamentalmente de origem hidroelétrica estejamos atentos com os regimes de nossos rios, para que com chuvas nas quantidades desejas (e necessárias) não venha a ‘faltar luz’.

A propósito, cerca de três bilhões de pessoas, aproximadamente a metade da população do planeta, não possui fontes modernas de energia para se aquecer e cozinhar, enquanto quase uma em cada quatro sequer tem luz elétrica, denuncia um relatório da ONU sobre recursos energéticos divulgado nesta segunda-feira.

Como epílogo, desejo que esta última terça-feira novembrina seja a melhor para cada uma e cada um de meus queridos leitores, que espero estejam podendo ler melhor este blogue, depois da alteração de ontem. O hoje o convite é pata nos lermos amanhã de Londrina, depois de esta noite falar no 1º Congresso Paranaense de Educação Química. Esta manhã, viajo à Londrina, onde devo chegar no começo da tarde, depois de ficar por mais de duas horas aguardando conexões em Curitiba, ou mais precisamente em São José dos Pinhais. Assim, até a Capital do Café, amanhã.


 



Escrito por Chassot às 07h12
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BIENAL: duas leituras e dois tempos

   23NOVEMBRO2009

SEGUNDA-FEIRA

Faltam 13 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague

Porto Alegre

Ano 4 # 1208

Por primeiro uma nota operacional. Há uma semana alterara a forma do blogue. Recebi manifestações de agrado de alguns leitores. Todavia outros manifestaram sua dificuldade com a leitura. Lamento. Na tentativa de solucionar o problema, alterei mais uma vez a formatação. Espero – com um imenso desejo – que o problema tenha sido solucionado.

Inauguramos aquela que é a última semana de novembro. Começamos uma semana quando ainda há cerca de 15 mil casas sem energia elétrica desde a última quinta-feira. Para mim essa será uma das semanas mais densa do ano, pois ao lado dos compromissos de rotinas tenho uma viagem amanhã, para à noite fazer uma palestra em Londrina e ao retornar vou a Santa Cruz do Sul para 8 horas de curso na noite de quinta-feira e na manhã de sexta-feira e no sábado tenho uma palestra em atividade promovida pelo curso de História do Centro Universitário Metodista - IPA.

Para a edição de hoje, retomo aqui algo que assuntei aqui na última quarta-feira: a 7ª Bienal do Mercosul, que nesta edição tem como tema ‘Grito e Escuta’. Neste domingo o evento que está no seu ocaso teve para mim duas leituras e dois tempos. Vou falar primeiro nas duas leituras, para depois trazer as emoções de ter estado no mesmo espaço pela manhã e pela tarde.

Já reconheci aqui, que mesmo a um crítico de arte é difícil trazer a visão de uma Bienal. A dificuldade é marcada pela diversidade de obras numa gama muito variada formas de expressão. A tarefa se torna mais difícil para um leigo como eu, para quem afloram emoções diversas, muitas delas catalisadas por mediações, que são oferecidas por pessoas que conhecem muito mais de arte que eu.

Marcada por emoções entusiasmadas, quase conclamava assim minha blogada de quarta-feira: “Encerro essa edição estimulando, uma vez mais. meus leitores aos quais sou ligado por vizinhança, que aproveitem essa 7ª edição da Bienal do Mercosul. Quando estamos no exterior gastamos, além de passagens e estadias, alguns dólares ou euros com ingresso. A Bienal – que faz Porto Alegre mais cultural – está aqui e é de graça. 

Pois meu entusiasmo foi surpreendido, quase agredido, por um artigo da lavra de conceituado jornalista, na página de ‘opinião’ do jornal mais importante de do Rio Grande do Sul. Trago excertos:

“A mistificação está em todos os lugares, não apenas na política, mesmo que aí viceje e floresça em forma ilimitada, quase infinita. Tanta é a mistificação institucionalizada, que já nos habituamos a tomar a falsidade como algo natural. Percebemos que nos enganam e mentem, mas somos incapazes de reagir ou sequer questionar, pois o engano e a mentira surgem em torrente e a enxurrada nos imobiliza.

Visitei, agora, a Bienal do Mercosul nos antigos armazéns do cais de Porto Alegre e me espantei com aquelas pobres extravagâncias ali depositadas sob a pomposa denominação de ‘arte conceitual’. Nenhum conceito e nenhuma arte havia ali naqueles objetos empilhados ou esparramados pelo chão. Os solícitos funcionários-mediadores (na maioria, moças de excelente formação em artes plásticas) discorriam sobre as teorias da “arte conceitual”, ampliando os textos dos imensos painéis impressos. Nada, porém, tinha a ver com as “obras” expostas.

[...] Esse tipo de coisas chama-se ‘instalação’. Em teoria, surgiu como revide às exigentes regras da arte clássica. Como expressão, é algo subjetivo, ou inventado, em que só o autor conhece o significado que pretendeu dar. No fundo, uma ilusão. Ou uma brincalhona falcatrua em nome da arte.”

No vou fazer comentários. Cumpro agora o prometido. E falo de duas estadas, uma pela manhã e outra pela tarde ao Museu de Arte do Rio Grande do Sul. No MARGS está um dos temas mais intrigantes da 7ª Bienal: Desenho das Ideias. Pela manhã a Gelsa e eu estivemos ali com a Liba, de que recebemos preciosas orientações daquela que é, dentre as pessoas que conheço, a maior conhecedor de Arte. À tarde estivemos no mesmo espaço com nossos netos Maria Clara e Antônio. Um e outro foram momentos quase indizíveis.

Nesse espaço o desenho como a disciplina revela o pensamento do artista com mais transparência: este é o foco da exposição que ocupa o Margs nesta Bienal do Mercosul. Organizado como uma caixa de ressonância a mostra estabelece diálogos com diversas outras exposições da Bienal por meio de seus conteúdos, poéticas e metodologias. 

Obras de artistas da América Latina e de outros lugares do mundo integram Desenho das Ideias. Elas estabelecem um diálogo com desenhos de artistas historicamente reconhecidos. Isso ocorre com o objetivo de ampliar o olhar sobre a profundidade dos processos artísticos contemporâneos. A forma de articulação do desenho com outras formas de manifestação artística e outras áreas de conhecimento também são questões colocadas como pontos reflexivos da mostra. Há muitas obras vou destacar três que mais me impressionaram, não necessariamente em ordem de preferência.

O trabalho mais impactante, para mim, é de Iran do Espírito Santo, uma parede que parece um buraco negro, para onde é difícil deixar de olhar. Na mesma sala nesse segmento algumas outras obras, provocando interessantes interações com o imenso painel que parece em terceira dimensão, nos seus 53 tons de cinza, que provocam ilusões.

meu segundo destaque vai para a ficção que propõe Walmor Corrêa nos seus desenhos aparentemente naturalistas, resultantes de sua projeção imaginária. Corrêa apela tanto à estética da ilustração naturalista, própria das ilustrações de pintores viajantes dos séculos XVII a XIX, como à da ilustração de manuais científicos de biologia, anatomia e medicina, para revelar um outro mundo, completamente ficcional, articulado a partir de seres impossíveis ou improváveis. Para a Bienal, os 25 livros do artista apresentam desenhos dos mamíferos e seres exóticos descritos por Hermanm vom Ihering, naturalista alemão que chegou ao Rio Grande do Sul em 1880 para depois criar, em 1892, o Museu Paulista e contribuir com o Museo de Ciencias Naturales de La Plata, Argentina.

O meu terceiro destaque é para os trabalhos de Yun-Fei Ji. Estes de referem a importantes tradições da história da arte: o paisagismo e a caligrafia chineses. Oriundo de Beijing, o artista insere-se nessa tradição para subvertê-la. Assim, critica as políticas do poder que ela mesma representa, entre as quais a erradicação de uma memória que permitiria preservar costumes e modos de pensamento milenares ameaçados, anos atrás, pela revolução cultural e hoje pelo acelerado crescimento econômico. E, fundamentalmente, critica as políticas que levaram à construção da enorme represa das Três Gargantas, que provocou a retirada de mais de um milhão de pessoas.

À tarde, envolto com essas obras, a Maria Clara e o Antônio, receberam pranchetas para usar o desenho e manifestarem suas emoções Os dois curtiram desenhar sob os olhares de seus avós. Estivemos ainda um tempo na casa dos queridos Clarissa e Carlos, onde a duplinha MC&A continuou com as brincadeiras.

Depois desse avonar vale apenas dizer: uma boa segunda-feira para abrir uma semana de muitos fazeres.

 



Escrito por Chassot às 06h50
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Uns rogam para as chuvas cessar! Outros pedem chuva!

  22NOVEMBRO2009

DOMINGO

Faltam 14 dias para a COP-15: Conferência do Clima de Copenhague

Porto Alegre

Ano 4 # 1207

A noite de sábado para domingo que teima em terminar– pois o sol está inibido – é chuvosa. Imagino a desperança dos flagelados pelas enchentes que aumentam no Rio Grande do Sul. O Planeta parece mostrar a sua desregulação, quando em nossa América Latina, há países que vivem calamitosas secas, que demandam a seus habitantes racionamentos de energia elétrica de várias horas diárias. Nesses a desperança se manifesta com sonhos antípodas dos nossos: pedem chuva.

Ontem, chamou-me a atenção de uma queda significativa de visitas a este blogue. Nos 20 primeiros dias de novembro a média foi superior a 117, para no dia 21 passar para 85. Faço um cálculo; se havia cerca de 100 mil residências sem energia elétrica desde a tarde de quinta-feira, isso significa em torno de 300 mil pessoas. Se destas 0,001% forem leitores desse blogue, terei cerca de 30 leitores que bruscamente se ausentaram. São elucubrações feitas quando uma chuviscada me expulsou da rede, sob a parreira, onde lia um livro de memórias de Josué Guimarães.

Em dia desta semana, entre os muitos alertas de leitura que recebi – e se atendesse a todos não me sobraria tempo para outras leituras – um trouxe interesse muito especial. Imediatamente escrevi a sua autora: 

Estimada Matilde, li encantado o texto: ‘Lilith y Eva’ publicado na página da Q-Analysis. Receba meus cumprimentos pela maneira preciosa com traz um tema de interpretações tão discutíveis ao longo da Historia. Desejo que autorize regalá-lo aos leitores de meu blogue por duas razões: a) há uma semana o livro “Caim” de Saramago – onde Lilith é a figura feminina quase exclusiva – foi assunto no mesmo, recebendo então seu comentário; b) por sua presença como eventual comentarista, alguns de meus leitores a conhecem e teriam então a oportunidade de fruir um texto seu. Com expectativa ac

Recebi atenta resposta da autora: Muy querido Profesor Chassot, me hace enormemente feliz saber que le ha gustado mi artículo. Me siento muy honrada con la deferencia que haría al publicarlo. ¡Que tenga un lindo fin de semana! Matilde 

Assim, para degustar o domingo ofereço a versão em português do texto:

Lilith y Eva                                 Matilde Kalil*

Estar no terceiro milênio da era cristã não nos faz imunes aos mitos antigos, em cuja sombra se tecem fantasias, lendas e inclusive cosmogonias com sabor atual. 

No já mencionado Caim, Saramago destaca a figura de Lilith - esposa de Noah, das terras de Nod –, a quem destina o papel de iniciar a Caim na arte amorosa e com quem teria um filho: Enoc, bisavô de Matusalém.

Todavia, há outra Lilith, uma que permaneceu quase desconhecida e que forma parte dos mitos antropogônicos. 

Segundo a Cabala judaica, Lilith foi a primeira mulher, criada igual como Adão. Eva seria uma criação posterior, produto de uma costela do varão.

No sexto dia do primeiro relato da criação, Deus cria o homem a sua imagem e semelhança “Macho e fêmea os criou” (Gn 1:27). Esta narração refere ao primeiro casal humano que teve origem similar.

No segundo relato da criação, Deus forma o homem com pó da terra e lhe infunde alento de vida. Para que não esteja só e o ajude, faz um ser semelhante a ele de sua costela e forma a uma mulher, de quem o homem diz: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa (virago), porquanto do varão foi tomada.” (Gn 2:23).

Enquanto no primeiro relato a fêmea (mulher) é reflexo de Deus, no segundo, é reflexo do homem.

Por que o Gênesis refere duas criações? Alguns consideram que os versículos são reiterativos e dão a conhecer um mesmo feito de uma maneira diferente.

Outros, diferentemente, aduzem que no primeiro relato alude à criação de uma primeira mulher: Lilith, cujo nome se relaciona com a palavra hebraica lailah, que significa noite.

Lilith se torna o par de Adão, com quem comparte um mesmo gérmen ontológico. Teria uma personalidade forte e emancipada que faz com que se associasse com lado escuro e com a malignidade.

Segundo a tradição judaica, Lilith se opõem a aceitar a postura amorosa que Adão desejava – deitada e por baixo – por se considerar igual. Como Adão quis obrigar-lhe a obedecer, ela o abandona, deixando o Jardim do Édem.

Eva, em troca, assume uma atitude mais submissa, menos crítica. Por originar-se da costela de Adão, está sujeita a seu domínio. “... e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. (Gn 3,16)”

Lilith e Eva poderiam ser os arquétipos de um duplo feminino: a maldade versus a bondade, a obscuridade versus a luz, a dureza versus a doçura, a mulher-demônio que se opõe à mulher-mãe. 

A primeira se orienta ao egoísmo, a auto-gratificação, ao prazer sensual; a segunda ao sacrifício, à união espiritual e à procriação. Extremos dos opostos demônio/santa, rameira/virgem, que tem categorizado e estigmatizado o mundo feminino.

Sem dúvida, uma e outra compartem de ter desorientado ao homem e até poderíamos pensar, serem mais potentes que ele. Potência ligada em parte à falta de compreensão que o homem tem do feminino. 

Lilith enfrenta a Adão e o abandona como uma forma de emancipar-se; não se submete, o desafia. Eva o faz transgredir: é a autora intelectual do pecado original, sua força reside ma sedução passiva.

Aos olhos masculinos, a mulher é em si mesma a caixa de Pandora: enigma indecifrável e fonte do mal.

Se a mulher foi melhorada - produto de um upgrade ou turbinada –, o homem não? Poderíamos pensar que assim como se deduz ter havido uma Lilith do primeiro relato possa ter havido outro primeiro homem?

Seguindo a Cabala judaica, Jacó representa a versão do homem superior porque retifica o pecado de Adão. Por ele, recebe o nome de Israel e procria filhos bons que formam a base das doze tribos do povo eleito pelo Deus bíblico.

Devido à maior agudeza da psicologia feminina, o crítico literário Harold Bloom formula a hipótese que alguma parte inicial da Bíblia foi escrita por uma mão de mulher.

Se bem que os desígnios de Deus são inescrutáveis, nós, suas criaturas, nos encarregamos de interpretar-los. 

*Matilde Kalil de Bohórquez, psicóloga social, graduada en Lovaina, trabalha em Investigação de Mercados desde 1986 e é Diretora da Q-ANALYSIS em Guayaquil, no Equador www.q-analysis.com desde 1989

Com votos de curtição do domingo com sol aqui e chuva na região equatorial, um convite para nos lermos aqui, na abertura da última semana de novembro.




Escrito por Chassot às 06h15
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